Tamo junto na quebrada pondo pena nas asas desses jovens!
No futuro sua arma vai ser o saber, o livro, não um três oitão apontando pra cabeça das pessoas. Espero! A leitura tem a força, sem ela seremos uma sociedade burra, que relincha, ao invés de conversar!
Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
LÍTEROPALESTRAS DE ZÉ SARMENTO
Nessas conversas literárias e sobre tudo que interessa aos jovens, dã uma dó do cão, quando termina e eles veem em cima da gente querendo livro pra levar pra casa.Doo alguns livros, mas o bom seria se tivesse mais livros, inclusive de outros autores para doar.Percebo uma verdade neles quando se aproximam e pedem dizendo que vai ler. PMLLLB ver se sair do papel pra ajudar os escritores periféricos encher as comunidades de livros.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
SE EU FOSSE DONO DE MIM
Ah, como gostaria de ser dono dos meus atos!
Ia fazer um monte de merda.
Ia pôr fogo no fogo pra incendiar as mentes travadas.
Ia pôr fumaça nas chaminés pra derreter o picolé
de quem anda chupando o sangue do trabalhador.
Lenha na fogueira EU ia botar,
pra fazer atiçar o braseiro da desordem emocional
pra muitos cair na real.
Ia tirar água da boca de um sedento,
pra ver se ele tomava xixi como água mineral.
Fazer faltar oxigênio no vento, EU IA,
pra acabar com o correr do tempo.
Ia tirar os glóbulos vermelhos do sangue dos intransigentes.
Ia tentar ensurdecer os ouvidos dos que gostam de axé,
funk, breganejo, bregode.
Ah, se eu fosse dono dos meus próprios atos!
Cortaria as pernas
dos que tem pernas de mais para andar
sem ter aonde chegar. Ia fazê-lo vagar pra poder se
encontrar.
Se eu fosse dono dos meus próprios atos,
cortaria a língua dos que falam a língua culta
e ocultaria o som dos distraídos nas baboseiras das
bebedeiras
dos balcões de bar.
Se eu fosse dono de mim mesmo,
faria que as nuvens parassem de mover-se,
que a chuva parasse de cair no verde que já chegou a seu limite.
Se eu fosse dono de mim mesmo,
faria que a cachorrada da periferia latisse quando o vizinho
escutasse
o seu som fora dos seus limites.
Se eu fosse dono de mim mesmo, reagiria ao som dos baluartes
que esfregam o nariz em bundas de mulheres fruta
vitaminadas pelas agulhas siliconadas.
Se eu fosse dono de meus atos, botaria um feio sapo no prato
de refeição
de quem pretende me encher de sermão.
Se eu fosse dono de mim mesmo,
também pediria que a quebrada reagisse,
se enchendo de reboliço com o corpo cheio de feitiço,
pra fazer a paz reinar entre os irmãos de mesmo teor de
sofrimento.
Se eu fosse dono dos meus próprios atos...Ia te pedir um
abraço
quando me encontrasse, de fato, carente de sua amizade.
Zé Sarmento
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
CONSELHOS VELHOS AOS NOVOS
Jovem, quando
engatei a primeira marcha em direção ao nada
o que achei
foi você sonhando com tudo
se jogando
pra se descobrir nos destroços de uma sociedade confusa.
Jovem, é bom
que se ache por dentro da sua quimera.
Para um
velho com EU, o que conta é cada dia,
um atrás do
outro rememorando saudades.
Imagine o
quanto é duro ter que carregar o passado
dentro de um
fardo que perdeu a mocidade.
Vá à luta,
jovem sonhador.
Sabe-se que
a dor quando medicada com pitada de relevância,
numa mente
juvenil,
dói menos
que as dores que se apropria dos velhos
que perderam
a esperança.
Siga em
frente, jovem.
Vá com
passos decididos entre o meio fio da navalha
e as folhas secas que caem ao soprar do vento.
Sou uma
delas esperando ser sorvido pela terra pra adubar novas crias.
Pra quem já caminhou
muito por estradas sinuosas
e se
apoderou do tempo como irmão de pele enrugada,
custa um
alto preço
tecer a lã
do tempo em busca de novos horizontes.
Caminhando,
jovem, é que se acha o alimento que nos põe de pé.
Sereno, suba
o rio remando a favor, ou contra a maré.
Digo que é
assim, jovem, numa hora vem à calmaria, noutra a ventania.
Chegue aonde
der sem se sujar no esgoto que corre a céu aberto.
Nele vai achar
algum inseto que vai te querer picar
e teu sangue
contaminar com o veneno do ceticismo.
