Ah, vão pro inferno todos que querem que todos se danem.
Vão pros quintos aqueles que querem retirar do ar e querer só pra si... o ar que todos respiram.
Os paletós que comem as gravatas vivem muito de bravata, jogando água em cascata já formada.
As gargantas que gritam olé não sabem dá olé por ser ralé para os políticos de ocasião.
Os biquínis que comem as xanas, protestam em cobrir as bundas, pela mídia se derreter sobre elas...
e os olhos dos moleques punheteiros são ouvidos só para elas rebolando na TV.
Os sutiãs que vestem saia querem roçar pelos pubianos e ser adorados pelos olhos do desejo.
Ah, vão pro inferno os invernos sensoriais dos que só criam ilusão de ótica para otários da vagabundagem.
Vão pro inferno os campos que não geram pão, o homem que não sabe onde pisa, pela pizza que nega a um faminto.
Ah, vão pro inferno do ártico, aqueles que têm muito agasalho e não agasalham filhote como as mães galinha.
Preciso destruir a alma de quem não tem alma e se alarma com quem alma tem demais para doar.
Vão pro inferno quem ejacula nas pernas das santas e sabe que a manta que o cobre custa o suor do trabalhador.
Políticos corruptos, vão pro inferno, por deixar as criancinhas na tempestade do deserto
sem a papa que empapa o papo dos passarin, bem como deixá-los sem ver o certo depois do crescimento.
Ah, vão pro inferno os canalhas sem remédio para curá-los.
Vocês merecem uma mão na fuça antes que a faca venha por trás e arranque o seu fígado.
Sabiá, azulão, bem-te-vi, te vi cagando como eu no cangote destes indivíduos
pessoas que acham que só eles têm direito,
por ter grana na Suíça e fazer faltar de tudo aos pobres desta nação
povo que se sente enganado nos dias de eleição.
Ah, vão pro inferno quem se acha o bonitão, o gostosão
e querem todas as mulheres pra levar pra cama, deixando muitos de nós se arrumando na mão.
Ah, vão pro inferno!
Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
HUMANOS versos DESUMANOS
A minha cela
cubículo cabe sempre mais um,
é um coração
do tamanho do olhar de uma pessoa
que perdeu a
esperança no amanhã.
Alguém que
chega como retirante,
logo ocupa minha célula saboreando água e cafezinho.
Chegam
respirando ares de muita fome... Magros.
Quase sempre
sem maldade como mote para abrir portas.
O bem para
estes ainda inspira como palavra chave.
Estão sempre
dispostos a dizer amem, amem...
Com o tempo
e vendo tanta atrocidade nesta cidade,
logo se
armam para o combate,
enchendo o
peito com um novo coração que perdeu remorso.
Prepararam-se
para ir... Ou mandar para o inferno,
quem veio de
um ventre com muita terra para plantar.
A semente
que germinou na sua mente,
por esse
momento da nossa história,
ganhou muita
margem para se beneficiar do seu poder nefasto.
Está em
guerra entre classes que lutam por mais espaço,
sem levar em
conta os rastros de destruição que vão sendo registrados,
deixando
corpos enfileirados para serem sepultados,
peneirados
de bala, esquartejados de pauladas,
amarrado com
sete cordas em grossas árvores, postes,
quando já
não são perfurados por estocadas vindas de raivas seculares.
Zé Sarmento
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
MEUS TOMBOS
Uma vez ou
outra ando tomando pancada
Sem ser
lançado a esmo por imprudência própria.
Fico sem ter
coragem de devolver ao mesmo modo esses empurrões.
Uns tapas de mão aberta me ferem o sobrolho.
Um murro de
mão fechada me acerta a nuca.
Um pontapé
de MMA desloca meu joelho.
Cabeçada quando
bate no peito joga-me ao chão.
Fico todo
inchado, de corpo doído, alma condoída.
A voz trava,
os sentidos lógicos se esvaem.
Viajo nas nuvens espaças sem enredo pra
segurar minha queda.
Quando dou
por mim fui engolido pelo inimigo voraz.
Usa a
língua e os membros aquecidos pra lançar-me
chamas
E chamuscar mina áurea opaca.
