sexta-feira, 5 de outubro de 2012

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

UMA CANTADA DOS INFERNOS

Vai um suflair, doutor?
Não. Obrigado!
Vai doutor, leva, é baratinho...
Não quero...
Não me diga que não tem uma moeda sobrando?
Tenho mais não é pro seu bico.
Pra gasolina?
Não!
Pagar cartão de crédito?
Não!
A conta do celular?
Não!
Aproveita. É só um real o chocolate.
Não quero!
Como é difícil tirar um real de uma pessoa.
Quer ganhar mais?
Como assim, doutor?
Entra no meu carro que te dou 100.
Pra fazer o que?
Varias coisas.
Como assim?
Topa fazer de tudo?
Tudo o que?
Tudo!
Mas tudo não diz nada.
Tou precisando de uma companhia.
Pra que, doutor?
Pra fazer umas coisas...
Que coisas?
Escute aqui, sei que você não é burra...
Não tou entendendo, doutor.
Quanto tempo você demora pra ganhar 100 pratas?
Uns 15 dias.
Não acha legal ganhar 100 em menos de duas horas?
Pra fazer o que?
Não se faça de desentendida bonitona...
Cê acha?
Depois de uma ducha no capricho.
Cê acha?
Sobre cama macia, vai valer mais de 100.
Pra fazer o que, doutor?
Eu quero sua “buceta” por 100 pilas, topa?
O doutor tá é doido!
Tou doido por você!
Eu sou virgem.
Pago dobrado!
Até tou precisando de dinheiro e de perder a virgindade. Sou motivo de gozação das amigas de escola.
Sua mãe não tá precisando de 200 contos?
Precisando tá.
Com 200 você vai ao mercado e enche a dispensa.
E o que digo pra mãe?
Que você achou o dinheiro. Você tem de tudo?
Não.
Então...
Doutor, os outros carros querem passar.
Deixa esses filhos da puta buzinar.
O doutor é doido.
Tou doido por você. Por esses seus olhos!
Vixe!
Por esses  peitos...
Isso é coisa feia, doutor.
Feio é você ficar aí nesse solão tentando ganhar 1 real.
Quem faz o que o doutor quer por dinheiro é puta.
Prostituição não é crime nem pecado. Crime é o que vc faz quase de graça. Com esse corpo, você vai viver bem melhor... e se for esperta ficar rica!
Tem um monte delas que fica rica, Dr?
Se tem...
Não tenho coragem, sou muito nova, tenho medo.
Digo pra você que não tira pedaço. Lavou tá novo!
E a alma, doutor, não fica escangalhada?
Fica se você não aceitar. Duvido que sua vida seja açucarada vendendo esses doces.
Não é doce, mas também não é amarga.
Se não é uma coisa nem outra, por que não muda pra ver se adoça um pouco mais?
Não sei...
É só entrar no carro e sua vida muda.
Como pode uma vida mudar por causa de 200 reais?
Isse é dinheiro de saída, moleca. Se você aceitar e der tudo certo, todo dia você pode ganhar até mil.
Mil, doutor?
Se for esperta até 1500.
1500?
Com esse corpo, bonita como é, e esses peitos e esses olhos, logo tá até pousando pra revista.
É verdade, doutor?
E não é...? É só contar dos seus desejos pra pessoa certa, que sou eu, que você vai voar alto.Vamo?
Não. Prefiro vender os doces.
Deixa de ser boba, entra logo. Você só vai sair ganhando.
Doutor, não me faça sonhar.
Não é proibido!
Pra pobre que nem eu, é.
Não é! É só você usar o que tem de melhor!
E o que eu tenho de melhor?
Seu corpo.Vende ele que você sai da pindaíba. Aproveita enquanto é nova!
Não sei...Posso falar com minha mãe...
Vai.
Tá bom...
Vai logo filha desalmada, entra logo naquele carro, não vê que é nossa salvação!...


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Texto publicado no portal cronopios

20/06/2007 13:05:00
A crise de valores na sociedade contemporânea




Por José Marques Sarmento

Reflexão de um cão vira-lata, preso na jaula dos cachorros finos


Refletindo cá comigo, no meu canto de ser só meu, bom tempo meu que ninguém mete a mão, tempo de escritor, diria, porque sem esse tempo que é só nosso não há criação.
 
