sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

ENCARNIÇADOS


 

ENCARNIÇADOS - A POÉTICA DO CAOS

CONTO. NUM TOU NEM AÍ! Rsss

Coroas ex-black Bloc com idade entre 60/70 se reúnem pra beber, ouvir poesia e ironizar o país que nunca deu certo para classe social da base.

ENCARNIÇADOS.
Parei quase na metade. Tá em banho-maria. Um outro entrou na linha de produção. VAZANTE-LÁ E CÁ. e agora um outro entro na pauta pro ano que vem com PROAC - O ALUNO VIAJÃO E A PROFESSORA ENSINÃO- Ah, esses ex-eletristas do audiovisual que vira escritor!!! É ELÉTRICO!!!
Encarniçados é sobre o movimento de 2013. Quebradeira. Fogo na Babilônia. A conversa gira em torno de um País injusto e precário pra nossa gente pobre. Fácil escrever sobre a realidade em que se vive. NÉ NÂO, JÂO?!

Revivem momentos sobre suas atuações no movimento que assustou o país por motivo da violência praticada nas ruas de São Paulo. Eram jovens, sonhavam com uma sociedade mais justa. Molotov na mão, cara coberta por pano barato, pavio acesso, lá está o fogaréu destruindo os Donalds, as Drogsis, os maderon...Né, Emerson Alcalde... 
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Emerson Alcalde
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domingo, 10 de janeiro de 2021

AQUI TEM HISTÓRIA - PRIMEIRA VEZ

Fui criado escutando no pé do ouvido por demais a palavra raparigaOs homens sertanejos enchiam a boca pra dizer. RA-PA-RI-GA!!! Escutava o esculacho a moça que acabara de abrir as pernas pra algum homem, e quando este não aceitava casar de modo voluntário ou no delegado, (geralmente por ser o moço de família mais respeitada, com um gadinho no cercado, porcos no chiqueiro, galinhas no poleiro, a moça, ao contrário, muito humilde e faminta por um bom casamento), logo recebia a pecha de mulher mundana, da vida, rapariga. Vou te levar pro mato, já! Vamo! Não! Vamo!!

Outros rapazes depressa começavam dá em cima dela. Na casa de algumas dessas famílias de moças pobre mexidas, era isso mesmo, ME-XI-DAS, sobrava para ela ser escorraçada de casa pelo pai austero e muito macho, apegado a moral e bons costumes da época, noutras famílias, a casa caia para o rapaz deflorador de moça donzela, por alguns membros acharem que a moça precisava ser vingada, oh! era uma desgraceira da muléstia, quando forças parentais se juntavam pra fazer justiça com as próprias mãos enfiadas nos alforjes puxando armas municiadas que cospe chumbo ou facas afiadas e apontadas para o fim de entrar numa barriga. Muitas mortes dos dois lados. Quando completei 16/17 anos, meus colegas de minha geração de farra, de futebol, de escola, de cachaçada, cobravam muito desse cabra, frequentar pela primeira vez o puteiro da cidade de Sousa.  Era o cabaré pra onde ia a maioria das moças que perdiam o cabaço, assim falava a rapaziada. 

Zona frequentada por rapazes e homens de meia idade, fogosos em levar pra cama, o máximo de mulher que conseguisse pra trocar o óleo. Todos gabolas contando pros mais jovens como aconteciam os encontros regados a cachaça e música brega. Aos 18 anos fui encarar a mulher da vida fácil difícil pela primeira vez numa cama fétida num quartinho infestado de sujeira, barata, rato, escorpião. Tinha experiência pra não mexer com moça da vila com quem trocava beijos e amassos, dois dos meus irmãos mais velhos se foderam depois de foder suas namoradas e tiveram que pagar por isso no delegado. Um puxou cadeia por um tempo, o outro se casou na marra. Pra mim a foda no puteiro foi cara, não um barato, paguei com um dia de salario de boia-fria, graninha ganhada com sacrifício, por trabalhar nos campos colhendo e limpando mato, e uma gonorreia curada com injeção de penicilina. Depois dessa foda, migrei pra Sum Paulo e do mesmo modo que fui cobrado pra ir pela primeira vez transar com uma mulher sertaneja no cabaré da cidade de Sousa, aqui também aconteceu de colegas de firma cobrarem pra eu ir no 69, nos treme-treme das ruas Aurora, Vitória, boca do lixo. Um lixo? Fui e foi uma merda! Hoje em dia tanto no sertão quanto nas pequenas e grandes cidades não tem mais esse dispositivo de a família ficar indignada pelas moças irem de encontro ao amor. Tá tudo liberado, e viva a felicidade sem os recalques do passado. Se o amor é lindo, as paixões são avassaladoras. Portanto, pra esse cabra, para o sexo, é melhor está apaixonado do que amando.

