sexta-feira, 12 de junho de 2026

Memórias de Um Menino Descalço - A Lua

 

Memórias de Um Menino Descalço

A LUA...

Tinham noites que o menino admirava a Lua Cheia.

Na solidão esperava um beijo na face entristecida.

Ela enchia seus pensamentos de sonhos impossíveis.

Viajar na cauda de um foguete.

E pousar no coração de São Jorge.

Era o pensamento que envolvia o menino.

Sempre desamparado na solidão das roças de coivara.

Os sonhos se multiplicavam na sua cabeça.

Quando a Lua refletia como uma bola no céu da sua infância.

Pincelada com cores negras e prateadas.

Ou alaranjadas.

Iluminava os campos e as serras ao derredor.

A casa de taipa onde o menino morava.

Era cercada de pobreza quase absoluta.

Viajar para um lugar distante.

Já ocupava a sua cabeça.

As noites do sertão.

Fora do tempo das bem-vindas chuvas.

Nunca negou a Lua iluminando seus caminhos desfigurados.

Nas noites sem ela.

Era um só breu Deus.

O medo fazia o menino ficar na rede.

Ela balançava ao toque dos pés na parede próxima.

Para o menino andar nas veredas perto de casa.

Quando o sol sumia das vistas do sertão.

Só quando a Lua Cheia dava as caras.

E pintava o vale de sonhos impossíveis.

Imagem Google.

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