- Fui uma criança e adolescente criado sem acesso a arte da diversidade. Minha casa de taipa não tinha nada relacionado a discos, livros, rádio, TV, revista. Pobreza quase absoluta. Lembro que, só mais tarde, quase aos dezoitos anos, já morando numa casa nova de alvenaria e caiada de amarelo, meu pai conseguiu comprar um rádio com uma graninha extra que entrou do seu trabalho. O trouxe do Recife, única cidade grande que conheceu. Lembro ele abrindo um saco de açúcar e apresentando o aparelho. Depressa um monte de rapaz e meninos, eram oito irmãos, todos homens, deram jeito de ligar na tomada. Com o tempo correndo eu que ficava mais tempo o escutando depois das lidas nos campos como boia-fria. Esse rádio me segurava a seus pés ouvindo a rádio verdes mares de Fortaleza, nos programas que tocavam músicas populares mais elaboradas com o cantor Ednardo, (pavão misterioso) Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Bethânia, Gal. Nas horas mágicas da tarde com a noite tomando lugar do claro do dia, escutava uma rádio de Cajazeiras, a altos piranhas, nesse horário tocava um programa de nome forró do varandão. Esse rádio, ainda hoje lembro, e revivo a cena, um dos meus irmãos mais velhos do que eu, o jogou ao chão, com muita raiva, pela pressão que estava passando pelo meu pai lhe cobrar se casar com uma moça maior de idade que ele tinha levado pro mato e feito sexo com ela. Casou-se na marra, na polícia, como diziam. Lembro do tio da moça, que era o tutor dela, ao chegar em minha casa, numa tarde calorenta do sertão e falar com o meu pai que sua sobrinha havia contado do caso. Tinha perdido a virgindade. Espatifado o rádio, fiquei sem minhas viagens lúdicas nas músicas diferentes dos forrós tocados nos rádios dos vizinhos. O cinema da vila também me fazia viajar muito para dentro dos filmes de faroeste, algumas séries do zorro, superman. Os filmes que mais me deixavam triste e numa preocupação de estragar momentos alegres, eram aqueles que tinham, na sua narrativa, o cangaço e a seca Nordestina. Gostava tanto de ver os filmes no pequeno cinema da vila que, numa tarde, à boca da noite, sem dinheiro para pagar ingresso, eu e um colega entramos no cinema mais cedo e ficamos atrás da tela sentados nas vigas que a segurava. Assistimos a exibição do filme ao contrário nessa noite. Foi uma aventura e tanto. Todo sábado era exibido um filme. Quando o filme era, de fato, muito chamativo, havia duas sessões. Paixão de Cristo, na Páscoa, era um deles. O filme retirava quase todos de suas casas para assisti-lo, depois da janta, que era cedo. Este fazia o chão umedecer com os olhos dos caboclos sangrando o sofrimento de Jesus açoitado, ferido, ensanguentado morto na cruz.
- Memorial do inicio de 1970 em diante.
Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
quinta-feira, 20 de junho de 2019
AQUI TEM HISTÓRIA - É TUDO VERDADE I
terça-feira, 11 de junho de 2019
LUGAR DA PALAVRA
terça-feira, 11 de setembro de 2018
NossA BarcA ModernA
sexta-feira, 15 de junho de 2018
VÃO PRO INFERNO!!!
Vão pro inferno todos que querem que todos se fodam pelo poder aquisitivo que conseguiram juntar comendo a carne do nosso calcanhar.
Vão pro inferno aqueles que querem retirar do ar e querer só para si o ar que todos respiram.
Os paletós que vestem gravata vivem muito de bravata.
Jogam água de pingos flácidos em cascata já formada.
As gargantas que gritam... oléééé!!!
Não sabem dá olé, por ser ralé pros políticos de ocasião.
Os biquínis que vestem xanas, protestam em não querer cobrir as bundas, pela mídia derreter-se sobre elas nos realitys shows da vida mundana cotidiana.
Os sutiãs que vestem seios, também querem roçar pelos pubianos e gozar sem por para dentro, por medo de gerar filho sem pai e leitinho no futuro.
Adorariam ser roçados pelos olhos de desejo dos moleques punheteiros.
Vão pro inferno os invernos sensoriais dos que só criam ilusão de ótica para os espertos da vagabundagem.
Vão pro inferno os campos que não geram pão caseiro, que recebem a Monsanto como parceiro no envenenamento de cérebros de bebês e de marmanjos.
Vão pro inferno quem não sabe onde pisa, ora pois, que pise no calcanhar de quem não lhe deixa passar correndo de um ladrão bem posto em Brasília, que ora todo dia ajoelhado na catedral de vidros coloridos.
Vão pro inferno os que negam pizza a um faminto, quando este não encontra no lixo o que saciar sua fome.
