quarta-feira, 20 de abril de 2011

UMA MINA DE NOTÍCIA



A notícia não queria ser vazada. Ela se exprimia entre as paredes de ferro do contêiner que estava guardada, estava já sufocada, por faltar ar no espaço em que vivia desde muito. Queria a notícia ser dela e nada mais, nada de ninguém ficar sabendo do furo que sabia. Não queria ser uma noticia conhecida.
A notícia encontrou alguém um dia e disse que queria contar um segredo e que o segredo pelo amor de Deus não fosse passado a mais ninguém. Não agüentava mais ficar com aquilo só para si. O que a notícia sabia a estava deixando sem fôlego. Os pulmões dilatavam ao extremo procurando ar, o coração a mil batia acelerado para ver se conseguia bombear restos de sangue que tentava suster-lhe vida. Estava difícil suportar a notícia que sabia ser importante ser contada para alertar milhões de pessoas sobre o fato. A notícia queria voar, sair por aí, virar manchete, esbarrar na cara do povo nas bancas de jornal, nas telas dos computadores, nos meios de comunicação que fosse possível entre as redes sociais. O dono do furo não suportava ver aquele furo ser só de si, de saber só seu. Um dia a notícia fora pega de surpresa, por aparecer um jornalista querendo que lhe contasse, ora daria à fonte anonimato, garantia que seu nome não seria divulgado nem pela presença da morte. O jornalista disse-lhe que estava disposto até a pagar uma quantia, se não fosse muito, para ter a notícia em primeira mão. Sua profissão não decolara até agora por faltar uma noticia como a que o dono do furo sabia. Daquela notícia estaria garantindo uma carreira promissora, de sucesso internacional num dos melhores veículos de comunicação do país. Estaria com aquele furo encontrando uma mina preciosa, de valor incalculável para a sua profissão. Vamo, mim conte! O que quer em troca, dinheiro, colocação num bom escritório de grande empresa, posto no governo, com salário alto e promoções futuras? Cada vez que o jornalista descobria que o furo ficava importante para a sociedade, mais oferecido se tornava, com promessas tantas e propinas mil deixando o dono do furo sem saber o que fazer. Para tanto a notícia achou de também chantageá-lo, dizendo que estivera em contato com outros jornalistas e quem pagasse mais, levaria o que sabia. Diachos... filho da puta! Esse cara é pior do que nós jornalistas! Fica preso aí nesse contêiner procurando ar.Pra filho da puta o melhor é o anonimato!

sábado, 2 de abril de 2011

UMA CANTADA DOS INFERNOS


Vai um suflair aí, Doutor?
Não! Obrigado!
Vai doutor, leva, é baratinho...
Não quero!
Não me diga que não tem uma moeda sobrando?
Tenho mais é pra outras coisas.
Pra gasolina?
Não!
Pagar cartão de crédito?
Não!
A conta do celular?
Não!
Aproveita. É só um real o chocolate Dr.
Não quero. Já disse!
Como é difícil tirar um real de uma pessoa.
Quer ganhar mais?
Como assim, doutor?
Entra no meu carro que te dou 100.
100 pra fazer o que?
Varias coisas.
Como assim?
Topa fazer de tudo?
Tudo o que?
Tudo!
Mas tudo não diz nada. Seja mais objetivo.
Tou precisando de uma companhia.
Pra que, doutor?
Pra fazer umas coisas...
Que coisas?
Escute aqui, sei que você não é burra...
Não tou entendendo, doutor.
Quanto tempo você demora pra ganhar 100 pratas?
Uns 15 dias.
Não acha legal ganhar 100 em menos de duas horas?
Pra fazer o que?
Não se faça de desentendida sua bonitona...
Cê acha?
Depois de uma ducha no capricho fica mais ainda.
Cê acha?
Sobre cama macia, cheirosinha, vai valer mais de 100.
Pra fazer o que, doutor?
Eu quero sua “buceta” por 100 reais, topa?
O doutor tá é doido!
Tou doido por você!
Eu sou virgem.
Pago dobrado!
Até tou precisando de dinheiro e de perder a virgindade. Sou motivo de gozação das amigas de escola.
Sua mãe não tá precisando de 200 contos?
Precisando tá, senão não tava aqui embaixo desse solão tentando arrancar uma moeda. Com 200 reais você vai ao mercado e enche a dispensa.
E o que digo pra minha mãe?
Que você achou o dinheiro. Você tem de tudo?
Não.
Então...
Doutor, os outros carros querem passar.
Deixa esses filhos da puta buzinar.
O doutor é doido.
Tou doido por você. Por esses seus olhos!
Vixe!
Por esses peitos...
Isso é coisa feia, doutor.
Feio é você ficar aí nesse solão tentando ganhar 1 real.
Quem faz o que o doutor quer por dinheiro é prostituta.
Prostituição hoje não é crime nem pecado. Crime é o que vc faz quase de graça. Com esse corpo aí, você vai viver bem melhor... e se for esperta ficar rica!
Tem um monte delas que fica rica, Dr?
Se tem...
Não tenho coragem, sou muito nova, tenho medo.
Digo pra você que não tira pedaço. Lavou tá novo!
E a alma, doutor, não fica escangalhada?
Fica se você não aceitar. Duvido que sua vida seja açucarada vendendo esses doces.
Não é doce, mas também não é amarga.
Se não é uma coisa nem outra, por que não muda pra ver se adoça um pouco mais?
Não sei...
É só entrar no carro e sua vida muda.
Como pode uma vida mudar por causa de 200 reais?
Isse é dinheiro de saída, moleca. Se você aceitar e der tudo certo, todo dia você pode ganhar até 1000.
1000, doutor?
Se for esperta até 1500.
1500?
Com esse corpo, bonita como é, e esses peitos e esses olhos, logo tá até pousando pra revista.
É verdade, doutor?
E não é...? É só contar dos seus desejos pra pessoa certa, que sou eu, que você vai voar alto.Vamo?
Não. Prefiro vender os doces.
Deixa de ser boba, entra logo. Você só vai sair ganhando.
Doutor, não me faça sonhar.
Não é proibido!
Pra pobre que nem eu, é.
Não é! É só você usar o que tem de melhor!
E o que eu tenho de melhor?
Seu corpo.Vende ele que você sai da pindaíba. Aproveita enquanto é nova!
Não sei...Posso falar com minha mãe...
Então vai.
Tá bom...
Vai logo filha desalmada, entra logo naquele carro, não vê que é nossa salvação!...

