segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Lançamentos ÂNGELA-um Jardim no Vermelho

Foto posada do lançamento do livro ÂNGELA - Um Jardim no Vermelho na Cooperifa.
Já teve lançamento no sarau do Binho.
12/08- BINHO – JÁ ERA
21/08- COOPERIFA-JÁ ERA
07/09 –CASA DAS ROSAS - SARAU A PLENOS PULMÕES -JÁ ERA
10/09 - CEU CANTOS AMANHECER -JÁ ERA
21/09 - BIBLIOTECA PQ. SANTO DIAS
24/09 - SARAU LAMPARINA BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO
26/09 - CEU CAPÃO REDONDO
28/09 - SARAU MESQUITEIROS



08/10 - CEU PARAISÓPOLIS
10/10 - ELO DA CORRENTE
22/10 - CEU GUARAPIRANGA (ÂNGELA)

ENSAIÇO - FALTA CONFIRMAR DATA
LIVRARIA SUBURBANO - FALTA CONFIRMAR DATA
CEU Campo Limpo a confirmar.
Etec Carandiru na escola de arte, em novembro.
Mesquiteiros falta confirmar data.

sábado, 3 de agosto de 2013

CONDUÇÃO DO SOFRIMENTO

Outro dia fui ao centro da cidade de buzão, aquele grandão que foi feito pra corredor que não tem pra onde correr nem como correr. –Toda vez que preciso me deslocar até o centro sem ser em horário de pico pego condução. Só vou com a Elba 96 quando é pra trabalho, por não ter horário de acabar os “reclames” nos estúdios da cidade ou locações.
Os corredores foram feitos pra, de repente, os ônibus chegarem primeiro que os carros, mas isso não. Os carros, mesmo em engarrafamento chegam primeiro. Às vezes eles até passam o engarrafamento, mas num piscar de olhos, os carros passam os ônibus.90% dos carros andam com uma pessoa, o motorista, horário de trabalho, dia útil, né. Dentro do ônibus me senti muito constrangido. Sentado por tê-lo pego no ponto inicial. Do centro até o bairro, vice e versa. No horário  das 11h foi calmo indo pro centro, mas na volta, às 3,4h, tudo muda pra pior. Observando do meu canto, vi como as pessoas sofrem andando de buzão, e muito mais por terem que enfrentar essa porra todo dia da sua vida trabalhosa. Percebi que a maioria dos passageiros desse horário é mulher com ar de muito cansada, carregando sacolas e suas bolsas, enfrentam dificuldades pra andar no corredor e passar pela roleta, bem mais dificuldade quando entram algumas atendendo celular. Bolsa, sacola e a mão ocupada com o celular no ouvido, a dificuldade aumenta. Tava doido pra dá o lugar pra alguém, (pelas minhas pernas estarem doendo, e pelo constrangimento  de estar sentado, homem, e tanta mulher em pé). O assento era muito colado um no outro, alguém alemaozão iria sofrer bem mais que eu.Do meu lado se sentou uma mulher, que pela maneira de ser e o cansaço que deflagrava no rosto, devia ter acordado, no  mínimo, às cinco da manhã. Todas ( a maioria era de mulher) com os mesmos cansaços, vendendo essa fisionomia na forma de estar, olhando o tempo ao derredor e sentir por dentro, certa angústia pelo ônibus nunca chagar ao seu destino e não ter assento pra todos.Cada parada num ponto, pelo menos pra mim, era uma eternidade, dali a pouco tinha que parar outra vez, pelos semáforos que fechavam. Ao meu lado a senhora  puxou uma arma, mas pra atirar,ela puxou outra, o óculos, abriu o tambor e colocou a munição a certa distancia das vistas pra poder enxergar. Abriu um livro que de soslaio eu li o nome do autor, Trish Willy, “sopro de esperança” era o título. Espero que esse livro consiga lhe dá uma luz e ela resolva os seus problemas e que tudo se resolva em sua vida.Na certa com a leitura ela vai se dá melhor que as demais que estavam ali apenas olhando as ruas. Foi à única que eu vi assaltar da própria bolsa um livro. Tava procurando alguém pra dar o lugar,mas olhando em volta, pensei, como eu ia ser correto se era tantas mulheres cansadas, desgastadas pelos seus trabalhos de diaristas? Estaria sendo injusto com as outras, e talvez passasse desconfiança de que estivesse tentando paquerar agradando uma delas. Na minha timidez, nessas situações, por dentro disse-me que quando chegasse no terminal ia abordar a mulher da leitura e dá-lhe um livro meu de presente, talvez ela não conseguisse ler até fim, por ser outro tipo de literatura, mas enfim faria boa ação e minha parte pra melhorar a auto-estema da sociedade.Não o fiz, ela desceu antes e como sou muito fechado nessas situações não a abordei ao momento de estamos de corpos quase colados, cada um em sua cadeira. O aperto entre duas pessoas como eu e ela é tão estranho pra mim, que às vezes tinha vontade de me coçar em alguma parte, mas segurava, pra não me mexer tanto e tocá-la. Segurava-me pensando noutras coisas, meus personagens, por exemplo, que são todos vindos de classe como a que anda todo dia de ônibus. Mulheres guerreiras essas da nossa pulação, que depois de certa idade têm que trabalhar pra tentar se firmar levando parte do sustento pra casa, e muitas delas são  provedoras do lar. Acordam tão cedo, trabalham por aí usando o corpo e mente, ou só um ou só outro e ainda têm que enfrentar condução  tão ruim. Que pena que os nossos políticos não precisem de condução pública pra ir trabalhar, pra sentir na pele o que é o transporte que eles oferecem a população. Sentir na própria carne nada mais é que sentir pelos outros. Acho que todo cidadão tinha que passar um dia por alguma dificuldade, mais os políticos e uma elite arrogante acostumada com as benesses oferecidas pelas fortunas que acumularam, pra poder ter o discernimento de saber entender o outro com mais finura e humanidade.

