Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Lançamentos ÂNGELA-um Jardim no Vermelho
Foto posada do lançamento do livro ÂNGELA - Um Jardim no Vermelho na Cooperifa.
Já teve lançamento no sarau do Binho.
12/08- BINHO – JÁ ERA
21/08- COOPERIFA-JÁ ERA
07/09 –CASA DAS ROSAS - SARAU A PLENOS PULMÕES -JÁ ERA
10/09 - CEU CANTOS AMANHECER -JÁ ERA
21/09 - BIBLIOTECA PQ. SANTO DIAS
24/09 - SARAU LAMPARINA BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO
26/09 - CEU CAPÃO REDONDO
28/09 - SARAU MESQUITEIROS
08/10 - CEU PARAISÓPOLIS
10/10 - ELO DA CORRENTE
22/10 - CEU GUARAPIRANGA (ÂNGELA)
ENSAIÇO - FALTA CONFIRMAR DATA
LIVRARIA SUBURBANO - FALTA CONFIRMAR DATA
CEU Campo Limpo a confirmar.
Etec Carandiru na escola de arte, em novembro.
Mesquiteiros falta confirmar data.
Já teve lançamento no sarau do Binho.
12/08- BINHO – JÁ ERA
21/08- COOPERIFA-JÁ ERA
07/09 –CASA DAS ROSAS - SARAU A PLENOS PULMÕES -JÁ ERA
10/09 - CEU CANTOS AMANHECER -JÁ ERA
21/09 - BIBLIOTECA PQ. SANTO DIAS
24/09 - SARAU LAMPARINA BIBLIOTECA MONTEIRO LOBATO
26/09 - CEU CAPÃO REDONDO
28/09 - SARAU MESQUITEIROS
08/10 - CEU PARAISÓPOLIS
10/10 - ELO DA CORRENTE
22/10 - CEU GUARAPIRANGA (ÂNGELA)
ENSAIÇO - FALTA CONFIRMAR DATA
LIVRARIA SUBURBANO - FALTA CONFIRMAR DATA
CEU Campo Limpo a confirmar.
Etec Carandiru na escola de arte, em novembro.
Mesquiteiros falta confirmar data.
sábado, 3 de agosto de 2013
CONDUÇÃO DO SOFRIMENTO
Outro dia fui ao centro da cidade de buzão, aquele grandão
que foi feito pra corredor que não tem pra onde correr nem como correr. –Toda vez
que preciso me deslocar até o centro sem ser em horário de pico pego condução.
Só vou com a Elba 96 quando é pra trabalho, por não ter horário de acabar os “reclames”
nos estúdios da cidade ou locações.
Os corredores foram feitos pra, de repente, os ônibus chegarem
primeiro que os carros, mas isso não. Os carros, mesmo em engarrafamento chegam
primeiro. Às vezes eles até passam o engarrafamento, mas num piscar de olhos,
os carros passam os ônibus.90% dos carros andam com uma pessoa, o motorista,
horário de trabalho, dia útil, né. Dentro do ônibus me senti muito constrangido.
Sentado por tê-lo pego no ponto inicial. Do centro até o bairro, vice e versa. No
horário das 11h foi calmo indo pro centro,
mas na volta, às 3,4h, tudo muda pra pior. Observando do meu canto, vi como as
pessoas sofrem andando de buzão, e muito mais por terem que enfrentar essa
porra todo dia da sua vida trabalhosa. Percebi que a maioria dos passageiros desse
horário é mulher com ar de muito cansada, carregando sacolas e suas bolsas, enfrentam
dificuldades pra andar no corredor e passar pela roleta, bem mais dificuldade
quando entram algumas atendendo celular. Bolsa, sacola e a mão ocupada com o celular
no ouvido, a dificuldade aumenta. Tava doido pra dá o lugar pra alguém, (pelas
minhas pernas estarem doendo, e pelo constrangimento de estar sentado, homem, e tanta mulher em pé).