terça-feira, 29 de março de 2011

MISOGINIA

Pra ti nunca mais estarei ausente
Meu presente é te pôr pra cima até chagar as nuvens
Mereces essa viagem astral numa penetração vaginal
Pra esquecer o mau que te fiz no ontem.

Posso dizer que um dia fui cruel
De ti arranquei fel de lágrimas insepultas
Mas esse tempo passou
Agora é só cultivar o amor.

A minha misoginia em relação a ti acabou
Di hoje em diante és a flor do meu jardim
Que cultivarei com o melhor dos instrumentos
A solidariedade em te amparar do mundo vão.

Para uma mulher como você
Voarei às alturas
Até pegar o pássaro do teu desejo
Por virar águia para te alimentar com paixão.

Essa ansiedade presente... que não me deixar mentir
Verás quando puser a chave na porta e abri-la
Estarei te esperando num sorriso largo
E a cama arranjada pra ser desarrumada no fulgor dos nossos corpos.

Então estarei muito mais amando as mulheres
Que gostam de se amparar no corpo solidário de um homem
Sem os recalques da igualdade de direitos
Que elas conseguiram por esses anos de busca por independência.

sábado, 12 de março de 2011

MIRÓ E PEZÃO CAGAM VERBOS NA RUA...




MIRÓ E PEZÃO CAGAM VERBOS NA RUA

São Paulo, Capital. Sábado, 14:30. 10 de Março de 2011.
Discussão filosófica ferrada.
Com direito a parada na calçada.
Gente passando, carros transitando. filosofia no ar.
Seria sobre o entorno do bairro do Campo Limpo a conversa que saía da boca do Miró? Dava cambalhota letras procurando se amparar na linha do tempo pra formar uma bem bolada batida poética?
Seria conversa em verso e prosa dispensada com fôlego da goela do Pezão, cuspindo com cuidado para não sujar a cara da invenção poética?
Quase parei pra entrar na discussão. O trânsito não deixou. Safado!
Parecia os dois  inimigos de morte, daqueles que nas brigas à foice, no escuro, faca ou tiro aos modos dos cabras sertanejos dos anos 30, um cai prum lado, outro cai pro outro. Luta sem direito a mocinho ou herói. Só sangue e honra.
Seria problema do cotidiano da periferia de todo canto. Essa sem fôlego para respirar em muitas áreas que a compõe? Do Recife, por exemplo?
Estavam discutindo problemas da política nacional que ainda investe pouco em diversas áreas?
Bato palmas. Palmas para os saraus que estão a mil investindo na discussão dos problemas da região, e do país, e não se empolgam em emplumar-se da vaidade somente pela criação de um poema.
É isso aí Fernando da Fundão, Binho do Sarau do Binho, Sergio Vaz da Cooperifa, Ferréz da interferência e 1 da Sul. Citado quem mantenho contato direto, claro, os outros saraus devem tomar da mesma atitude. Tipo, atiçar a labareda pro fogo em chama intensa chegar nas cabeças em torno das reivindicações da população.
Quanto mais gente de cabeça erguida para o alto com suas narrativas sobre a ira das dívidas do seu território, mais ouvidos serão abertos.
A discussão de Miró e Pezão, na rua, com paradas e movimento, passou-me que iam comer uma feijoada. O dia tava nublado e frio em Sampa, ou iam ao lanche do Bola, estavam bem próximo dele, na mesma calçada. Espero que não tenham comido apenas comida sólida. Que variedade grande de letra tenham mastigado para formar ferrenhos poemas. Os saraus merecem, os poetas merecem entrar numa de criar sempre para espantar as mazelas que afligem o cotidiano do próprio poeta, e das pessoas que andam a mil para encontrar um céu de anil para suas cabeças sempre em movimento, cinza.
Elza caga na rua...(Miró), Nós é ponte e atravessa qualquer rio (Pezão)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Tão cobrando o tema do livro - Aí Vai!