Zé Sarmento

sexta-feira, 19 de julho de 2013

MORTE NA CASA DAS ROSAS


O arquiteto Arthur Azevedo vivia com ódio saltando pelas ventas com perfilado europeu.
Atirando tufo de fogo pra todo lado.
Por ver de onde estava - no céu ou no inferno -
Que sua mansão tinha se transformado num harém pra prostituir a arte.
Não gostava do que via ser representado sem inibição.
Pelos artistas filhos da elite paulistana.
Achava que as obras dum passado que ali frequentavam. 
Era arte criada sem conexão com a realidade dos tempos.
Tempo de uma sociedade periférica que grita por mudança social.
Para dar andamento ao que se propôs fazer.
Surgiu do jardim em penumbra.
Entrou pela porta principal com uma lâmina de ponta afiada em riste.
E num ínfimo andamento em que um autor lia seu texto.
Gesticulando pra todos os cantos e pra todos os ventos.
Babando no papel da sua criação.
Levou a lâmina para rasgar sua carne conservada e bem criada de primeira.
Foi direto ao coração.
Pulou com pressa para outro autor.
Chegou a tempo de encontrá-lo ainda pelo meio do poema.
Quando o fez sangrar pela altura do abdômen.
Um grito de horror se ouviu pelo casarão.
E por toda Avenida Paulista.
Vindo se despregar das paredes algumas pinturas de grandes artistas do passado.
Medo de serem confundidos com autores contemporâneos.
Arrastando a lâmina...
Tripas saíram deixando um oca na barriga.
Grande quadro acha que criou fazendo aquele intestino se expor como um pintura barroca.
Depressa foi a outra sala com a audiência indo atrás.
Achava ser uma peça encenada com maestria de veracidade.
Encurralado ficou sem ação outro canastrão da arte contemporânea elitista.
Os presentes davam ao momento, movimento de êxtase.
Outros artista correram em busca de proteção prendendo no peito sua ultima criação.
Na fuga acabaram visitando algumas salas.
Destruindo instalações de artistas.
Que gritavam com as mãos na cabeça.
Não destrua minha arte!! Não destrua minha arte!!!
Destruída a arte dos que não têm muito a dizer.
Foi morto o último perseguido com uma punhalada nas costas.
A plateia começou a aplaudir a encenação.
Mas ao mesmo tempo começaram a fugir quando a ficha caiu.
Pelo surgimento de grande aparato policial.
Desse dia em diante.
A Casa das Rosas nunca mais foi à mesma.
Teve que abrir as postas pra toda sociedade representativa.
Que cria sua arte e quer expô-la sem discriminação.
Quem tem muito o que dizer como os autores periféricos.
Acabaram se beneficiando com diversos Saraus.
Zé Sarmento

sábado, 15 de junho de 2013

COMIDA PRA HISTÓRIA


Essa semana
Várias cidades do Brasil
Prepararam pratos cheios pra história.
Teve muita gente que comeu amando ou odiando.
Tinha pratos com cheiro e sabor de pólvora
Pratos que eram atirados e propagavam  gás lacrimogênio
Pratos que produziam caganeira pelo defeito moral que espalhavam
Pratos que vinham armados aos mandos de cassetetes
Amparados pelos escudos balísticos da polícia.
Eram pratos servidos a quem brigavam pra se alimentar
Das coisas que o país produz
Arremessados de botinas
De boca de fuzis que disparam ervas daninha
Que não chegam com prazer  a nossa boca.
Eram Pratos servidos por garçons  vestidos de cinza
Paramentados de cinturão carregando arma pesada.
As máscaras refletiam  o amor pela comida a uns
Ódios a outros.
Nessa briga de gato e rato
Com tempero Spray sabor de pimenta
Quem seu deu bem e se alimentou muito
Quem se fartou  pra valer até o cu estourar
Foi à panela da mídia
Que estava fervendo em fogo brando
Cozinhando em banho Maria
Esperando pra que lado ir
Levando sua  colher pra pegar o melhor pedaço
Das carnes das pessoas ensanguentadas e abatidas.
Zé Sarmento