Vão pro inferno do ártico àqueles que têm muito agasalho,
mas não agasalham filhotes como as mães galinha.
Preciso destruir a alma de quem não tem alma e se alarma com quem alma tem demais para doar!
Vão pro inferno quem ejacula com a boca cuspindo asco nas pernas das santas e sabe que a manta que o cobre, custa o suor do trabalhador.
Políticos corruptos, do centrão, vão pro inferno!
Vocês deixam nossas pobres crianças na tempestade do deserto, sem merenda escolar, são descolados em enganar o eleitor e desviar verba pública pra novas campanhas patrocinar.
Sem a papa que empapa o papo dos passarin, não tem dialogo pra se comemorar, nossa derrota logo mais terminará, quando às ruas se encherem de nós propondo tudo quebrar.
Vão pro inferno quem não consegue ficar do lado certo, depois do crescimento do intelecto em universidades públicas, as privadas criam muitos intelectuais com muita merda na cabeça dispostos a sujar a louça com peidos frouxos.
Vão pro inferno os canalhas sem remédio para curá-los.
Vocês merecem uma mão na fuça antes que a faca venha com fúria e lhes arranquem o fígado.
Sabiá, azulão, bem-te-vi, os vi cagando como eu no cangote destes hipócritas, que acham que só eles têm direitos, por ter grana na Suíça e fazer faltar o pão aos pobres desta nação.
Ah, vão pro inferno quem se acha bonito e gostosão e querem todas mulheres gostosas pra si, deixando muitos de nós desarrumados se arranjando na mão.
Ah, vão pro inferno! Diachos!
domingo, 18 de março de 2018
MARIELLE, MARIELLE
Difícil sintetizar o som em palavras positivas que saia da voz de Marielle e entrava pelos ouvidos da população no ativismo social que, via nela, sua representante direta, sim, porque ela estava onde estava a discriminação, a injustiça, o desdém, a pobreza, a humilhação, a discriminação a gênero e orientação sexual, a discriminação de ter sido mãe na adolescência, (como muitas meninas são nas periferias de todo o país, inclusive tendo que deixar de estudar pra cuidar da criança, passando por muita dificuldade em voltar para a escola e seguir em frente seus sonhos de ser alguém que terá uma profissa diferente da maioria da população do entorno.
Defender direitos humanos num território de pessoas desumanizados não é nada fácil, pedras voam em potencial velocidade para acertar e derrubar quem defende esses ideais, no caso de Marielle foram balas na cabeça, que levaram em sua companhia, seu motorista Anderson.
Essa gente conservadora, fascista, que tem na opinião a ilusão de fazer justiça com as próprias mãos, que acha que lugar de pobre é onde nasceu, deve ter nascido em berço de ouro..., (ou não, também tem muito pobre que pensa assim, por conviver com essa gente e dar as costas para receber chicotadas, muitas vezes, por um salário de fome).
Muitos com mentalidade fascista, não deram margem para se humanizar, mesmo cuidados por trabalhadores domésticos, recebendo apoio de mãos vindas dos guetos, das favelas, dos cortiços, de zonas rurais, de onde surgem muitas mulheres pesquisadoras, instruídas nas universidades públicas que lhes abriram as portas e a cabeça, que usam cabelos crespos como atitude de representação de uma classe discriminada para dizer a que veio.
A polarização entre os extremos políticos, direita, esquerda, está levando o eleitor de diversas ideologias, se digladiar nas redes sociais, criando mentiras pomposas para o fim de descaracterizar o passado da representante dos oprimidos, da mulher que representava um futuro promissor como esquerda autêntica, daquela em que surgiram vários representantes, e também foram, ou estão sendo delegados a eles, inverdades a despeito do poderio de voto que carrega para as próximas eleições.
Ao longo dos anos, a política brasileira sempre teve em foco, através da objetiva de longo alcance, na caça aos políticos verdadeiros representantes do povo, e por esse tempo, o veneno que está em foco, em dose cavalar, é a caça a quem se dispor ter opinião em defesa das minorias, dos trabalhadores do campo e cidades, que têm poder para eleger mais um presidente da república que apeteça seus sonhos e os represente.
A velocidade da informação dos veículos de comunicação e a quantidade de pessoas que a ela tem acesso, não espera que cruzemos os braços, trabalhadores, todos têm que acender a lanterna para sinalizar o caminho que leve a maioria receber informação, e não ficarem sentados em cadeiras confortáveis, apenas vendo até onde vai dar o fim do filme que não acabará nas eleições de outubro. Vai longe, e todos precisam participar como figurante, coadjuvante ou ator principal.
domingo, 25 de fevereiro de 2018
TUDO PELO SOCIAL
domingo, 17 de setembro de 2017
UM VELHO SAFADO
Há um tempo onde tudo termina, pois não é? Ah, se não é!
