Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Líteropalestra de Zé Sarmento I - Arrastão Campo Limpo
Mais de 100 jovens com disposição pra mudar a cara do Brasil, começando com palestras de um escritor no pé do ouvido, deles.
Manhã fria esquentada pela palavra de incentivo a leitura, livro, biblioteca, estudo, conhecimento. Jovens entre 15 e 18 anos da perifa da zona sul, Campo Limpo. Fazem cursos profissionalizantes. Estudam num período em escolas públicas normais, noutro período do dia, enfrentam professores que os prepara para o mercado. Que maravilha. Todo estudante de escola publica precisa de um escritor no pé do ouvido. Zé Sarmento.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
OPRESSOR
OLHO ABERTO NO OPRESSOR
O opressor de hoje tem o mesmo instinto assassino de antigamente.
Não se contenta só em passar por cima do nosso corpo com fuzilaria pesada.
Ele quer também esmagar o corpo da nossa áurea psicológica.
O opressor que nos esmagar na caminhada.
Extrair nossos ganhos sociais da carne e deixá-la pele.
Quer nos deixar com ossos chacoalhando.
Nos botar perdidos numa noite de zumbis pela cidade.
O opressor tem medo de perder parte de seus ganhos.
Investir num novo iate explorando nosso suor derramado às traças.
Faz parte do seu projeto.
Investir numa mansão em Beverly hills, Manhathan,
Foder e cheirar numa praia paradisíaca da costa do pacifico.
É isso que completa o pensamento do nosso opressor.
O opressor quer nos
operar arrancando o nosso fígado.
Quer ir fundo ao nosso coração. Esmagá-lo.
Quer chegar o opressor no mais fundo do nosso cérebro.
Emburrar os nossos neurônios, os nossos sonhos.
O opressor é radical, violento, é muito rico, poderoso.
Possui muito no seu
nome do capital mundial.
Não vamos nos curvar a ele, oferecer o rabo a ele.
Quanto mais o opressor nos ver rindo, nos odeia.
Quanto mais o opressor nos ver discutindo com sabedoria.
Às causas que só ele sabia.
Mais nos odeia.
Fazer o opressor morrer de inveja cercado na sua mansão.
É a missão.
A nossa liberdade não tem preço.
À vezes pela violência se conquista.
Porém, vamos usar também de palavras sabias pra calar sua ira.
O opressor de
direita, conservador, fascista.
Vai morrer
muito infeliz.
Nos vendo muito
felizes sobrevivendo apenas com o necessário.
Cantando nosso
refrão popular.
Bebendo muita cerveja nos carnavais pelos morros e cidade.
Vejo nosso algoz
no hospital gastando a rodo.
O que conseguiu
juntar com a nossa exploração.
Indiferença e desprezo ao
opressor!
Antes que ele
nos esmague com o seu rolo compressor.
ProSia de Zé Sarmento
quinta-feira, 28 de maio de 2015
ONDE ANDA MINHA TRIBO?
Cadê a minha gente?
Cadê a minha descendência?
Por onde anda meu DNA?
Por gentileza, apresente a minha tribo.
Preciso me enturmar, tomar um banho de
relacionamento.
Convencer-me que sou capaz de manter uma amizade
prolongada.
Quem sou EU, afinal? A quem pertenço?Tenho algum
parente?
Preciso encontrar a minha tribo.
Ando só cavando minha estrada.
A minha tribo foi esfacelada.
Foi queimada pelo calor da explosão da mente de um
senhor de engenho?
Desapareceu porque se meteu em luta contra a
arrogância do poder?
Foi numa noite de trevas que a minha gente se foi?
Foi num dia de tocaia que a minha tribo acabou?
Preciso da minha tribo!
Preciso vestir os panos da minha tribo.
Pintar meu corpo com as cores da minha tribo.
Pentear-me como a gente da minha tribo.
Beber e comer
alimento da minha tribo.
Falar a língua da minha tribo.
Pensar o que pensa a minha tribo.
Ler o que ler a minha tribo.
Escrever o que escreve a minha tribo.
Preciso da minha tribo pra dizer que pertenço a
alguém.
Pode bater tambor, tocar agogô, sanfona, gaita.