 

domingo, 20 de setembro de 2020

AQUI TEM HISTÓRIA - APRENDIZADO


 AQUI TEM HISTÓRIA - APRENDIZADO

Nos anos 60/70, nos sertões deste país continental, não existiam tanta facilidade para uma criança pobre começar seus estudos.
No sertão nordestino as escolas eram poucas, as vagas eram direcionadas para certas famílias que tinham bons relacionamentos com a administração pública e tinha a educação como meta para o crescimento profissional, intelectual.
Meu letramento foi muito difícil. Por questões como essa e muitas outras...Assumo!
Era um aluno, também, disperso e brincalhão nas abstrações da cognição.
Frequentava a escola mais no intuito de me divertir, brincar com colegas e comer a merenda da máquina apelidada de vaca leiteira da ditadura militar.
Uma espécie de mingau produzido com leite em pó...Sabe.
Minha casa tinha pouca comida para 10 bocas entre adultos e crianças!
Não me segurava a atenção as professoras falando e escrevendo traços estranhos na lousa. Queria ver movimento de gente e o vento atiçando os galhos das árvores do meu pedaço idílico de chão de vazantes irrigadas, jogar bola, nadar nos canais de irrigação, pular da galeria do açude e sair pinotando com um monte de menino nas estripulias.
Por isso da demora para aprender a ler. Haja brincadeiras! As cartilhas de ABC, e outras, que serviam para o ensino aprendizado das crianças, não me seguravam de olho grudado nas suas páginas.
(Não tinham ilustrações nem fotos coloridas de paisagens e de cidades).
A ficha caiu quando me senti com dor de cotovelo...Veja...INVEJOSO!
Via colegas de escola e de outras gerações com alguns livros de bolso, gibis e revistas de fotonovelas nas mãos circulando contando as histórias vividas nelas.
Queria ler também. Oxe! Nessa época já conseguia juntar um A com CRÁ, mas era uma leitura soletrada.
Para ler de fato, tive que mudar de escola e de atitude em relação ao meu comportamento e aprendizado.
Pra isso cheguei em mãinha.
Pedi que arrumasse dindin do parco salário do meu pai.
Matricular-me na escola da professora Dona Maria das Neves, era meu desejo.
Ela me arrumou. Pra matrícula estava garantido.
Aquele ano fora de bom inverno. Sacos de mantimentos de roça como milho, arroz e feijão, mais tarde algodão, estavam num canto da sala da casa de taipa. Alimentos que me puxaram pro roçado para cuidar e colher junto com outros irmão e o meu pai.
Para pagar as mensalidades futuras tive que ir trabalhar de boia-fria nos campos irrigados. Este trampo duraria quatro anos até pegar rumo com um irmão que já morava em Sum Paulo e lá foi passear num fim de ano. Apareceu com roupa social leve, sapato brilhante, cinto de couto de fivelona, relógio Seiko no pulso. Isto me entusiasmou de querer vir simbora com ele.
Dona Maria das Neves era professora severa. Usava palmatória. Como era interessado em aprender a ler corrido, não cheguei a causar e tomar pancadas na mão aberta. Tinha um método de ensino super proveitoso, um tanto freiriano. Tiro e queda!
Juntou o pouco que eu já sabia adquirido na escola pública da vila, com o seu método de ensino, então logo consegui desenvolver meu aprendizado sobre números, português e leitura pra passar no famigerado exame de admissão pra fazer a quinta série.
Lendo com facilidade, me enfiei na leitura de tudo que aparecia na pequena vila, meus colegas ficaram para trás. A leitura começou me atrasar para todo tipo de diversão, até para jogar bola.
Era uma fuga muito gostosa, entrar na vida daqueles personagens e fugir da realidade mesquinha que me cercava as paredes da casa de taipa.
Livros, revistas de fotonovelas, gibis (quase nada) depois que aprendi a ler, começaram estragar minha vista e alimentar meu cérebro de saberes diversos.
Todo esse material emprestado de outras pessoas.
Na minha casa, muito pobre, não havia nada relacionado à leitura. Meus pais eram analfabetos. Com o diploma da oitava série concluído, peguei estrada pra grande cidade num busão fedendo a cocô e e mijo. Em 48 horas de viagem descemos na rodoviária Julio Prestes. Senti prazer com tanto acrílico colorido que a embelezava, porém, muito desprazer ao entrar num trem às cinco da tarde e ir parar no cu do mundo da periferia paulistana de Santo André.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O FUTEBOL E SUAS FACES QUE NEM FREUD EXPLICA.