O assento era muito colado um no outro, alguém alemaozão iria sofrer bem mais
que eu.Do meu lado se sentou uma mulher, que pela maneira de ser e o cansaço
que deflagrava no rosto, devia ter acordado, no mínimo, às cinco da manhã. Todas ( a maioria
era de mulher) com os mesmos cansaços, vendendo essa fisionomia na forma de
estar, olhando o tempo ao derredor e sentir por dentro, certa angústia pelo
ônibus nunca chagar ao seu destino e não ter assento pra todos.Cada parada num
ponto, pelo menos pra mim, era uma eternidade, dali a pouco tinha que parar
outra vez, pelos semáforos que fechavam. Ao meu lado a senhora puxou uma arma, mas pra atirar,ela puxou
outra, o óculos, abriu o tambor e colocou a munição a certa distancia das vistas
pra poder enxergar. Abriu um livro que de soslaio eu li o nome do autor, Trish
Willy, “sopro de esperança” era o título. Espero que esse livro consiga lhe dá
uma luz e ela resolva os seus problemas e que tudo se resolva em sua vida.Na
certa com a leitura ela vai se dá melhor que as demais que estavam ali apenas
olhando as ruas. Foi à única que eu vi assaltar da própria bolsa um livro. Tava
procurando alguém pra dar o lugar,mas olhando em volta, pensei, como eu ia ser
correto se era tantas mulheres cansadas, desgastadas pelos seus trabalhos de
diaristas? Estaria sendo injusto com as outras, e talvez passasse desconfiança
de que estivesse tentando paquerar agradando uma delas. Na minha timidez, nessas
situações, por dentro disse-me que quando chegasse no terminal ia abordar a
mulher da leitura e dá-lhe um livro meu de presente, talvez ela não conseguisse
ler até fim, por ser outro tipo de literatura, mas enfim faria boa ação e minha
parte pra melhorar a auto-estema da sociedade.Não o fiz, ela desceu antes e
como sou muito fechado nessas situações não a abordei ao momento de estamos de
corpos quase colados, cada um em sua cadeira. O aperto entre duas pessoas como
eu e ela é tão estranho pra mim, que às vezes tinha vontade de me coçar em alguma
parte, mas segurava, pra não me mexer tanto e tocá-la. Segurava-me pensando noutras
coisas, meus personagens, por exemplo, que são todos vindos de classe como a
que anda todo dia de ônibus. Mulheres guerreiras essas da nossa pulação, que
depois de certa idade têm que trabalhar pra tentar se firmar levando parte do
sustento pra casa, e muitas delas são
provedoras do lar. Acordam tão cedo, trabalham por aí usando o corpo e
mente, ou só um ou só outro e ainda têm que enfrentar condução tão ruim. Que pena que os nossos políticos
não precisem de condução pública pra ir trabalhar, pra sentir na pele o que é o
transporte que eles oferecem a população. Sentir na própria carne nada mais é
que sentir pelos outros. Acho que todo cidadão tinha que passar um dia por
alguma dificuldade, mais os políticos e uma elite arrogante acostumada com as
benesses oferecidas pelas fortunas que acumularam, pra poder ter o
discernimento de saber entender o outro com mais finura e humanidade.
Zé Sarmento
sexta-feira, 19 de julho de 2013
MORTE NA CASA DAS ROSAS
O arquiteto Arthur Azevedo vivia com ódio saltando pelas ventas com perfilado europeu.
Atirando tufo de fogo pra todo lado.
Por ver de onde estava - no céu ou no inferno -
Que sua mansão tinha se transformado num harém pra prostituir a arte.
Não gostava do que via ser representado sem inibição.
Pelos artistas filhos da elite paulistana.
Achava que as obras dum passado que ali frequentavam.
Era arte criada sem conexão com a realidade dos tempos.
Tempo de uma sociedade periférica que grita por mudança social.
Para dar andamento ao que se propôs fazer.
Surgiu do jardim em penumbra.
Entrou pela porta principal com uma lâmina de ponta afiada em riste.
E num ínfimo andamento em que um autor lia seu texto.
Gesticulando pra todos os cantos e pra todos os ventos.
Babando no papel da sua criação.
Levou a lâmina para rasgar sua carne conservada e bem criada de primeira.
Foi direto ao coração.
Pulou com pressa para outro autor.
Chegou a tempo de encontrá-lo ainda pelo meio do poema.
Quando o fez sangrar pela altura do abdômen.
Um grito de horror se ouviu pelo casarão.
E por toda Avenida Paulista.
Vindo se despregar das paredes algumas pinturas de grandes artistas do passado.
Medo de serem confundidos com autores contemporâneos.
Arrastando a lâmina...