Religião de qualquer fé também pode ter na crença.
Sozinho não consigo me relacionar.
Tem que haver um lugar pra me caber.
Cadê o cemitério da minha tribo, o jazigo, os ossos,
a caveira inteira?
Cadê os bens que deixou a minha tribo?
As casas, as fazendas, as contas bancárias?
Os registros da minha tribo a história não se
preocupou preservar.
Que pena!
Cadê a minha tribo?!
Zé Sarmento
segunda-feira, 25 de maio de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
INFÂNCIA
AQUI TEM HISTÓRIA - INFÂNCIA
A criança e
jovem que existiram dentro de mim, sobreviveram
em tempos de vacas magras e gordas.
Era o
nordeste nas áreas das intempéries pregando peça no homem explorado e esquecido envelhecido pelo latifúndio.
Vivi nos campos irrigados da planície num tempo.
Noutro em terras de vegetação da caatinga deserta nas estiagens.
Era o nordeste
em chama queimando o intestino do homem pobre do campo.
A caatinga
pregava a maldita seca, muito dramática para quem lá vivia.
Noutro tempo
era o nordeste em aguaceiro.
Fazia rir
o homem como os rios que se enchiam.
O inverno
fazia uns continuar.
A seca fazia
uns se retirar. FUI UM DELES.
Nas
enchentes das invernadas, peixe era
fartura, sorria ao
alimentar gente de tripa vazia.
Nas secas
que rachavam o chão numa arte desalinhada,
carne de gado com
bicho tapuru em luta com urubus, trazia
fartura.
No homem
crescia no semblante a vontade de seguir adiante.
Chão pra fazer seu roçado recebia com fúria a foice e machado derrubando flora.
Filhos aos montes ainda em formação acompanhavam o agricultor.
Sempre
nascia mais em cada juntada de carne em brasa para o amor.
Nas
enchentes inigualáveis, no aguaceiro da peste do açude despejando o majestoso fluido no rio Piranhas, vinha na tarrafa
apanhari, piau, curimba,
cascudo,
muçum, pirarucu, tucunaré.
No landuá
caia peixe da lama. A traíra era atraída com isca de filhote de rã.
No anzol,
peixe faminto tremia na linha do menino em busca de alimento.
Minha fome era saciada com a carne de peixe de
escama, de couro.
Piabinha frita ao sol.
Era ouro ter
o que comer pra não cair de paralisia infantil.
Peixe grande se debatia
antes de pancada na cabeça com pau de
aroeira.
Sabia que ia
pra fervura na trempe do fogão a lenha de Dona Francisca.
Alimentava
boca espumando pela fome quase matando.
No roçado
não tinha pra ninguém, esse aqui era menino muito labutador.
Afoito. Desbravador de mato brabo.
Dores de vez
em quando o pegava. No interior.
Sonhos distantes de pegar com mão de ferro e trazê-lo pro prazer de estar vivo.
Era alumiado por sol medonho nos dias de todo dia.
Nas noites era a lua a poesia.
A enxada
endiabrada, a foice envenenada,
o machado
drogado por erva da mata calcinada,
extraia
desse caboclo menino, um arcabouço de homem feito.
Cacho de
banana nas costas. Uma manga na boca.
Feixe de
palha de arroz no lombo.
Saco de
farinha na cabeça.
Sobrevida me
vinha,
quando
sonhava comer bife a cavalo, parmegiana, milanesa.
Esperança de acontecer,
quando
virasse retirante,
e desse de cara com Sum Paulo pra trabalhar no metrô.
A partir
desse dia começar sofrer de outras dores:
As da
saudade, da discriminação, do subemprego, da solidão num quartinho de pensão, onde os livros eram os amigos. Lá no Bixiga. Num cortiço dos infernos.
domingo, 19 de abril de 2015
Fotos Líteropalestras de Zé Sarmento CEU Cantos Amanhecer
Agradecer ao Prof Fábio Roberto Ferreira Barreto pelo convite para ir mais uma vez dialogar com alunos do EJA fundamental. Agradecer aos alunos que compareceram. Importante fazer novos leitores. Como Agente Comunitario de Cultura e escritor estamos lutanto pelo projeto do PMLLLB.
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