Digo que o
meu sangue velho, ainda é puro como mel.
Não se
deixou contaminar por infusão confusa
vinda de
mente pouco persistente para o grande embate que é VIVER.
Zé Sarmento
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
REFLEXÃO
REFLEXÃO...E a partir do ano que vem a
onde vai nos levar a política neoliberal, se a
Marina Silva ganhar essa eleição, em? Vai que, na calada da noite, ela forma uma
base de apoio neoliberal e até o SUS cai nas mãos deles, também o Banco do
Brasil, Petrobras, Caixa, Pré-Sal. Todas essas empresas estatais ou mistas
serão entregues a preços de banana, apesar de banana ter encarecido muito, e os
investimentos em cultura diminuídos, em? É
a lógica do mercado, afastar o Estado dos investimentos e deixar a livre
iniciativa bater todas as faltas que sejam propícias a gols. Depois de um tempo,
se der errado, lá vem eles, os neoliberais, numa grita de ensurdecer pedir
arrego ao Estado, dá-lhe a nós pagar a conta. Aí lá vem o Estado salvar aqueles
que o quiseram fora. Foi sempre assim.
E as conquistas sócias, tão
relevantes para as classes menos favorecidas que precisam da mão gorda do Estado
na educação, saúde, transporte, moradia, etc. E o grito do trabalhador comum
que geralmente não sai às ruas: por favor, governo neoliberal, pelo que sei
fazer e ganho como salário, não consigo acompanhar a subida dos preços, pagar aluguel,
prestação da casa própria que o setor privado estipula e faz o preço, preciso
do Estado como um parente amigo que ajuda quando da necessidade! Meu carro
comprei em sessenta meses, também não consigo mais pagar as prestações, o
neoliberalismo tá vindo com muita sede ao pote, os juros tão muito alto!
Quem diária, em, classes A e B
votando numa religiosa, se misturando com a bíblia segura por mãos que passam o
dia todo trabalhando em suas funções mais simples, e corre nos fins de semana
para ouvir os discursos de pastores que precisam que paguem por compra de
pedaços do céu para salvar as suas almas sofridas. Lembra-me a eleição do
Collor, com a grande mídia o ajudando se Eleger. Será que toda essa gente vai
continuar como massa de manobra para as elites desse país? Será que é do tipo “santa
do pau oco”, tem um discurso que enseja esperança, mas no fundo não o sustenta quando
for levada ao atrevimento do mercado que engole até aqueles com base mais sólida
politicamente, e a sua base de apoio no congresso nacional vai ter maioria do
baixo clero ou dos políticos eleitos por banqueiros e empreiteiras? Será que as
políticas públicas conseguidas com tanta luta com o governo do PT e os partidos
aliados, vão continuar privilegiadas para os moradores das periferias que
precisam tanto ser olhados com mais carinho, e os jovens, vão continuar com uma carreira garantida de
ter e fazer um curso superior através de
bolsas do PROUNI. Sabe-se que tudo isso tem lei que garante verba no orçamento
da união, mas também se sabe que o
Brasil é um dos países que mais vota leis para qualquer evento, mas quando
falta boa vontade da classe política, não adianta muito. Quero tá vivinho da
silva pra ver o circo pegar fogo, e ver os primeiros a sair chamuscados dos
levantes incendiários que virão: os trabalhadores.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Morador do Campo Limpo escreve trilogia sobre bairros periféricos
POR BLOG
24/07/14 18:36
Escritor de sete livros e autor da trilogia “Paraisópolis – Caminhos de Vida e Morte”, “Bixiga – Um Cortiço dos Infernos” e “Ângela: um jardim no vermelho”, José Marques Sarmento, mais conhecido como Zé Sarmento, é morador do Campo Limpo, zona sul de São Paulo.
Zé nasceu na Paraíba e cresceu no campo, entre irrigados e a secura nas estiagens que maltratavam o Nordeste. Trabalhou como boia fria até os 19 anos. Por ter pais analfabetos e na ausência de escolas, alfabetizou-se somente aos 14 nos e, de lá pra cá, nunca mais parou de ler e escrever.
Ainda jovem veio para São Paulo, se casou e se tornou técnico cinematográfico. Após completar 50 anos, decidiu concluir os estudos pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos) e, com uma bolsa integral, se graduou em História.
Por todo seu histórico, por ser o primeiro da família na universidade e pelo curso que escolheu, surgiu o interesse em contar histórias da comunidade e da periferia.