Sempre ligeiro
nas suas artimanhas, estúpido nos atos
Ignorante
nos fatos, levado à austeridade
Comprometido
com a usurpação.
Não tenho
páreo para rebater aos trancos desse inimigo monstro.
Tou sempre
na defensiva sem saber atacar ou defender.
Se fosse
covarde o acertaria pelas costas
O levando a
dar cambalhotas tortas
Na hora que
tivesse maltratando outrem.
Pois que,
por mim, sei que sou duro pra resistir a trancos violentos.
Se agisse
dessa forma ficaria remoçando a vida toda.
Não tive
lições exponenciais
Daquela que
a criança toma da família na formação.
Quando o ensinam
a ser o primeiro pra não fracassar.
Chegue antes de todos, seja esperto.
A vantagem
fará de você um vencedor, um político.
Tomar
bordoada, lapada, se sacrificar sem cobrar
Servir sem
ser servido não é prêmio que quero esconder
E que vem
apenas pra mim
Muitos como EU
escondem por dentro da carcaça humilde.
Vou pra cima
da dor como se fosse prazer
E dane-se!
Não
compreendi como odiar!
No mar que navego quase sempre a maré tá alta.
Pra atravessá-la, aja braçada
...E quando chego à areia
Lá está outro que conseguiu chegar primeiro.
Comeu o que me serviria de abrigo e labor.
Um amigo meu
que morreu dizia: aprende!
Quanto mais
velho fica, menos experimentado!
Isso é o que
dar
Não ter a
malícia pra viver numa sociedade de muitas facetas.
Zé Sarmento
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
É OSSO
Meus ossos de uma hora pra outra começaram a se rebelar com a
minha presença sempre exigindo deles mais esforço pra chegar em algum lugar de difícil
alcance.
Quando das minhas corridas malucas pra perder peso, teve uma hora que
empacaram, me fizeram estancar de supetão por se amolecerem por entre minhas
carnes me dizendo que não saísse do lugar.
Disseram: isso não é vida, companheiro de luta, irmão das mesmas
angústias, somos sangue do mesmo sangue, filhos do mesmo DNA, temos que entrar
num acordo, precisamos ser cuidados com mais zelo pra durar igual vai durar toda estrutura mole do seu corpo.
Noutras corridas pra chegar primeiro nas oportunidades que
apareciam, meus ossos também se fizeram amolecer, se revoltando. De uns tempos
pra cá andam me avisando: segura a onde meu irmão, o que você engole, a nós chega
também.
Meus
ossos querem me fazer retrair na corrida para se colocar pra tentar as coisas boas que
a vida tem pra dar.
Toda vez que meus ossos acham que excedo para o plantio de
algum feito que acho razoável pra me colocar
perante a sociedade, eles me deixam no chão sem poder levantar.
Quando estou ávido para chegar correndo feito um tantã em
algum lugar, muitas vezes meus ossos dizem que esqueço de que ter uma vida saudável
é melhor, pois, com o tempo, outros elementos que formam o corpo humano, que
participam dos mesmos eventos, logo estarão pedindo arrego.
Quando ocorre de se revoltar, meus ossos acabam amolecendo,
se tornando uma espécie de borracha que não quebra quando enverga, mas me
retira às forças para que o meu corpo não chegue aonde quero. Nessas ocasiões
acabo ficando puto com os meus ossos, quando me ponho a me arrastar no lugar que me encontro clamando a eles que
tornem a endurecer, foi pra isso que os milhares de séculos existiram, para formar
o ser humano como é hoje, com ossos obedientes e equilibrados.
Dizem: meu irmão, tamos agindo com você desse modo pra
segurar sua onda, sua loucura de querer estar em todo lugar se desgastando de
forma a nos deixar com menos tempo de vida. Somos tua parte mais dura como
elemento de sustentação do teu corpo, mas não somos donos da sua mente, de seus
desejos, por causa disso, usamos da artimanha e do poder que temos, que pra nós é
sabedoria, de te segurar, quando passamos a ficar mole nas tuas junções e armadura esquelética.