 

O FUTEBOL E SUAS FACES QUE NEM FREUD EXPLICA.

Por mais que se tenha amizade respeitosa e aprofundada por alguém na vida social, profissional e familiar, dentro das quatro linhas de jogo de futebol ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, possuindo desde o ventre enorme vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir jogando o mais amado esporte do mundo.

Ideia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre há mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, filme que aborda a diversidade racial, exibido na TV cultura no dia 09/05/08, e passar nas imagens e na relação que tinham os envolvidos, que nunca fugiu a regra ser isso mesmo que ocorre, por mais que seja insignificante em prêmios e comendas para as partes em disputa.

A bola, no caso dessas partidas disputadas em terrão pela periferia, passa a ser insignificância vindo à baila, na relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque, a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se darem bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.

Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores, amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se, e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosas das disputas.

Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com  pseudopoder junto aos da mesma espécie?

Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado, nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgios oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder  a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.

Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.

Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário, põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que suporta física psicológico.

Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Na chuvarada, Deus nos livre! Não o admire se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, e passa ser do tipo tentar levar vantagem em tudo.

Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderiam ser resolvidos por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.

No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, pelo débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama futebol, assim como eu, mas que tenta analisar em quem voltar, para o bem de quem precisa de um Estado grande presente pra população que mais precisa.

sábado, 12 de setembro de 2020

ACREDITEI QUE NOSSO PAÍS TINHA JEITO. ERA SÓ PRENDER O LULA – BESTA!


 Decretada a prisão do maior líder da esquerda brasileira, nossa elite econômica, e muita gente de todas as classes, não vão mais precisar corromper ninguém pra fazer seus negócios e tocar o país para o desenvolvimento sustentável com garantia de crescimento econômico para todos trabalhadores. ACABOU A CORRUPÇÃO! A MAMATA! Nos eventos de grandes shows o brasileiro não precisará mais pagar propina para os flanelinhas, as compras não serão mais de produtos piratas, produtos que chegam e entram pelo porto de Santos em centenas de containers, sem pagar impostos devidos, pra isso se corrompe agentes, produtos que são distribuídos nas lojas populares e finas dos shoppings centers das grandes cidades, roupas e bolsas confeccionadas no Vietnã, na China, por escravos modernos que, quando chegam aqui, só têm o trabalho de trocarem a etiqueta desconhecida, por uma de marca. Os negócios com os órgãos do governo federal, estadual e municipal não serão mais sacramentados só se pagar propina, serão negociados às claras, para a realização de grandes construções da nossa tão precária infraestruturara, os leilões dos editais serão implementados com fiscalização de toda sociedade. UM DIA ACREDITEI QUE NOSSO PÁIS TEM JEITO, ERA SÓ PRENDER O LULA. Nas artes, nas grandes encenações de musicais, na captação de verbas para grandes produções de filmes, não mais se precisará corromper funcionários comissionados do ministério da cultura, para as escolas, a compra de material escolar e merenda também serão isentas de 10% de propina. Tudo correrá dentro da lei e da ordem, inclusive podem acabar com os tribunais de contas das três esferas de governo, o país não precisa mais deles pra fiscalizar negócios realizados pelos políticos e empresários. Viva um país poético, ético com gente pronta para dar exemplo ao mundo de honestidade, pois quê, felicidade aqui sobra pra dar e vender ao mundo.É só prender o Lula, Tchau corrupção!

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domingo, 6 de setembro de 2020

AQUI TEM HISTÓRIA-MAIS UMA DO CINEMA E EU


 

AQUI TEM HISTÓRIA-MAIS UMA DO CINEMA E EU

Cavoucando aqui minhas memórias, andava por volta de doze primaveras quando descobri a projeção de filmes. Antes desse dia, sabia que existia cinema, mas o acesso veio por essa idade ao assistir a primeira fita no cineminha local da minha vila operária do DNOCS. Antes tarde do que nunca.

Foi uma descoberta que me impactou juntando fantasia e realidade no mesmo caldeirão da minha região do sertão que fervia em abundante falta de diversidade cultural.

Não fui daqueles que se escondiam atrás das cadeiras nas trocas de tiro entre mocinhos e bandidos dos chamados filmes de faroestes. Eram os mais projetados nos fins de semana na vila das minhas vivências de menino solto como potro nos pastos e campos irrigados do distrito de São Gonçalo, Sousa, PB.