Nele sou mais eu cá com minhas dúvidas, minhas angústias, minhas alegrias. Quem tiver tempo de sobra que divida com que tem tempo sobrando. No tempo que é meu, eu me acho como a água encontra o mar. Uma vez ou outra a água do tempo meu, de estar em sobras múltiplas comigo mesmo, pode ser revolta, mas me seguro e peço que não passe a quem tem tempo livre também, a ira dos endemoninhados, dos que não sabem viver entubados na UTI dos valores contemporâneos.
Digo isso, mesmo sem conhecer direito o aparato das personalidades da maior parte dos cidadãos (não sou psicólogo) que, a mim parecem, e só a mim parecem, ter a “persona” de uma espécie de Macunaíma, desencardidos uns, encardidos outros, que tiveram a possibilidade de se branquear por meio dos conhecimentos de causas e efeitos e, que, amparados nas leis vigentes, se acham os mais enfeitados da pintura descolorada da delinqüência para se amparar sobre os pilares que sustenta a laje movediça da crise de valores.

Ora, tempo livre meu, me leva às letras, a aglutinação irreverente delas, para definir as frases, os períodos longos, dando-me uma forma de expressão, sem judiar a retórica contemporânea, mas descer a borduna nos nefastos que acham que os valores se esfriaram, e para os alimentar por esse tempo, o fizeram ir parar nos fornos aquecidos a mil graus de calor e se derreteram.

(Resolvi escrever sobre o tema levando o leitor a refletir também. ?E não é pra isso que serve a escrita, desde aquela vindo das cabeças mais acentuadas no dístico que as distingue como pedra preciosa de lava bem formada, à aquela que encena como representante também de um segmento social menos sedento de sabedoria e que se formou da pedra bruta como eu?)

Pois bem, os valores não estão mais em crise de ser ou não ser, pelo visto. Os valores já se entrincheiraram na desordem, por escutar que, o jeito e a ordem são se dar bem, não importando os meios pelos quais querem levar vantagem. Em crise e, achando que tudo pode, acharam um meio de se enfeitar para redigir o panorama atual do povo brasileiro, desde aquele mais simples cidadão vestido de comum andando pelas ruas fazendo negócios escusos, a aqueles que se fardaram num passado para receber o diploma universitário.

O saco de forte fibra de sisal ou algodão que antes levava a disposição da multiplicação dos pães para a excentricidade do caráter nacional, não mais distribui  caráter único, não, duplicado por mil  e ensacado por sacola de plástico barato se encontra desde muito, aja visto que todos estão mergulhados na defesa da honra e da hora exata de se dar bem, à saber bem mais, em vista dos escândalos que se renova a cada dia mostrados pela mídia que os desensaca,  deixando a olhos nus, e distribui gratuitamente a quem quiser se informar dos valores em crise.

Foi-se o tempo, em hora tão adiantada nas informações, do homem se deixar minimizar pelo largo corredor do pregresso e não querer vivê-lo de forma intensa, possuindo aquilo que a indústria o põe às vistas e o cega de informação para tocar no produto e dizer: é ele que eu quero, é dele que preciso (mesmo sem precisar). Quero só pela forma de dizer que consegui, nem que seja por vias ilegais, mas eu preciso. Quero ser dono da usura, imperador da fortaleza que me cerca, quero ser o capanga que resguarda a suntuosa indústria psíquica interna que acho que devo possuir.

Assim não há quem queira caminhar pelas vias legais até o altar da cidadania plena, desde os bem informados, aos maus. Pelo menos um deslize, se não deu até agora, vai chegar a dar o cidadão de hoje para se compor da sabedoria e do poder de conseguir regurgitar pelos cantos da boca a baba da avareza.

São valores impetuosos perseguidos pelos colarinhos brancos/azul/anil, dizendo que ama o Brasil, mas que vão se divertir fora levando os malotes captados das repartições públicas. Numerários vastos adquiridos a vista de grossa e engenhosa corrupção.