sexta-feira, 14 de junho de 2013

JURO


Juro
Juro que tentei ser um monte de mim mesmo.
Infelizmente sou uma pessoa que só caibo em mim.
Juro que tentei ser um milhão de outras pessoas.
Não consigo, sou de fato esquisito.
Uma cópia única  neste vasto universo de muitas
Que se qualificam para serem repetitivas.
Insisto em comungar com a maioria.
Não consigo.
Nesse movimento de diversidade humana
Quem tá por cima
É quem mais conseguiu ser outro.
Quem tem o feeling de mudar de escama
Pra subir o logradouro que leva ao patamar
De um mar navegável.
Tentei ser um monte de mim mesmo.
Não deu.
Insisto em não me enganar
pra mais a frente ludibriar inocentes
passando a perna em seus pescoços
numa gravata asfixiante.
Tentei ser um milhão de outros cidadãos
Um monte de mim mesmo
Não deu.
Sou de fato esquisito pra morar no ninho
Com tanta cobra tentando engolir a outra.
Zé Sarmento

terça-feira, 28 de maio de 2013

A FUGA





A FUGA

Não fosse a vivacidade do motorista do caminhão, quiçá lance de pior ventura tivesse ocorrido com as duas seqüestradas no interior do carro: fossem parar num cativeiro com cheiro de esgoto e mofo, inferno de alguma zona urbanística jogada as traças. Visão panorâmica e reduzida que receberia, seria cores ocres de paredes de blocos nus, a luz, iluminação amarelecida reproduzida por lâmpada incandescente pendurada no teto da laje de 60 watts. O desaparecimento de Mãe e filha também traria angústias incontestes para os parentes que, sem saber por onde andariam e em que mãos se encontrariam e em que situação se achariam repercutiria desesperos profundos e os levariam a loucura gastando muito do tempo reduzido que tem um Urbanóide nas delegacias, bem entendido, se não quisessem depender de algum valor para adquirir os trabalhos corruptos de alguns delegados e policiais.

Chamou-me a atenção e me despertou, fato como os buzinaços nos dutos do ouvido das viaturas da polícia perseguindo-os, por ser dia. Gostaria de deixar claro que  se noite sem embaço de chuva, também as luzes vermelhas e azuis giroscópicas, ajudariam a me despertar e faze-me correr para a janela, louco para ver o desfecho de mais uma das tantas ocorrências de desgraça que acontecem todos os dias. Se não os vejo da minha janela, os vejo pelos noticiários da TV.

No silêncio do meu AP fui despertado. Juro que não estava disposto a ver nem ouvir, a mim o silêncio seria mais bem compreendido e para quem fazia, naquela hora, companhia a minha estada em casa, no descanso do lar depois de um dia de trabalho. Olhei porque existiu e estava ali a minha frente gratuitamente. Pesquisas mostram: o que mais chama atenção das pessoas assíduas em vivificar fatos do cotidiano, são as costumeiras confusões encenadas por pessoas que se envolvem nelas. Não tem um que não pare para ver ocorrências como a que eu observei da janela do nono andar.

Perseguidos e perseguidores não pensaram o quanto estavam pondo a população em risco, na operação de resgate, gente que se deslocava por movimentada avenida na hora do encontro, dividindo a expressão de tanta velocidade das viaturas com quem andava na tranqüilidade de um dia comum dirigindo seus carros.

Assisti a um filme ao vivo e em cores. Daqueles bem berrantes. O horror me abriu os olhos sobre a violência urbana, e o vermelho do sangue das vítimas desenhou pintura expressionista e chocante no procedimento do meu rosto, assim como deve ter tornado a cara dos que estavam envolvidos na fuga e na perseguição, rosto de mesma expressão: apreensão, exasperação, medo e fuga dos pipocos das armas adentrando carnes, esvaziando almas. Um tiro a queima roupa na parada repentina fez tombar o policial que, naquele momento, se dispôs a ser o herói da perseguição, e que, mais tarde, se vivo continuasse, ganharia as honras dos que trazem nas atitudes da profissão que exercem o heroísmo com causa. O policial aproximou-se do carro dos sequestrados, este quase engatado na traseira do caminhão, com a arma em punho direcionada para a cabeça do seqüestrador, mas infelizmente para o que seria o herói do momento, não deu, o bandido conseguiu detonar  a sua potente arma primeiro no rosto do da lei. Caiu para trás como se fora um objeto, uma coisa sem perspectiva nenhuma mais.Jazeu  morto instantaneamente.O carona dos seqüestradores fora mais rápido no gatilho, copiando os mocinhos dos filmes do velho oeste americano; quem saca primeiro e atira, permanece vivo até outro evento de mesmo modelo vir ocorrer e a sorte o abandonar.

