AQUI TEM HISTÓRIA
Andava descalço no tempo d’eu menino.
A terra seca recebia meus pés sem reclamar.
Quem reclamava era EU.
Ai, mamãe pisei numa pedra!
Gritava...
Mamãe seguia na frente carregando uma trouxa de roupa na cabeça.
Eu vinha atrás deixando o caminho para trás.
Cuidado menino!
Mãe, tá doendo!
Olha por onde pisa!
Tô olhando, mamãe, mas as pedras não largam do caminho.
O caminho era estreito.
Foi traçado por pés dos moradores que moravam naquele deserto de sertão.
Dos dois lados do caminho a mata seca não me assustava.
Eu já tinha me acostumado com ela.
O que me encantava era o canto da passarada.
Saltavam de galho em galho no arvoredo sem vida.
Era tempo de seca.
Mamãe, me espera!
Anda logo menino!
Tô indo...
Entre o canto dos passarinhos, mata seca, pedra e poeira, eu seguia minha mãe entregue a inocência de ser criança.