Os exibidores surgiam nos fins de semana com um novo filme. A fita era exibida às sextas-feiras e sábados. Dependendo do sucesso do filme, no domingo também havia projeção.

Uma vez ou outra ele trazia na sua bagagem rolos de filme diferente na sua estética e cenários, do tipo, filmes musicais com Grande Otelo e Oscarito e alguns estrangeiros. Era raro, evidente, por oferecer menos fantasia ao cérebro da assistência que gostava dos filmes com os quais mais se identificavam. Muitos dos conterrâneos adultos andavam armados de revólver e peixeira no meu sertão dos anos 1970, e esse presente dos arquétipos presentes nas fitas, colava a assistência direto dentro delas e no caráter dos personagens.

Os Filmes que não podiam faltar eram aqueles cujas narrativas giravam em torno da religiosidade da semana santa. A Paixão de Cristo levava muita gente a chorar com o sofrimento do magrelo pregador pregado na cruz todo vermelhado de sangue. Outro filme que impactava a plateia era Coração de Luto, história de Teixeirinha. Acometia de as pessoas mais emotivas jorrarem lágrimas e umedecer o rosto em fervura. Os do cangaço me elevava de medo, por achar que ainda existia homens como aqueles pelo sertão perto da minha humilde moradia de taipa. Malvados e assassinos. Até hoje carrego imagem de um filme de cangaceiro (escutava muita história de cangaceiro contada pelo velho Antônio Aurélio, meu pai, foi cabra que andou pelo cangaço pra defender coronéis da terra e a cidade de Sousa da invasão do bando de lampião em conluio com o de Chico Pereira da cidade de Nazarezinho).

Alguns filmes eram acompanhados de episódios das séries Zorro, Superman, Tarzan. O preto branco predominava. Os gêneros mais projetados e que faziam sucesso junto aos moradores, eram os espaguetes, em que os personagens Sartana, Django, Trinity, Sabata saiam vencedores depois de sofrer barbárie de inimigos mexicanos. Os de espadachim nem se fala sobre o entusiasmo da plateia com as aventuras de conquistas e derrotas em busca do amor de uma donzela ou da riqueza do ouro.

O entusiasmo e as conversas com esses filmes se prolongavam, de maneira a levar jovens de, NO TEMPO D’EU MENINO, juntar gangues para lutar uma contra a outra pelas áreas do campo de futebol. Mãos à obra dos jovens na fabricação de revólveres de madeira, e espadas feita com pau de tâmara ou coqueiro.

Nalgumas vezes eu ficava muito jururu ao saber que o filme do fim de semana era um dos porretas em ação e alumbramento, pelos comentários ouvidos dos parças, porém essa tristeza surgia pelo fato de estar sem grana para comprar ingresso. Tentava dá meus pulos pra fazer algum serviço para algum adulto e ele me arrumar o valor da entrada.

Num dado fim de semana estava sem dinheiro e sem ninguém para me arrumar um bico para limpar mato, roçar algum terreno, colher nos roçados, limpar a piscina pública, foi quando eu e um colega de apelido Tonho das Bilas, (ele era bom em jogo de bila) passando na frente do cinema vimos a porta dos fundos aberta. Nesse momento alguém responsável limpava as cadeiras e o piso de cimento distraidamente.

Não tivemos dúvidas. O filme era daqueles em ação. Muito chumbo trocado entre bandidos e o mocinho. Entramos e sentamos nas vigas de madeira atrás da tela. Era um espaço desconfortável e infestado de poeira e teia de aranha. Quando entramos ainda era hora mágica na vila sertaneja.

Os trabalhadores do eito já estavam em suas casas, com certeza um prato de comida à mesa os alimentava depois de um dia puxado na lida nos campos, outros em seus afazeres como funcionários da burocracia do DNOCS. Ficamos ali muito quietos, EU e o TONHO. Esperamos a projeção por mais de uma hora. Quando enfim começa o barulho do projetor jorrar fios de luz com imagens em movimento no écram de tecido branco. Emoção a milhão no menino amante do cinema.

Essa minha passagem do amor pelo cinema, pelas imagens em movimento contando histórias ficcionais, reais, surreais, musicais, de aventura e sofrimento, me levavam fazer essas loucuras. Inclusive voltar para casa afastada do centro da vila sozinho pelas estradas e veredas sertanejas, muitas vezes sem a lua como companheira jorrando opaca luz nos campos, e com muito medo das almas penadas saindo de cruzes no percurso do caminho embaixo da chamada hoje, alameda das tamarineiras.

Saudades desse tempo do tempo d'eu menino.