Tripas saíram deixando um oca na barriga.
Grande quadro acha que criou fazendo aquele intestino se expor como um pintura barroca.
Depressa foi a outra sala com a audiência indo atrás.
Achava ser uma peça encenada com maestria de veracidade.
Encurralado ficou sem ação outro canastrão da arte contemporânea elitista.
Os presentes davam ao momento, movimento de êxtase.
Outros artista correram em busca de proteção prendendo no peito sua ultima criação.
Na fuga acabaram visitando algumas salas.
Destruindo instalações de artistas.
Que gritavam com as mãos na cabeça.
Não destrua minha arte!! Não destrua minha arte!!!
Destruída a arte dos que não têm muito a dizer.
Foi morto o último perseguido com uma punhalada nas costas.
A plateia começou a aplaudir a encenação.
Mas ao mesmo tempo começaram a fugir quando a ficha caiu.
Pelo surgimento de grande aparato policial.
Desse dia em diante.
A Casa das Rosas nunca mais foi à mesma.
Teve que abrir as postas pra toda sociedade representativa.
Que cria sua arte e quer expô-la sem discriminação.
Quem tem muito o que dizer como os autores periféricos.
Acabaram se beneficiando com diversos Saraus.
Zé Sarmento
Grande quadro acha que criou fazendo aquele intestino se expor como um pintura barroca.
Depressa foi a outra sala com a audiência indo atrás.
Achava ser uma peça encenada com maestria de veracidade.
Encurralado ficou sem ação outro canastrão da arte contemporânea elitista.
Os presentes davam ao momento, movimento de êxtase.
Outros artista correram em busca de proteção prendendo no peito sua ultima criação.
Na fuga acabaram visitando algumas salas.
Destruindo instalações de artistas.
Que gritavam com as mãos na cabeça.
Não destrua minha arte!! Não destrua minha arte!!!
Destruída a arte dos que não têm muito a dizer.
Foi morto o último perseguido com uma punhalada nas costas.
A plateia começou a aplaudir a encenação.
Mas ao mesmo tempo começaram a fugir quando a ficha caiu.
Pelo surgimento de grande aparato policial.
Desse dia em diante.
A Casa das Rosas nunca mais foi à mesma.
Teve que abrir as postas pra toda sociedade representativa.
Que cria sua arte e quer expô-la sem discriminação.
Quem tem muito o que dizer como os autores periféricos.
Acabaram se beneficiando com diversos Saraus.
Zé Sarmento
sábado, 15 de junho de 2013
COMIDA PRA HISTÓRIA
Essa semana
Várias cidades do
Brasil
Prepararam pratos
cheios pra história.
Teve muita gente que comeu amando ou odiando.
Teve muita gente que comeu amando ou odiando.
Tinha pratos com
cheiro e sabor de pólvora
Pratos que eram
atirados e propagavam gás lacrimogênio
Pratos que produziam
caganeira pelo defeito moral que espalhavam
Pratos que vinham
armados aos mandos de cassetetes
Amparados pelos
escudos balísticos da polícia.
Eram pratos servidos
a quem brigavam pra se alimentar
Das coisas que o país
produz
Arremessados de botinas
De boca de fuzis que
disparam ervas daninha
Que não chegam com
prazer a nossa boca.
Eram Pratos servidos
por garçons vestidos de cinza
Paramentados de
cinturão carregando arma pesada.
As máscaras
refletiam o amor pela comida a uns
Ódios a outros.
Nessa briga de gato e
rato
Com tempero Spray
sabor de pimenta
Quem seu deu bem e se
alimentou muito
Quem se fartou pra valer até o cu estourar
Foi à panela da mídia
Que estava fervendo
em fogo brando
Cozinhando em banho
Maria
Esperando pra que
lado ir
Levando sua colher pra pegar o melhor pedaço
Das carnes das
pessoas ensanguentadas e abatidas.
Zé Sarmento
sexta-feira, 14 de junho de 2013
JURO
Juro
Juro que
tentei ser um monte de mim mesmo.
Infelizmente
sou uma pessoa que só caibo em mim.
Juro que
tentei ser um milhão de outras pessoas.
Não consigo,
sou de fato esquisito.
Uma cópia
única neste vasto universo de muitas
Que se
qualificam para serem repetitivas.
Insisto em
comungar com a maioria.