Assim acontecendo, há o ensinamento para quem já aprendeu na graduação, chegando a fazer a pós, há o ensinamento a quem quer aprender fazendo o curso superior, há o ensinamento a quem não nasceu para aprender em poucos dias, por só ter feito o ensino médio, e haverá o ensinamento  a quem não vai aprender nunca, por ter ido só até o ensino fundamental então, por essa razão, se masturbam de subserviência suficiente para tentar mamar na teta daquele que se fez como homem dono do alheio. Esse é um dos piores na crise, porque se deixa levar por pouca prerrogativa e assistencialismo.

Todos, ou quase, estão e estarão à disposição de mudança de caráter e com as mãos coçando para se enturmar com quem tem o poder de demanda de fazer-lhe um cliente do desmando. (Sem esse aprendizado passado pelo mau-caratismo brasileiro, não há solução para o enriquecimento, para os louros da vitória e a participação na renda do tesouro nacional).

Visão caótica, sei que é essa, de ceticismo a dar com pau no cangote de um mal-feitor, mas não posso fugir para nenhum lugar do cantinho da mente sem que veja no cidadão atual, a acidez da crise cruel de ser ou não ser, vou ou não vou. Escuto a conversa no repouso que requer o meu ouvido, por todos os cantos imagino que seja essa a conversa, infelizmente da maioria. Vamos, cara, entrar nessa, tem tanta gente se dando bem. Vamo que vai dar certo. ...E se formos pegos? Esquece, com o que conseguirmos, compramos nossa liberdade, o nosso repousa estará garantido pelos seqüentes anos, e outra... nunca mais nos acharão sem estarmos com os cálculos da fuga engendrada. No máximo, por aqui, vamos puxar um mês, dois. Parece que não conhece o judiciário do nosso país, as delegacias distritais, a polícia. Parece que não conhece o homem atual, estudado, alfabetizado, formado em letras, em medicina, engenharia, administração, parece que não conhece o pedreiro, o padeiro, a parteira, todos precisam do papel que faz vislumbrar a quem estar vivo sonhar. Por dinheiro é tudo e nada mais!

Espero que me entendam, quem anda alegre ou entristecido com a crise de valores. Primeiro, nesse cara, tem que ir pondo com vaselina, mais a frente com cuspe, manteiga é muito cara, depois um cuspezinho não vai mal, cuspe é de graça, quase no final, será  apresentado a pasta ”nada”, isto é, temos que lhe por à cru, e no ”The End”, irá ser  recebido com um punhado de areia.

Cuidado cidadão moderno que quer se elevar de sabedoria para passar a perna naqueles coitados que vendem confete por aí em meio à folia de carnaval fora de hora para sobreviver, você merece ser “tarado” com despudor.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

Texto publicado no portal cronópios.

03/06/2007 16:20:00
Uma visão periférica



Por José Marques Sarmento


Não é de fácil engolir, por ser de gosto azedo, o mundo contemporâneo para um morador de lugar como o nosso, de muitas favelas e comunidades, que vivem sentadas sobre a égide e a formosura do desfilar de tantas informações e muitas vezes não poder abraçar, como abraçaria se pudesse possuir o que vem da produção, pela pobreza que o cerca não dá margem que deixe se ver como um participante do progresso no entorno.