Se ficando mole, levando você a cair e se arrastar, não conseguimos o deixar
parado por muito, imagine se não usássemos dessa arte de amolecer. Somos ossos
sábios, entendemos com o passador do tempo que só amolecendo por dentro pra lhe fazer entender que tem hora
que as paradas às reflexões são necessárias, com isso conseguimos te parar por fora.
Acho que meus ossos têm muito ciúme das minhas correrias e
buscas e sonhos e realizações. Querem me fazer de João bobo, marionete, têm
ciúmes das noitadas franqueadas quando estou de caso amoroso com uma mulher que
eles não acham gostosa ou não vão com sua cara. Acho que meus ossos acham que quem
tem que gozar são eles. Até já se meteram com o meu pau, dizendo a ele que
fizesse e agisse como eles agem, amolecesse também nas horas que não comungasse
das mesmas idéias e desejos, nas horas das felicidades estremadas. Essas
situações na vida das pessoas são um pecado para a vida que se quer levar até
os noventa anos, dizem eles. Apesar do meu pau não ter osso, uma vez ou outra
quer acompanhar as ideais dos meus ossos. Parece um pinto sem caráter, vai pela
conversa dos outros mesmo sabendo que mais tarde pagará alto preço pelas bobagem que fez.
Tem uma coisa estranha na minha relação com os meus ossos. Parece
que eles não me querem ver feliz. Quando rio,
já sinto por dentro do corpo um comichão, são meus ossos agindo pra me
fazer retrair e se tornar mais comedido. Outro dia tava com amigos
farreando, quando na hora do desfecho do prazer inigualável, me fizeram arriar e ficar estatelado
sem poder sair do lugar. Tudo amoleceu. Meus amigos ficaram sem saber o que
fazer, foi quando tive que acalmá-los, dizendo que com os meus ossos eu me
entendia. Daí a pouco fiquei triste, foi quando voltaram a endurecer, mais daí a
farra acabou, perdi a graça e a calma, senti vontade de pegar uma furadeira,
uma serra copo, esmerilhadeira, moto
serra e cortar meus ossos em pedaços minúsculos pra nunca mais fazer feio
quando das alegrias.
Como grande parte dos elementos do meu corpo também é
mole, e ser meus ossos que formam a minha estrutura firme feito rocha, nessas
horas fico sem ter como me movimentar. Acabo me comedindo pra que eles acabem
com a greve que fazem pra com a minha pessoa.
Acho que meus ossos têm muita inveja de mim. Por que sou uma
pessoa solta, sem vínculo psicótico com nada, sem apego, livre, leve e solto no
pasto feito um potro em busca de ração
que lhe aqueça o estomago e a alma. Inveja é uma pedra que se atira na direção de
quem não se gosta, mas quem recebe não sabe de que direção partiu, isto é,
quando não se conhece quem é o invejoso, mas no caso dos meus ossos, não, eu os
conheço, afinal nascemos juntos, somos do mesmo espaço, ocupamos a mesma
estrutura, vamos no mesmo conjunto pra todo lado, não tinham porque ter inveja
de mim, já que aonde vou os levo.
Em varias situações meus ossos me deixam nervoso, é quando se
acham o sabichão, e eu o bobão, se acham o Doutor Honoris Causa da sabedoria.
Enche o saco: para de beber álcool, toma cálcio, come tal fruta com tal letra, você
quer que eu morra antes de você pra ficar por aí gandaiando pelas noites com
mulheres, poesias, se empatufando de
proteína animal, criando calo na barriga, desgastando os órgãos internos
ingerindo o que não presta como alimento. Respeita Zé! Sou teu e você é meu!
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
NOVOS TEMPOS
Minha alma burlesca,
está pronta
para mais um lance destemido:
subir no topo
da montanha e assistir as almas impuras
se matando
para se colocar diante as derrocadas de uma sociedade insana.
Começarei a
rir daquele que corre atrás de um filho da puta de um patrão
que o despediu
e o faliu: quer tirar-lhe a vida.
No alto da
montanha com o vento úmido soprando meu rosto,
vejo o
quanto as almas impuras se matam
para dar de
cara com o prazer de ter um bem que se quer
sem ter
condição de levar com ele para o túmulo.
Do alto da
montanha estarei rindo das mortes
insanas,
da luta de
uns por um pão dormido,
um pedaço de
carne no lixo.