Não consigo.
Nesse
movimento de diversidade humana
Quem tá por
cima
É quem mais
conseguiu ser outro.
Quem tem o
feeling de mudar de escama
Pra subir o
logradouro que leva ao patamar
De um mar
navegável.
Tentei ser
um monte de mim mesmo.
Não deu.
Insisto em
não me enganar
pra mais a
frente ludibriar inocentes
passando a
perna em seus pescoços
numa gravata
asfixiante.
Tentei ser
um milhão de outros cidadãos
Um monte de
mim mesmo
Não deu.
Sou de fato
esquisito pra morar no ninho
Com tanta
cobra tentando engolir a outra.
Zé Sarmento
terça-feira, 28 de maio de 2013
A FUGA
A FUGA
Não fosse a vivacidade do motorista do caminhão, quiçá lance
de pior ventura tivesse ocorrido com as duas seqüestradas no interior do carro:
fossem parar num cativeiro com cheiro de esgoto e mofo, inferno de alguma zona
urbanística jogada as traças. Visão panorâmica e reduzida que receberia, seria cores
ocres de paredes de blocos nus, a luz, iluminação amarelecida reproduzida por
lâmpada incandescente pendurada no teto da laje de 60 watts. O desaparecimento
de Mãe e filha também traria angústias incontestes para os parentes que, sem
saber por onde andariam e em que mãos se encontrariam e em que situação se achariam
repercutiria desesperos profundos e os levariam a loucura gastando muito do
tempo reduzido que tem um Urbanóide nas delegacias, bem entendido, se não
quisessem depender de algum valor para adquirir os trabalhos corruptos de
alguns delegados e policiais.
Chamou-me a atenção e me despertou, fato como os buzinaços nos
dutos do ouvido das viaturas da polícia perseguindo-os, por ser dia. Gostaria
de deixar claro que se noite sem embaço
de chuva, também as luzes vermelhas e azuis giroscópicas, ajudariam a me
despertar e faze-me correr para a janela, louco para ver o desfecho de mais uma
das tantas ocorrências de desgraça que acontecem todos os dias. Se não os vejo
da minha janela, os vejo pelos noticiários da TV.
No silêncio do meu AP fui despertado. Juro que não estava
disposto a ver nem ouvir, a mim o silêncio seria mais bem compreendido e para
quem fazia, naquela hora, companhia a minha estada em casa, no descanso do lar
depois de um dia de trabalho. Olhei porque existiu e estava ali a minha frente
gratuitamente. Pesquisas mostram: o que mais chama atenção das pessoas assíduas
em vivificar fatos do cotidiano, são as costumeiras confusões encenadas por
pessoas que se envolvem nelas. Não tem um que não pare para ver ocorrências
como a que eu observei da janela do nono andar.
Perseguidos e perseguidores não pensaram o quanto estavam
pondo a população em risco, na operação de resgate, gente que se deslocava por
movimentada avenida na hora do encontro, dividindo a expressão de tanta
velocidade das viaturas com quem andava na tranqüilidade de um dia comum
dirigindo seus carros.
Assisti a um filme ao vivo e em cores. Daqueles bem
berrantes. O horror me abriu os olhos sobre a violência urbana, e o vermelho do
sangue das vítimas desenhou pintura expressionista e chocante no procedimento
do meu rosto, assim como deve ter tornado a cara dos que estavam envolvidos na
fuga e na perseguição, rosto de mesma expressão: apreensão, exasperação, medo e
fuga dos pipocos das armas adentrando carnes, esvaziando almas. Um tiro a
queima roupa na parada repentina fez tombar o policial que, naquele momento, se
dispôs a ser o herói da perseguição, e que, mais tarde, se vivo continuasse,
ganharia as honras dos que trazem nas atitudes da profissão que exercem o
heroísmo com causa. O policial aproximou-se do carro dos sequestrados, este
quase engatado na traseira do caminhão, com a arma em punho direcionada para a
cabeça do seqüestrador, mas infelizmente para o que seria o herói do momento,
não deu, o bandido conseguiu detonar a
sua potente arma primeiro no rosto do da lei. Caiu para trás como se fora um
objeto, uma coisa sem perspectiva nenhuma mais.Jazeu morto instantaneamente.O carona dos seqüestradores
fora mais rápido no gatilho, copiando os mocinhos dos filmes do velho oeste
americano; quem saca primeiro e atira, permanece vivo até outro evento de mesmo
modelo vir ocorrer e a sorte o abandonar.