Para animais que leva na parte superior do corpo, órgão que a natureza deu-lhe para pensar o quanto quiser e o que lhe ataviar, não poderia ter nascido para outra função, ser superior aos demais animais da natureza.
Animais racionais como nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer e resistir e sentir, massa craniana é componente sem reposição por parte da medicina, mas pode viver até o apagamento total sem drama ou com, sem amor ou com, se compondo de sabedoria ou ignorância.
Era o que acontecia com o velho Laza, chamado assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres e, pelos inimigos de concorrência profissional e de vida pessoal, filho da puta de quinta grandeza.
Coroa muito esperto. Ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para qualquer situação na massa encefálica. Se não fosse pela doença, estaria fazendo e acontecendo.
Mal que o pegou de uma hora para outra o pôs sobre uma cama. Encontrava condição de se mexer um pouco aqui, um pouco ali, por não ter condição de se locomover com maior ou menor velocidade. Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior eram acontecimentos do passado, perdidos há pouco pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue importante para as regiões que precisam ser visitadas de instante a instante.
Viveu muito o coroa Laza, o quase morto já, o que esperava a vela acessa diante a morte que não tardava levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer, ou azulada em espaço que ninguém veio contar como é, mas que dizem os espiritualistas que existe e que todos desejam estar após a passagem.
De todos os fatos que passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais marcou foram àqueles relacionados às mulheres.
“Vixe Maria! Eh mulheres luminosas que me encantou com a formosura, com os declives e aclives do corpo e com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia elastecer os dias sem serem por arrasto, esses se descortinavam com prazer, por muitas vezes serem curtos para tantos encontros de negócios e amores”.
Muitas delas passaram pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade.
Andando pelo glorioso passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora, era muito visitado por diversas mulheres. Gostava de experimentar todas as raças e teve com isso de conviver com a esposa que nunca deu bola pra verdade ou mentira que circulavam nos encontros granfinos a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a perder a firma.
Laza sente que ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos quais passou em convívio com as mulheres.
Viveu intensamente o coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, ainda encontra na massa encefálica, refúgio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida divisa com um sorriso tímido do quase morto. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das mulheres que conseguiu amar até onde pode.
Sonhando como sonhava nas horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava palavras de entusiasmo para com nomes de mulheres que se atiraram sobre seu corpo.
Tempos bons que se foram voltava tão somente nas viagens que a cabeça ainda conseguia fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos pensamentos.
As mulheres sempre exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas mulheres que do corpo, as deusas mitológicas saem perdendo, aquelas que do rosto, Monaliza, de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Kouri.
Deitado com o costado no colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no fundo d’alma quase morta, o benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo. Os pensamentos.
Numa dessas ocasiões, recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas meninas bem jovens, mas que sabiam de tudo sobre os tempos modernos, meninas que, como as amantes do incapacitado moribundo, conheciam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas regadas a droga e hock end roll, nas festas raves servidas a comprimidos êxtase, complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de ser jovem.
Saindo às outras visitas, acharam por bem fazer um estudo mais aprofundado com o quase morto e começaram por alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés, as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer a quem por elas passavam no serviço da satisfação ao prazer da carne, que levantavam até defunto.
Há muito, o moribundo sem abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os olhos vindos às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo que pode distinguir, descobriu que podia mexer com maior intensidade as pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto, retesou até onde pode nessa hora.As juntas estalaram, as duas riram e se divertiram, por achar que estavam recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas, descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto as visitas não apareciam no quarto pela fofoca que conversavam na sala, e em discussão para quem ia o quê depois que o velho juntasse os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo ao renascimento.
Mordendo joelhos, passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado, quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou a ser levada as suas partes pubianas. A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a quem precisava? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz?
Talvez não fosse nem uma coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrado hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido dessa forma com rapazes e moças de mesma idade.
Usavam de tudo que podiam pra fazer com o doente aquilo que deviam ter muita experiência em fazer no banheiro da escola, no carro ou num motel.
Só não acreditaram que o doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, caiu às cobertas. Assustaram-se com o membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que estava baixando um santo, dizendo o velho às duas moças que ia morrer satisfeito por elas terem surgido e o levado a perseguir horizontes de um passado cheio de glória sobre o sexo.
Venham meninas, estou pronto para morrer nos braços de vocês, façam esse favor a quem desse dia não passa. Dizendo isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para sala as duas, onde as visitas se achavam e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e caído novamente, dessa vez sem se mexer.
Chegando ao quanto encontraram o doente no chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada como boa química para dar vida a quem está morrendo, quando em excesso retirar de vez.
José Sarmento