São tantas as possibilidades no contemporâneo, que muitas das vezes, devido a impossibilidade de possuir o que lhe rodeia, deixa o sujeito desorientado, valendo-se para tanto de alguns invólucros para cobrir a máscara que faz se transformar num delinqüente. Salvada essa posição mais para os jovens que muitas vezes, quando vem de pobreza absoluta, anda procurando de se encontrar, por esse motivo, ser presa fácil dos marginais mais experientes que atuam no crime por onde moram.
Para se inserir nesse tenso contexto que é viver no hoje, e por vários e tais motivos, muitas vezes, até tendo a possibilidade de outros caminhos varrerem com o vassourão do bem, (sem aqui querer exumar a figura do Jânio Quadros e desejando que ele não esteja em nenhum cargo executivo por onde estiver sua alma), o jovem se deixa levar pelas facilidades, pois, para esse termo, quero dizer que é entrar para praticar delitos, convergindo ao ganho que lhe deixa na marca da cal para chutar a bola mais próxima possível do ângulo onde estão os noventa graus da meta, no entanto, muitas vezes antes de chutá-la, é derrubado por um concorrente de mesma índole que se pôs a frente para frear sua busca, o derrotando nas trocas de tiro, por brigas confrontantes nos negócios escusos. Quem já não ouviu dizer por aí, nas estatísticas do crime pela periferia, que as mortes acontecem mais para os jovens. Este é um dos caminhos para conseguir depressa os bens de produção, ir de encontro à criminalidade, por se desleixar na freqüência das aulas, mais tarde abandonar de vez os estudos, por ver que o filho do vizinho já conseguiu o que a produção de bens lhe joga na cara, sem ter freqüentado a escola, como freqüenta a classe de moradores que tece como a aranha, de riqueza, o  entorno do cinturão de pobreza aonde mora.
Os jovens que são criados sem a atenção portentosa dos pais, são presas fáceis por terem as ruas como meio de estar o dia inteiro, pelas suas moradias não caber desde si mesmo de corpo presente, aos sonhos que são dezenas. São levados a se jogarem por cima dos “bodes” as motos montadas com peças de “robauto”, os desmanches e serem levados a praticar os primeiros delitos.
As escolas públicas da periferia estão perdendo muitos jovens para as aventuras das motos, que são compradas com prestações a perder de vistas, levando muitos também a lotar os hospitais quebrados.
       Saída justa para aplauso para aqueles que não encontrou na índole caminho para ir de encontro do jovem que já se encontrou no crime em geral, e quando eu falo em geral, é porque o crime tem diversas facetas. Para as autoridades policiais, é duro hoje em dia chegar primeiro a um delito, pela criativa inclusão de novas modalidades de crimes pelos que vivem de praticá-lo. Uma das soluções para se resolver no que fazer para os que conseguem varar a facilidade  com que apresenta os convites para as “correrias”, é comprar a moto, entrar no subemprego, viver de bico esporádico, ou se for um otimista, e ter vindo de família geralmente com os pés no chão, respeitadora da ordem pública e religiosa, sentar-se num banco de escola de algum curso profissionalizante ou alfabetizante, depois sair atrás de colocação. Situação muito dura para quem mora numa favela, por não ter as favas do destino lhe dando oportunidade de ter nascido em melhor ambiente. È um descriminado até mesmo antes de passar o endereço quem mora por aqui. É o que tem em executar como profissão um cidadão como este, porque para estudo mais adiantado não serviu ou não deram chance até os dias de hoje, pelo ensino público ser de pouca qualidade e, os cursos superiores das universidades públicas, serem dirigidos a quem teve a oportunidade de estudar em boa escola até o ensino médio.
       Numa região como o Jardim Ângela, de quase 300 mil moradores, as estatísticas mostram que pouco mais de 1.400 moradores chegaram ao curso superior.
Digo isto com conhecimento de causa. Estas são algumas maneiras de alguém criado por aqui viver nos tempos de hoje, se jogar no colo das avenidas e virar “cachorro louco”, mas sem receber afago, aja visto que o transito não é mãe para estender a mão e acariciá-lo com a ternura e os cuidados que um jovem como os nossos merecem. São caminhos bastante perseguidos que encontram para ganhar a vida o morador de uma favela, as motos, quando não cai na bobagem de virar marginal antes da maioridade.
