terça-feira, 22 de julho de 2008

O futebol e suas faces que nem Freud explica.

Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir.

Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos de que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.

A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.

Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.

Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?

Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.

Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.

Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.

Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.

Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.

No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.

José Marques Sarmento

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

DÚVIDAS 
Quero chegar a ti Talvez
Para pô-la entre os espaços Do meu ser vazio
Através da linha do tempo

Ele será a via espiralada Quiçá

Entrecortada por muitas nuances 

O formador do caminho mais curto

Por acaso não

Pelas minhas certezas não possuírem

A sutileza do fluxo sanguíneo 

Que corre num moço vendendo saúde 

E que nasceu para não ter dúvidas

Minhas certezas

Se as tenho 

Porventura

As gaivotas roubaram 

E balança hoje nas ondas 

Do meu mar vazio

Quem sabe

Sejam respostas sem continente povoado

Parado no tempo espaço 

Que ignora a verdade 

Mim deixando cheio de dúvidas

Talvez...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PORTA


A porta que se abria e se fechava
A porta que recebia e despachava
A porta que queria ficas mas se mandava
A porta que fazia que era mas se enganava
A porta que se olhava mas não se via
A porta que despedia e contratava
A porta que fazia entrar para ficar
A porta que fazia sair pra não voltar
A porta que era torta e se aprumava
A porta que de dia se levantava
A porta que de noite se abancava
A porta rota que dava rota à perfeição
A porta de vidro que não via quem era quem
A porta opaca que via muito quem era quem
A Porta que se abria para as traições
A porta que se fechava para o amor
A porta que não era porta mas se fechava
A porta que não era porta mas se abria
A porta que não tinha olhos mas que via
A porta que tinha olhos mas que não via
A Porta torta que dava reta a porta certa
A porta sem porta que vivia escancarada
A porta que se fechava batendo na cara
A porta que se abria para os bem vestidos
A porta que apartava pelas caras e cores
A porta que travava as buscas dos entendidos
A porta que destravava as buscas dos desentendidos
A porta que escolhia quem para passar
A porta que reconhecia os donos da maldade
A porta que reconhecia os com dom da bondade
A porta que se trancava para prender
A porta que se abria para libertar
A porta de madeira de lei que não via a lei

Há porta para toda gente
Há porta que não é porta por deixar passar
Há porta que é realmente porta por não deixar entrar
Há porta que não entende ser por viver fechada às novas idéias
Há porta que se acha muito “A porta”
Há porta que se engana mas que se acha está correta
Há porta com cara de tonta mas que é santa
Há porta que não seria porta se não se fechasse
Há porta que não seria porta se não se abrisse
Há porta para todos os gostos
Há porta que nos leva ao céu
Há porta que nos leva ao inferno
Há porta em direção a qualquer lugar

A porta certa é só procurar que existirá
A porta sem porta não seria uma porta qualquer
A porta sem porta seria a porta aberta
Que deixaria passar quem anda atrás dos sonhos

José Marques Sarmento


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Um Velho Safado

Este é um conto safado, um tanto escatológico, quase nelsonrodrigueano

Há um tempo onde tudo termina, pois não é? Ah, se não é!
Para animais que leva na parte superior do corpo, órgão que a natureza deu-lhe para poder pensar o quanto quiser e o que achar, não poderia ter nascido para outra função, ser superior aos demais bichos da natureza.
Animais racionais como nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer e resistir e sentir, massa craniana é componente sem reposição por parte da medicina, mas que pode viver até o apagamento total sem drama ou com, sem amor ou com, se compondo de sabedoria ou ignorância.
Era o que acontecia com o velho Laza, chamado assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres e, pelos inimigos de concorrência profissional, filho da puta de quinta grandeza.
Coroa muito esperto, que ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para qualquer situação na massa encefálica, que se não fosse pela doença, estaria fazendo e acontecendo ainda.
Mal que o pegou de uma hora pra outra e o pôs sobre a cama, encontrando apenas condição de se mexer um pouco aqui, um pouco ali, por não encontrar condição humana de se locomover com maior ou menor velocidade. Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior, eram acontecimentos do passado, perdidos há pouco tempo pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue importante para as regiões que precisam ser visitadas de instante a instante.
Viveu muito o coroa Laza, o quase morto já, o que esperava a vela ser acessa diante a morte que não tardava levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer, ou azulada como luz de HMI em espaço que ninguém veio contar como é, mas que dizem os espiritualistas que existe e que todos desejam.

