Silêncio...
Hoje
eu quero silêncio.
Silêncio...!
Silencio...!
Não quero batida de surdo no meu pé do ouvido.
Tamborim ou pandeiro que sumam da minha audição.
Quero ouvir as batidas do meu coração doando seus músculos.
Precisam me sustentar sobre as pernas.
Quero ouvir a minha voz emudecida soltar o verbo pelos quatro ventos.
Minha voz precisa deixar de pedir perdão àqueles que me massacraram gritando.
Meu lombo recebia o chicote que descia lépido desde que nasci lá pra’s bandas
do sertão.
Quero silêncio pra ouvir meu sangue atravessar os labirintos do meu corpo.
Preciso ouvir o vai e vem das ondulações
marítima, regando a agonia das minhas incertezas.
Ela sempre teve as carnes famintas por
justiça.
Quero silêncio para ouvir o meu silêncio.
Quero silencio pra ouvir meus olhos piscar pra você que não me ver.
Quero silêncio para sentir a minha boca sedenta.
Pedir a tua molhada.
Quero silêncio pra ouvir as minhas mãos febris.
Sonhar meus dedos te roçando.
Nas noites de uma paixão promíscua.
Quero silêncio pra ouvir a minha própria “bufa”!
Sem esse silêncio.
Não ouço quem quer me assassinar.
Aparece nas altas madrugadas.
Traz a munição da palavra armada.
Querendo guerra com a minha revolta pra criação da escrita.
Entenda...
Silêncio muito nunca é demais.
Pra quem quer com a palavra, a voz, o corpo, se expressar.
E deixar registrado aquilo que nasce do seu interior.
Em forma de arte.
Arte criada quando para pra escutar o seu
próprio silêncio.
Silêncio...! Silêncio...! Silêncio...!
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