sexta-feira, 22 de maio de 2026

QUER MEU BEIJO...?


 

Quer Meu Beijo...?


Quero te arrebatar num beijo.

Levar-te as alturas.
Quero gravar meu beijo na tua face aguda.

Na tua boca carnuda.

Fazer teu sangue bombear-se às alturas.
Beijo pegando fogo ofereço.

Numa fria noite de descanso depois de um dia de luta.
Meu beijo vai dilapidar a máquina automática ansiosa que carregas dentro de ti.
Meu beijo será de fera enjaulada, faminta por carne humana.
Tua carne é o doce sabor da minha fome selvagem.
Meu beijo não vai ser de anjo, de santo, meu beijo vai ser de bicho criado nas veredas sertanejas. Diacho!
Te visitará em todas partes com a língua afiada, sedenta por tua saliva fresca.
Vai te rasgar a velha pele, te cobrir de nova, serás outra mulher, quase criança.
Meu beijo abrirá tuas asas, as fará voar como uma ave de rapina, faminta por emoção, em busca de novos bichos-amantes.
Cada beijo teu me doado, anos ganhará teu corpo em vida.
Teus beijos passarão a ser a droga da minha euforia.

Como os meus beijos serão da tua alegria.
Vou pular de cabeça nos teus beijos, nadar de braçada nas águas turbulentas deles.
Serás outra mulher.

Eu, outro homem.
Vou mergulhar na tua doce saliva, virar peixe do teu doce lago que balançará desadormecido.
No novo rio que nascerá do meu beijo na tua cama macia.

De uma margem a outra estarei presente nadando sempre. 

Vou te amparar num beijo ardente quando começar cair da cachoeira jorrando gozos pelos poros.
Meus beijos te salvarão de entrar em depressão.

Te salvarão de se jogar na frente d’uma Kombi corujinha.
Quanto mais ousado me oferecer o teu beijo, mais demorados serão os meus com a boca ardente.
Beijos como os meus, quem os receber, como você, sairá do lugar comum.
Se encontrará olhando no espelho dizendo pra si.
Nossa!

Num é que o homem é um Dom Juan!

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 19 de maio de 2026

PULEM O MURO...

 


 Pulem o Muro...

Qualquer hora dessas, meus chegados.

O muro da incompreensão.

E caiam de pau no cangote dos leões.

Eles têm fome de vossas carnes.

Não se espantem quando der na teia.

Que estão necessitados de conviver ao lado deles.

Primeiro, inventem diversas máscaras.

São excelentes para cada dia ter uma para recebê-los.

Outra coisa importante.

Ficar ligado para lidar com eles:

Nunca deixar a unha encravada, aparada.

É bom sempre mantê-la comprida.

Pra quando precisar usar tê-la afiada.

Beber o sangue do inimigo numa taça de prata.

Entalhada.

É o que vocês precisam.

Fica ligados quando eles vierem para sangrá-los a jugular.

Na solidão da madrugada.

Seria bom pra quem se sente rejeitado.

Saber entrar na luta e deixar de ser otário.

Entendam que toda nossa descendência.

Faz parte de uma classe sem dinheiro no banco.

Deveras, é bom que fiquemos rebelados.

Pra essa ideia ser logo empregada.

A taça de prata já deve estar separada do seu lado.

Tenham pressa, amigos.

O inimigo anda ganhando força.

Atuem antes que o sol se esconda no horizonte.

E alague seu ódio de amor.

Aqueles que criaram tesouros encantados.

Com o seu suor espalhado pelo lombo.

Juntaram grandes fortunas.

Com o nosso pobre dinheiro ganhado muito suado.