A maioria dos moradores da periferia e, esta observação deve servir mais para quem mora numa favela porque, é bom que esclareça, a periferia não é por inteira uma favela como muitos pensam, ela tem sua classe média que participa razoavelmente da renda nacional, ela tem suas formas de engenhosidade que copia muito bem os bairros mais nobres, como os jovens daqui chamam, das elites. Tá certo que tudo isso é muito ligado pelas construções que nasceram sem a preocupação em deixar circular o olhar de uma bela visão, daquelas que a tela encanta a alma e vislumbra pormenores de alegria no semblante.
Para os moradores de comunidades faveladas, a participação no hoje, é mais em bens móveis, razão de ser que uma casa por mais simples que seja, tem que ter no mínimo um fogão a gás, geladeira, televisão e tantos outros objetos que fazem que o tempo atual se chame de contemporâneo e que as lojas populares venda cada dia mais. É claro que falta para o morador de setor assim, muito que sobra para a burguesia, pois lhes falta boa alimentação, daquela que todo tipo de nutrientes possua, falta-lhes uma saída para algum evento cultural, posto que a diversão concentra-se mais no interior das casas ou nas ruas onde residem e não nas saídas para diversão externa. O dinheiro é curto e talvez a visão de mundo moderno deles também.
Cultura, daquela do tipo freqüentada pelos “bacana”, basicamente não existe.Tirando ouvir músicas nos ritmos populares do momento, ou para alguns grupos que freqüentam o som do Hip Hop, que é um som produzido por aqueles jovens que enxergam maior distorção social na emblemática orbe da economia brasileira, bem mais por onde vivem, por ser, como dizem os entendedores, uma das mais perversas. Som a todo volume, muitas vezes ligados ao mesmo tempo, não dá a nem um nem outro, vindos do interior das casas ou dos carros que cada dia ganha mais potência, que parece uma discoteca ambulante, entendimento do que está tocando. Uma série de fatores faz que não sejam participantes diretos do desenvolvimento.
Essa gente sabe viver o momento em que vivemos. Por mais triste que esteja o tempo intrigando de como resolver as pendengas, alguma diversão não perde a oportunidade de se colocar em qualquer lugar que estejam até mesmo nas mortes. Não fosse assim não tinham comentários a fazer tão logo de alguém ser ferido, tão logo soar os ribombos de diversos calibres de armas nas trocas de tiros com a polícia ou com outras gangues. Não têm tempo ruim para a gente da periferia, mesmo possuindo o mínimo para se superpor à miséria, muitas vezes só os sonhos no semblante que resplandece em algum instante, também preocupação. Se mãe, a preocupação que mais faz aproximar do cotidiano dos filhos que ainda não voltaram das longas noites dos fins de semana, é o desfecho concreto da violência. Se pai, porque me parece que os sentimentos do pai para com os filhos ser diferentes do da mãe, que o filho tenha o cuidado de não entrar para fazer alguma bobagem junto à folia daqueles que não conhecem direito. Pois é a preocupação maior dos tempos modernos pela periferia, eu falo daquelas famílias que realmente se preocupam com os que botaram no mundo, é com a que desfalca muito as famílias, a violência. Para os meninos que realmente são criado nas ruas,  por não ter alguém que se preocupe, e nesses casos, a soma chega a um número razoável deles, são estes que mais querem a facilidade do envolvimento das drogas para traficar, para o consumo, para os assaltos  a caminhões de cargas, as investidas para entrada nos bancos ou nas mansões ou em prédios, por não ter tido a guarda quando criança de quem o fez nascer para viver em tão dura realidade.
Nunca nasceu tanta criança pela periferia, nunca se produziu tanta criança que não vai chegar ao momento de comemorar a passagem dos 20 anos, as cadeias não cabem mais tantos jovens que se perderam para as facilidades de ter depressa um carro usado, uma moto para sair às correrias, tênis e roupa de marca, as camisas dos times que torcem, pelos becos apertados das favelas posicionar as meninas para a entrega no mais novo dos seus dias. Novinhas ainda, parindo crianças que no futuro serão cuidadas por criança, porque foram duas que fizeram, isto se os pais não se mostrarem de bem com a filha para tocar mais um que veio sem a auspiciosa busca. Os bebês da periferia não nascem parecidos com as de quem tenta ter um filho bastante programado. Os filhos daqui não se programam, vêm à baila por existir muita energia nos jovens que se cruzam, com o mínimo de roupa, uns pelos outros, com olhadelas plenas de desejos, pelas janelas de barracos parede e meia, muitas vezes por se acharem muito tempo do dia a sós, sem a responsabilidade de sair para algum serviço profissional.