O livro narra a trajetória de um retirante, desses aventureiros sem parada, sem profissão definida, analfabeto, que acaba chegando a São Paulo e indo parar no Bixiga como morador de cortiço, mas também como sonhador de possuir casa própria, quando se junta aos sem teto para isso.Como pessoa sem nenhum esclarecimento, e com o passar dos anos os bicos diminuindo, passa basicamente a ser sustentado pela mulher que conheceu numa gafieira do centro da cidade e logo foram morar juntos no pequeno espaço apinhado de gente.Lá está o inferno.As brigas e discussões entre ele e a amásia chegam a um limite máximo, até que ele decide fazer alguma coisa para mudar a direção da sua vida e ganhar algum dinheiro para sobreviver sem precisar dela que tanto o humilha por ter emprego e ser quem mantém as despesas da casa.Imagina entrar para o crime, por ver tanto ao derredor se dar bem, virar amante das próprias mulheres do cortiço, que são umas carentes, cometer um crime para ir parar na prisão, por entender que lá ele viverá melhor sustentado pelo estado. Enfim, é um drama humano de um homem para sobreviver em meio a selvageria que é hoje numa metrópole como a nossa, bem mais para uma pessoa como ele. O livro não para por aí, ele entra num clímax no final, para que ele, (Sujeito Oculto, pois ele não é visto por ninguém, só é visto quando alguém está precisando de sua ajuda, quando ele é o precisado, não é enxergado) consiga manter o que conseguiu achar para não passar necessidade até mesmo referente a alimentação, retirando os inimigos de qualquer forma do seu caminho.É uma questão de sobrevivência e fará tudo que for preciso para isso.É um romance que chamo de literatura social, outros escritores da “perifa” que pega fogo em cultura, chama de literatura marginal, inteiramente engajada em ver a sociedade por um viés muito cético, é tanto que o livro é narrado no futuro do presente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

CAPA ACABA DE SAIR DO FORNO


Este é mais um trabalho que demorei mais de sete anos para concluir.Particulamente estou contente com o resultado final deste romance, espero que quem tiver oportuiniodade de lê-lo, pois ele terá pouca abrangência, naturalemnte, por ser editado por uma editora pequena, e que foi escrito trabalhando os períodos e diálogos como os grandes escritores faziam no passado.Na calmaria de ser somente EU e os personagens diante de uma tela acessa, já que basicamente é meu primeiro livro que escrevo totalmente no computador.Este ser tão vivo, o computador, ligado a net,nos dar a chance de pesquisar sem tanto sacrifício que é escrever à mão como eu fazia, depois batia à máquina remington que ainda se encontra aqui do lado.Quem ler este trabalho vai ter o prazer, ou o desprazer, de se deparar com a miséria humana vivida pelos esquecidos, os sujeitos ocultos, os Zés ninguém que lotam as áreas esquecidas da cidade pelo poder público e o capital especulativo.Boa sorte para este que vem a muitos anos lutando para pôr sua literatura nas mãos de quem ainda acha que literatura,(longa, romance de mais de 250 pág. é forma de expressão artística e que tem algo a dizer.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

DIGITALIZAÇÃO DOS ARQUIVOS DA FOLHA


A folhga de São Paulo está disponibilizando, por prazo determinado, seu acervo desde 1921.
Achei matéria publicada a meu respeito e de minha literatura no ano de 2000, quando o escritor Marcelo Rubens Paiva me entrevistou em seu ap.No mesmo dia eu fiz o musikaos apresentado por gastão Moreira.Saudades.