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sexta-feira, 12 de junho de 2026
Memórias de Um Menino Descalço - A Lua
Memórias de Um Menino Descalço - Jogos de Bila
Memórias de Um Menino Descalço
Os Jogos de Bila...
Nos dias sem chuva.
Oh, gostusura!
Brincar na rua de terra era só alegria.
Na pracinha das brincadeiras de pernas soltas e pensamentos livres.
Era divertido para quem ficava com os bolsos cheios.
De tristeza ressentida para quem saía com os bolsos vazios.
No formato de triângulo eram os buracos cavados.
Com algum instrumento como faca, canivete, pedaço de pau. Entusiasmo.
Cada bolinha de gude grudada no dedo polegar.
Apertada no dedo de apontar.
Viajava em direção a outra com velocidade divertida.
Acertar a bolinha de vidro do opositor era o desejo.
O menino gostava dessa vadiagem inocente.
De brincar com os colegas.
Apostava na certeza de perder ou ganhar.
O barulho das pancadas na bolinha do adversário.
Trazia a certeza da paz.
Ou da vitória.
Ela se consagrava.
Quando a bolinha caía no buraco escolhido para se recolher.
Cada acertada na bolinha.
Fazia o menino sentir-se dominado pelo prazer do jogo.
As partidas só acabavam quando o perdedor arregava.
Estava ficando sem as bolinhas que tanto gostava.
Era nessa hora que arrumava desculpas para abandonar o jogo.
Dizia: preciso ajudar mãinha!
O jogo não acabava.
Outros meninos estavam na fila.
Para novas aventura nas disputas.
Imagem Google.
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Memórias de Um Menino Descalço - Bolas de Meia
Memórias de Um Menino Descalço
As Bolas de Meia
As meias eram preenchidas com fibras de algodão.
Não ficavam arredondadas como as bolas Pelé.
Objeto de desejo de todos meninos da vila.
As bolas de meia não aguentavam os chutes desassossegados.
Logo se estraçalhavam nos campinhos de terra.
Sem calçado para proteger os pés.
Sobrava nos meninos pedaços de unhas arrancadas.
Dedão do pé sangrando o vermelhão de dentro de si.
Acontecia quando a bola era o alvo.
Mas as pedras se ofereciam primeiro.
Os jogos contra aconteciam no final do dia.
Entre o sol se despedindo do sertão.
E a noite chegando.
As partidas só davam um fim.
Quando a bola já não servia.
Ou a noite chegava com o seu manto preto.
Ela amedrontava as crianças.
As histórias de lobisomem, caipora, almas penadas.
Afastavam as crianças dos terreiros das casas de
taipa.
Quando as mães gritavam:
Entre pra dentro menino!
Vem pegar tua comida!
Ela tá no prato!
Hora do fim do jogo mais esperado pelas crianças.
Encher a barriga.
E ir depressa pra rede sonhar com um novo dia de
estripulia.
Imagem Google.
terça-feira, 9 de junho de 2026
Memórias de Um Menino Descalço - Bicicleta
Memórias de Um Menino Descalço
Nela pedalava pernas de criança aprendiz.
Os pneus eram impulsionados por curtas pernas.
Rodava nos caminhos estreitos sem direção.
Por dentro do quadro da monark ajeitava uma das pernas.
A direita.
A esquerda dava suporte na força para impulsionar os pedais.
Bicicleta grande, de adulto, não respeitava o menino.
Jogava-o ao chão sem cerimônia.
Sua força nos pedais vinha da vontade de aprender.
Ser livre pedalando a magrela.
Era ser livre como pássaros no arvoredo.
Mais dias, menos dias.
Entre erros e acertos.
O menino ganhava segurança para alçar novos voos.
Subir na magrela e pedalar sentado no ferro do quadro.
A monark deslizava nas estradas.
Levava o menino para viagens sem hora para voltar.
Nem lembrava da fome que o deixava fraco de tanto esforço.
Subir as ladeiras das estradas do sertão.
O fazia esquecer da vida dura que a família levava.
Foto google