Quem chegará
primeiro ao filé Mignone de carne humana
que frita
sobre chapa quente de um restaurante chic?
Viraram
inimigos na luta por um prato de comida e um pouco de droga.
Andam perdidos sem saber para onde ir
os que se
perderam cheirando tubos de cocaína.
Pedaços de
carnes serão rasgados com dentadas chorosas e raivosas.
Jovens nos quartos dos castelo se masturbam
assistindo um filme pornô,
cercado e guardado por seguranças de preto.
Coroas ricos
estupram meninas e meninos filhos da pobreza
por um
bocado de notas de dólares.
Seu dinheiro compra juízes e cadeias com ar
condicionado.
Sabor de horror e dor assistirei
Cagando de
rir
quando no
meu rosto de alma solta e leve
o vento parar
de soprar levando a brisa da noite para outro lugar.
Darei minha
última gargalhada ao ver os corpos se estragando
comidos
pelos corvos que saíram das almas nobres.
Do alto da
montanha, me regalo assistindo a
desordem na ordem do dia.
Milhares de
miseráveis que se deixou levar
Parando de se alimentar daquilo que a terra produz
Pra se
encheram de drogas que os sustentam a mente, não o corpo.
As almas
desses já não mais se encontram em cada um,
fugiram por
não suportar conviver ao lado de quem viu nascer
e se perder
por não suportar conviver pela ordem do
dia.
Zé Sarmento
sábado, 9 de novembro de 2013
UM VELHO SAFADO
Conto safado, um tanto escatológico, nelsonrodrigueano
Há um tempo onde tudo
termina, não é? Ah, se não é!
Animais racionais como
nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer,
resistir e sentir, massa
craniana é componente ainda sem reposição por parte da medicina.
O velho Laza, chamado
assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres,
pelos inimigos de concorrência profissional filho da puta de quinta grandeza,
foi coroa muito esperto. Ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para
qualquer situação na massa encefálica, que se não fosse pela doença, estaria
fazendo e acontecendo.
Mal que o pegou de uma
hora pra outra e o pôs sobre a cama, encontrando apenas condição de se mexer um pouco aqui, ali, por
não encontrar condição de se locomover com maior ou menor velocidade.
Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior eram acontecimentos do
passado, perdidos há pouco pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue
importante para as regiões que precisam ser visitadas.
Viveu muito o coroa Laza,
o quase morto já, o que espera a vela acessa diante a morte que não tarda
levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz
encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer ver.
De todos os fatos que
passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais marcou foram àqueles relacionados às
mulheres.
Vixe Maria! Eh mulheres
luminosas que me encantou com a formosura, com os declives e aclives do corpo e
com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia esticar
os dias sem serem por arrasto. Descortinavam com prazer as auroras, muitas
vezes eram curtos para tantos encontros de negócios e amores.
Muitas delas passaram
pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em
tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido
por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade,
mas que, por esses dias, anda desencorajado pelo escasso bombear de
sangue.
Andando pelo glorioso
passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora,
foi muito visitado por diversas delas, desde louras a morenas, de japonesas a
africanas. Gostava de experimentar todas as raças e teve com isso de conviver
com a esposa que nunca veio descobrir se era verdade ou não o que falavam
nas rodas sociais a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a
perder a firma. Achava que casamento é uma firma aberta a dois e que tinha que
durar até o fim ou até deixar de dar lucro, como decorriam bons lucros
financeiros na relação, na certa se fazia de desentendida.
Laza sente que
ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos
quais passou em convívio com as moças trepadeiras.
Viveu intensamente o
coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, menos do cérebro por
ainda encontrar nele o refugio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida
divisa com um sorriso tímido. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das
moças que conseguiu possuir até onde pode, dá satisfação, vindo a calhar de ser
endereçada as carnes dos lábios.
Nunca deixou de trabalhar
para quase todo dia ter uma mulher diferente da matriz na cama. Encontrava
muito fácil essas mulheres. Com o poder que tinha, muitas ficaram esperando
namorar-lhe, e envelheceram, assim como ele, com a esperança de um dia fazer
exercer o desejo de se deitar, se deitar não para dormir, mas para foder.
