Outro dia me peguei caminhando no sentido contrário.
Pra onde ia.
Doido pra não chegar.
A MORTE me surgiu como amiga.
Desviou-me do caminho que me matava todo dia.
Doava sua bondade me direcionando pra outras
bandas.
Ficamos amigas. Dizia ela que não me queria pra
morar no seu reino.
Por hora. Ora! Inclusive me aconselhou a pegar
novos rumos.
Se sentir forte, aprender mais e mais pra ter o que
contar às gerações futuras.
Prometeu que estava disposta a me esquecer por
longos anos.
Até chegar a velhice.
Sem ser daquela que apieda as pessoas e dá muita
faina a família.
Aconselhou que eu usasse o cérebro e o físico.
Como faz desde que nasceu lá pra’s terras do
sertão.
Não parasse de estudar filosofia, sociologia,
história pra desvendar as artimanhas humanas.
Tinha muita gente à minha frente para ir atrás com
sua foice amolada.
Uns caras que negavam pão a quem tinha fome.
Agasalho a quem tinha frio.
Tipo de gente que recebia o vento úmido da noite
soprando farpas.
Uns truculentos desumanizados radicais preparados
para matar os diferentes.
Essas coisas que os cidadãos de bem nas suas
individualidades querem que o miserável deixe de ser próximo, e vá procurar sua
turma no lixo que eles produzem.
Amigo, Zé, siga seu caminho sem desviar da sua
intenção.
Não se esqueça de estender a mão a quem precisa.
Gente fina essa morte.
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