Percebendo que era hora de fuga, a mãe seqüestrada deu-se ao prazer dela. Pegando a mão da filha sem afagos, saíram pela porta como se fora um raio, mas no mesmo instante, como outro raio vindo dos infernos pelas mãos do seqüestrador que dirigia o carro, saíra à disposição de dois tiros, só a disposição. Percebi que fora essa a atitude, pelos movimentos do braço de quem atira com arma curta, levando a arma à frente para apertar o gatilho no momento que mira o alvo. A natureza trabalhou nessa hora para o bem, deixando as mazelas do mau se desgastar frente  à melhor situação. O revólver do bandido falhou nos dois disparos que tirariam a vida de mãe e filha. Muita sorte teve as duas, ou não era o dia delas?

Agindo assim o malfeitor, encontrou percepção suficiente um policial astuto e seguro no disparo de arma e bom na mira de qualquer alvo, achando que era hora de agir, o alvejou nas costas, fazendo-o tombar. Fora este retirado de circulação, deixando para sempre de fazer e participar dos ritos de fugas e seqüestros. Mais uma bala fora visitar as costas daquele que na hora H teve a má sorte de a arma falhar, vindo acrescentar aos que acham que, quem deve morrer na véspera é peru e não a quem não chegou o dia. Dizendo a platéia geral debaixo que tentavam se esconder das balas e eu, em cima também se esquivando uma vez ou outra, mas sem perder a cena, que mãe e filha nasceram outra vez.

Na fuga alucinada, pulando um muro, mais uma arma fora acionada, apertando o gatilho, o da lei sem sê-la, mas que se diz lei por ser uma lei particular, paga para proteger patrimônio. O segurança de um condomínio achando que estava praticando boa ação, vendo um dos bandidos pulando o muro do patrimônio que protegia, achou por bem, por essa hora, usar da arma e o derrubou ao pular o muro. Como fora rápido para disparar, também  fora para guardá-la. Tem tiro que nunca alguém descobrirá de onde partiu, de que armas, esse para sempre será um deles.

Na troca de tiros entre os oficiais da lei e os de fora dela, notei que na fuga também foram ao chão, fugitivos que escapavam por entre árvores, por serem mirados por miras telescópicas de fuzis dos oficiais dos helicópteros. Não conseguiram que a natureza das folhagens lhes cobrisse então, seus corpos não resistiram aos besouros voadores vindos do alto perfurando primeiro alguns galhos e folhas, indo-os se alojar nos corpos em movimento.

Alguns mortos no outro dia os parentes enterraram, bem dizendo, mais corpos daqueles que acharam melhor ganhar a vida no mele que no duro, para tanto, duros eternos se tornaram, porque é certo que quem tá morto nunca mais  vai querer e poder viver no mole. Dizem que nos infernos a moleza está nas mãos do chefe e suas asseclas virgens. Como acho que não vão conseguir chefiar nem as próprias almas, estes serão entregues aos fornos avermelhados. Viverão no quente para sempre, suando feito pano de cuscuz, esperando um dia que o feioso se apiede do que praticaram entre nós os vivos, e ponha um pouco de ar puro para os descalorar.

Da minha janela retangular do nono andar que dá vistas para o mundo, o filme que assisti, acredito, não fora só meu nesse dia, muitos viram o filme dessa tarde a olho nu também de cima, tendo o céu iluminando a projeção de tanta violência e a terra regada por tanto sangue.

A certeza dessa projeção que fica é aquela onde o ditado popular diz com sabedoria, de que o barato sai caro. Querendo o ganho fácil do dinheiro de um sequestro, pagaram com a vida valor que seria de cada um e ainda saíram devendo, porque a vida de cada matado, não pagaria o que já haviam praticado desde que entraram para o crime.
E você leitor, acha q’ueles são filhos das dívidas que a elite brasileira tem para com quem veio do veio da terra sem pátria ou não tem nada a ver o cu c’as calças?Que para se tornar bandido não importa de que classe social tenha vindo? È conceito para se pensar.


ZéSarmento