Percebendo que era hora de fuga, a mãe seqüestrada deu-se ao
prazer dela. Pegando a mão da filha sem afagos, saíram pela porta como se fora
um raio, mas no mesmo instante, como outro raio vindo dos infernos pelas mãos
do seqüestrador que dirigia o carro, saíra à disposição de dois tiros, só a
disposição. Percebi que fora essa a atitude, pelos movimentos do braço de quem
atira com arma curta, levando a arma à frente para apertar o gatilho no momento
que mira o alvo. A natureza trabalhou nessa hora para o bem, deixando as mazelas
do mau se desgastar frente à melhor
situação. O revólver do bandido falhou nos dois disparos que tirariam a vida de
mãe e filha. Muita sorte teve as duas, ou não era o dia delas?
Agindo assim o malfeitor, encontrou percepção suficiente um
policial astuto e seguro no disparo de arma e bom na mira de qualquer alvo,
achando que era hora de agir, o alvejou nas costas, fazendo-o tombar. Fora este
retirado de circulação, deixando para sempre de fazer e participar dos ritos de
fugas e seqüestros. Mais uma bala fora visitar as costas daquele que na hora H
teve a má sorte de a arma falhar, vindo acrescentar aos que acham que, quem
deve morrer na véspera é peru e não a quem não chegou o dia. Dizendo a platéia
geral debaixo que tentavam se esconder das balas e eu, em cima também se
esquivando uma vez ou outra, mas sem perder a cena, que mãe e filha nasceram
outra vez.
Na fuga alucinada, pulando um muro, mais uma arma fora
acionada, apertando o gatilho, o da lei sem sê-la, mas que se diz lei por ser
uma lei particular, paga para proteger patrimônio. O segurança de um condomínio
achando que estava praticando boa ação, vendo um dos bandidos pulando o muro do
patrimônio que protegia, achou por bem, por essa hora, usar da arma e o
derrubou ao pular o muro. Como fora rápido para disparar, também fora para guardá-la. Tem tiro que nunca alguém
descobrirá de onde partiu, de que armas, esse para sempre será um deles.
Na troca de tiros entre os oficiais da lei e os de fora
dela, notei que na fuga também foram ao chão, fugitivos que escapavam por entre
árvores, por serem mirados por miras telescópicas de fuzis dos oficiais dos
helicópteros. Não conseguiram que a natureza das folhagens lhes cobrisse então,
seus corpos não resistiram aos besouros voadores vindos do alto perfurando
primeiro alguns galhos e folhas, indo-os se alojar nos corpos em movimento.
Alguns mortos no outro dia os parentes enterraram, bem
dizendo, mais corpos daqueles que acharam melhor ganhar a vida no mele que no
duro, para tanto, duros eternos se tornaram, porque é certo que quem tá morto
nunca mais vai querer e poder viver no
mole. Dizem que nos infernos a moleza está nas mãos do chefe e suas asseclas
virgens. Como acho que não vão conseguir chefiar nem as próprias almas, estes
serão entregues aos fornos avermelhados. Viverão no quente para sempre, suando
feito pano de cuscuz, esperando um dia que o feioso se apiede do que praticaram
entre nós os vivos, e ponha um pouco de ar puro para os descalorar.
Da minha janela retangular do nono andar que dá vistas para
o mundo, o filme que assisti, acredito, não fora só meu nesse dia, muitos viram
o filme dessa tarde a olho nu também de cima, tendo o céu iluminando a projeção
de tanta violência e a terra regada por tanto sangue.
A certeza dessa projeção que fica é aquela onde o ditado
popular diz com sabedoria, de que o barato sai caro. Querendo o ganho fácil do
dinheiro de um sequestro, pagaram com a vida valor que seria de cada um e ainda
saíram devendo, porque a vida de cada matado, não pagaria o que já haviam praticado
desde que entraram para o crime.
E você leitor, acha q’ueles são filhos das dívidas que a
elite brasileira tem para com quem veio do veio da terra sem pátria ou não tem
nada a ver o cu c’as calças?Que para se tornar bandido não importa de que classe
social tenha vindo? È conceito para se pensar.
ZéSarmento
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