Misturando ficção com a realidade, os personagens da trilogia são retirantes que escolheram São Paulo para fugir da miséria. Por meio deles, Sarmento mostra o desenvolvimento da cidade e o crescimento desordenado com as invasões de áreas de riscos, de mananciais e córregos.
“Senti a necessidade de mostrar o ambiente de becos e vielas, no qual os personagens vivem, atuam socialmente, constroem suas moradias depois de muita luta das invasões e dos loteamentos populares feitos por espertos agentes imobiliários”, conta.
O autor explica que no primeiro livro da trilogia, o bairro de Paraisópolis se apresenta como solução para a casa própria, em um terreno intermediário da cidade.
No segundo, no Bixiga, no centro de São Paulo, o morador pode se consolidar por meio de invasões dos sem-teto. Já no terceiro, há a luta pela casa própria, nas encostas da represa de Guarapiranga, tendo como cenário o Jardim Ângela.
Para divulgar suas obras, Sarmento explica que onde ocorrer uma aglomeração “fervendo arte”, ele estará lá. Frequentador dos saraus da periferia e do centro, ele lê seus textos e divulga suas publicações. Em bibliotecas públicas, já foi convidado para falar de literatura para estudantes do ensino fundamental, médio e do EJA.
Este ano, doou 70 livros para uma escola pública em Paraisópolis. Agora, os alunos estão fazendo uma vaquinha para comprar mais 300 exemplares da sua obra, para um projeto de leitura com as turmas do ensino médio, no segundo semestre deste ano.
“O que vale para as editoras capitalistas é o nome, e não o conteúdo do livro. Por isso fui à luta, editei com tiragem reduzida e com produção por meio de demanda. E vou vendendo, doando e quando preciso, peço novos livros. Quem se interessa, envio por correio. Hoje é mais barato editar. Várias editoras já trabalham assim, por demanda”.
Cíntia Gomes, 30, é correspondente do Jardim Ângela
@cintiamgomes
cintiagomes.mural@gmail.com
Zé nasceu na Paraíba e cresceu no campo, entre irrigados e a secura nas estiagens que maltratavam o Nordeste. Trabalhou como boia fria até os 19 anos. Por ter pais analfabetos e na ausência de escolas, alfabetizou-se somente aos 14 nos e, de lá pra cá, nunca mais parou de ler e escrever.
Ainda jovem veio para São Paulo, se casou e se tornou técnico cinematográfico. Após completar 50 anos, decidiu concluir os estudos pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos) e, com uma bolsa integral, se graduou em História.
Por todo seu histórico, por ser o primeiro da família na universidade e pelo curso que escolheu, surgiu o interesse em contar histórias da comunidade e da periferia.
Misturando ficção com a realidade, os personagens da trilogia são retirantes que escolheram São Paulo para fugir da miséria. Por meio deles, Sarmento mostra o desenvolvimento da cidade e o crescimento desordenado com as invasões de áreas de riscos, de mananciais e córregos.
“Senti a necessidade de mostrar o ambiente de becos e vielas, no qual os personagens vivem, atuam socialmente, constroem suas moradias depois de muita luta das invasões e dos loteamentos populares feitos por espertos agentes imobiliários”, conta.
O autor explica que no primeiro livro da trilogia, o bairro de Paraisópolis se apresenta como solução para a casa própria, em um terreno intermediário da cidade.
No segundo, no Bixiga, no centro de São Paulo, o morador pode se consolidar por meio de invasões dos sem-teto. Já no terceiro, há a luta pela casa própria, nas encostas da represa de Guarapiranga, tendo como cenário o Jardim Ângela.
Para divulgar suas obras, Sarmento explica que onde ocorrer uma aglomeração “fervendo arte”, ele estará lá. Frequentador dos saraus da periferia e do centro, ele lê seus textos e divulga suas publicações. Em bibliotecas públicas, já foi convidado para falar de literatura para estudantes do ensino fundamental, médio e do EJA.
Este ano, doou 70 livros para uma escola pública em Paraisópolis. Agora, os alunos estão fazendo uma vaquinha para comprar mais 300 exemplares da sua obra, para um projeto de leitura com as turmas do ensino médio, no segundo semestre deste ano.
“O que vale para as editoras capitalistas é o nome, e não o conteúdo do livro. Por isso fui à luta, editei com tiragem reduzida e com produção por meio de demanda. E vou vendendo, doando e quando preciso, peço novos livros. Quem se interessa, envio por correio. Hoje é mais barato editar. Várias editoras já trabalham assim, por demanda”.
Cíntia Gomes, 30, é correspondente do Jardim Ângela
@cintiamgomes
cintiagomes.mural@gmail.com
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sábado, 23 de agosto de 2014
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