Outro dia me peguei caminhando no sentido contrário.
Pra onde ia.
Doido pra não chegar.
A Morte me surgiu como amiga.
Desviou-me do caminho que me matava todo dia.
Doou sua bondade me direcionando para outras
bandas.
Ficamos amigas.
Dizia ela que não me queria pra morar no seu reino.
Por hora.
Ora!
Inclusive me aconselhou a pegar novos rumos.
Se sentir forte.
Aprender mais e mais pra ter o que contar às
gerações futuras.
A Morte prometeu que estava disposta a me esquecer
por longos anos.
Até chegar a velhice.
Mas sem ser daquela que apieda as pessoas e dá
muita faina a família.
A Morte recomendou que eu usasse o cérebro e o
físico.
Como faz desde que nasceu lá pra’s bandas das terras
do sertão.
Não parasse de estudar filosofia, sociologia.
Muita história pra desvendar as artimanhas humanas.
Tinha muita gente à minha frente para ir atrás com
sua foice amolada.
Disse a morte.
Uns caras que negavam pão a quem tinha fome.
Disse a morte.
Agasalho a quem tinha frio.
Disse a morte.
Tipo de gente que recebia o vento úmido da noite
soprando farpas.
Uns truculentos desumanizados radicais preparados
para matar os diferentes.
Essas coisas que os cidadãos de bem nas suas
individualidades...
Querem que o miserável deixe de ser próximo.
E vá procurar sua turma no lixo que eles produzem.
Amigo, Zé. Disse a Morte.
Siga seu caminho sem desviar de suas intenções.
Não se esqueça de estender a mão a quem precisa.
Gente fina essa amiga Morte.
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