Memórias de Um Menino Descalço
A LUA
Tinham noites que o menino admirava a Lua Cheia.
Na solidão esperava um beijo na face entristecida.
Ela enchia seus pensamentos de sonhos impossíveis.
Viajar na cauda de um foguete.
E pousar no coração de São Jorge.
Desamparado na solidão das veredas do sertão.
Os sonhos se multiplicavam na sua cabeça.
Quando a Lua refletia como uma bola no céu da sua infância.
Pincelada com cores negras ou prateadas.
Ou alaranjadas.
Iluminava os campos e as serras ao derredor.
A casa de taipa onde o menino morava.
Era cercada de pobreza quase absoluta.
Viajar para um lugar distante.
Já ocupava a sua cabeça.
As noites do sertão.
Fora do tempo das bem-vindas chuvas.
Nunca negou a Lua iluminando seus caminhos desfigurados.
Carregados de sonhos impossíveis.
Nas noites sem a lua.
Era um só breu Deus.
O medo fazia o menino ficar na rede.
Ela balançava ao toque dos pés na parede próxima.
Para o menino andar nas veredas perto de casa.
Quando o sol sumia das vistas dos campos do sertão.
Só quando a Lua Cheia dava as caras.
E pintava o vale e cabeça do menino de sonhos distantes.
Foto Google
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