Sonhando como sonhava nas
horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava
palavras de entusiasmo para com as moças que se atiraram um dia sobre seu
corpo.
Aí meu bem, aí é bom,
como você trabalha bem, você é a melhor que eu já tive.
A mulher do momento se
entusiasmava e lhe dava o que ele mais gostava que elas fizessem.
Tempos bons que se foram
voltava tão só nas viagens que a cabeça ainda conseguia passagem gratuita para
fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos
pensamentos.
O bilhete para essas
viagens, o cartão de crédito para pagá-las, o chek-in no balcão dos últimos
dias, sempre surgia quando era levado pensar nelas sem deixar de dizer
que os muitos psicotrópicos que engoliam contribuíam para melhorá-las.
As mulheres para o coroa
sempre foi algo muito superior às outras coisas, a bens matérias. Elas sempre
exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas
mulheres que do corpo, as deusas mitológicas saem perdendo, aquelas que do
rosto Monaliza de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos
movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera
Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Kouri.
Deitado com o costado no
colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no
fundo d’alma quase vivaldina para subir pro céu ou descer pro inferno, o
benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo, os
pensamentos.
Numa dessas ocasiões,
recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas
meninas bem jovens, mas que sabe de tudo sobre os tempos de hoje, meninas que, como as amantes do incapacitado
moribundo, sabiam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas
regadas a droga e hock end roll, nas festas rave servidas a comprimidos êxtase,
complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de
ser jovem.
Saindo às outras visitas,
acharam por bem fazer um estudo mais profundo com o quase morto e começaram por
alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar
só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés,
as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer
a quem por elas passavam no serviço da satisfação ao prazer da carne, que levantavam até
defunto.
A muito, o moribundo sem
abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior
alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os
olhos vindo às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo
que pode distinguir, descobriu que podia mexer com maior intensidade as
pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto, retesou até onde pode nessa
hora.As juntas estalaram, as duas riram e se divertiram, por achar que estavam
recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas,
descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela
casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou
sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto as visitas não apareciam no quarto,
conversavam na sala em discussão para quem ia o quê depois que o velho juntasse
os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo
ao renascimento.
Mordendo joelhos,
passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado,
quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou
a ser levada as suas partes pubianas.
A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram
estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a
quem precisava? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade
assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz e a elas
fazendo-as gozar?
Talvez não fosse nem uma
coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrando
hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho
doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido
dessa forma com pessoas de mesma idade.
Usando-as de tudo que
puderam em relação a fazer com o doente aquilo que deviam ter muita experiência em fazer
com os rapazes nos banheiros da escola, no carro ou num motel, levaram-no a
reviver um passado cheio de gloria sobre as mulheres.
Só não acreditaram que o
doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, lhe caíram às
cobertas. Viram que ficou de pé repentinamente e se descobriu uma criança vindo
ao mundo.
Assustaram-se com o
membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que
estava baixando um santo, dizendo aos quatro ventos que ia morrer satisfeito
por elas terem surgido naquela hora no quarto e o levado a perseguir horizontes de um passado cheio
de glória.
Venham meninas, estou
pronto pra morrer nos braços de vocês, façam esse favor a quem desse dia não passa. Dizendo
isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como
estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para a sala as
duas, e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e
caído novamente, dessa vez sem se mexer.
No quarto encontraram o
doente ao chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de
alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada como boa química para dar vida a quem
está morrendo, quando em excesso retirar de vez.
Zé Sarmento
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
LÍTEROPALESTRA DE ZÉ SARMENTO EM CEU PARAISÓPOLIS
Arrebatador!!!! Palavra sensata para a líteropalestra no CEU Paraisópolis ontem a noite.
Nuca tinha visto tanta gente com os olhos brilhando, estudantes da EJA, do ensino fundamental, escutando este escritor falar das suas dificuldades desde criança, dos seus livros, da forma de escrever, de que leitura o salvou e pode salvar todos eles do castigo que é ser ignorante.Mais de 150 aluno para ouvir e ver o lançamento de Ângela-um jardim no vermelho e a líteropalestra.
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