Memórias de Um Menino Sertanejo
Os Jogos de Bila
Jogar bila nos dias sem chuva
Na rua de terra, na pracinha da paz
Era divertido para quem ficava com os bolsos cheios.
De tristeza ressentida para quem saia com os bolsos
vazios.
No formato de triângulo eram os buracos cavados.
Com algum instrumento como faca, canivete, pedaço
de pau.
Cada bolinha de gude grudada no dedo polegar
Apertada no de apontar
Viajava em direção a outra com velocidade
divertida.
Acertar a bila do inimigo era o desejo.
O menino gostava dessa vadiagem inocente.
De brincar com os colegas apostando na certeza de
perder ou ganhar.
O barulho das pancadas na bolinha do adversário
Trazia a certeza da paz
Da vitória.
Ela se consagrava, quando a bolinha caia no buraco
escolhido pra se recolher.
Cada matada de bola
Fazia o menino sentir-se dominado pelo prazer do
jogo.
As partidas só acabavam quando o perdedor arregava.
Estava ficando sem as bolinhas que tanto gostava.
Era nessa hora que arrumava confusão para deixar o
jogo.
Dizia: tenho que ir pra casa ajudar mãinha.
O jogo não acabava.
Outros meninos se apresentavam para novas partidas.
Imagem Google.
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