De todos os fatos que passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais marcou foram àqueles relacionados às mulheres.
Vixe Maria! Eh mulheres luminosas que me encantou com a formosura, com os declives e aclives do corpo e com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia elastecer os dias sem ser por arrasto, esses se descortinavam com prazer, que muitas vezes eram curtos para tantos encontros de negócios e amores.
Muitas delas passaram pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade, mas que, por esses dias, anda desencorajado pelo escasso bombear de sangue do coração para todo o corpo.
Andando pelo glorioso passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora, foi muito visitado por diversas delas, desde louras a morenas, de japonesas a africanas. Gostava de experimentar todas as raças e teve que com isso conviver com a esposa que nunca veio a descobrir se era verdade ou não o que falavam nas rodas sociais a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a perder a firma. Achava que casamento é uma firma aberta a dois e que tinha que durar até o fim ou até deixar de dar lucro, como decorriam bons lucros financeiros na relação, na certa se fazia de desentendida.
Laza sente que ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos quais passou em convívio com as moças.
Viveu intensamente o coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, menos do cérebro totalmente, ainda encontra nele o refugio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida divisa com um sorriso tímido. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das moças que conseguiu possuir até onde pode, dá satisfação, vindo a calhar de ser endereçada as carnes dos lábios.
Nunca deixou de trabalhar para quase todo dia ter uma mulher diferente da sua verdadeira na cama. Encontrava muito fácil essas mulheres. Com o poder que tinha, muitas ficaram esperando namorar-lhe, e envelheceram, assim como ele, com a esperança de um dia fazer exercer o desejo de se deitar, se deitar não para dormir, mas para fodor.
Sonhando como sonhava nas horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava palavras de entusiasmo para com as moças que se atiraram um dia sobre seu corpo.
Aí meu bem, aí é bom, como você trabalha bem, você é a melhor que eu já tive.
A mulher do momento se entusiasmava e lhe dava o que ele mais gostava que elas fizessem.
Tempos bons que se foram voltava tão somente nas viagens que a cabeça ainda conseguia passagem gratuita para fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos pensamentos.
O bilhete para essas viagens, o cartão de crédito para pagá-las, o chek-in no balcão dos últimos dias, sempre surgia quando era levado a pensar nelas sem deixar de dizer que os muitos psicotrópicos que engoliam contribuíam para melhorá-las.
As mulheres para o coroa sempre foi algo muito superior às outras coisas, a bens matérias. Elas sempre exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas mulheres que do corpo, as deusas mitológicas saem perdendo, aquelas que do rosto, Monaliza, de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Kouri.
Deitado com o costado no colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no fundo d’alma quase morta, o benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo, os pensamentos.
Numa dessas ocasiões, recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas meninas bem jovens, mas que sabe de tudo sobre os tempos modernos, meninas que, como as amantes do incapacitado moribundo, sabiam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas regadas a droga e hock end roll, nas festas rave servidas a comprimidos êxtase, complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de ser jovem.
Saindo às outras visitas, acharam por bem fazer um estudo mais profundo com o quase morto e começaram por alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés, as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer a quem por elas passavam no serviço da satisfação ao prazer da carne, que levantavam até defunto.
A muito, o moribundo sem abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os olhos vindo às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo que pode distinguir, veio descobrir que podia mexer com maior intensidade as pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto, retesou até onde pode nessa hora.As juntas estalaram, as duas riram e se divertiram, por achar que estavam recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas, descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto as visitas não apareciam no quarto, posto que conversavam na sala em discussão para quem ia o quê depois que o velho juntasse os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo ao renascimento.
Mordendo joelhos, passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado, quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou a ser levada as suas partes pubianas. A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a quem precisava? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz?
Talvez não fosse nem uma coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrado hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido dessa forma com pessoas de mesma idade.
Usando-as de tudo que puderam em relação a fazer com o doente aquilo que deviam ter muita experiência em fazer com os rapazes nos banheiros da escola, no carro ou num motel, levaram-no a reviver um passado cheio de gloria sobre as mulheres.
Só não acreditaram que o doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, lhe caíram às cobertas. Viram que ficou de pé repentinamente e se descobriu uma criança vindo ao mundo.
Assustaram-se com o membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que estava baixando um santo, dizendo aos quatro ventos que ia morrer satisfeito por elas terem surgido naquela hora no quarto e o levado a perseguir horizontes de um passado cheio de glória.
Venham meninas, estou pronto para morrer nos braços de vocês, façam esse favor a quem desse dia não passa. Dizendo isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para a sala as duas, onde as visitas se achavam e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e caído novamente, dessa vez sem se mexer.
Chegando todos ao quanto encontraram o doente no chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada como boa química para dar vida a quem está morrendo, quando em excesso retirar de vez.

José Marques Sarmento

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

CRÔNICA RAIVOSA

Como posso escrever qualquer bobagem que deixe de sê-la, se tudo em mim por esses dias se revolta por dentro,
Mim enche de pensamentos revoltos e me desarma das algemas contemporâneas,
Mim devolvendo ao passado,
Quando aos poucos me encontro querendo me jogar no lixo aonde dormem os porcos?
Dane-se a leitura dessa gente que se acha frescamente abanado,
Pelos sabedores do vento da rasteira,
Produzidos pelo latifúndio da intelectualidade medíocre!
Dane-se a literatura,
Essa que não é,
Mas que por algum motivo escuso,
Alguém que se acha no direito de fazer de trouxa os tolos em dizer que é porque é!
Dane-se quem se preocupa com essa linha da arte,
Que por hoje não engata simples primeira marcha em direção à criação literária de vanguarda!
Vou pôr no entulho e preparar para a fogueira,
Tudo que leve escrito o que saiu desse sentimento mesquinho que carrego por dentro.
Página sobre página não ficará incólume da chamas.
Como fui me preocupar com essa praga que se chama leitura,
Que mais adiante fez nascer em mim à ânsia de criar literatura?
Poderia esse que vos esclarece e escravo do saber,
Não ter se preocupado com nada relevante a leitura de qualquer gênero literário.
Estaria livre dos pensamentos hediondos criados ao longo do tempo,
Pela maneira de viver segurando um livro aberto sob o lusco fusco d’uma lâmpada amarelada,
Para tentar desfuscar a alma.
Como fui gostar dessa bobagem de querer saber desde menino sobre as historias escritas?
Como fui me interessar até pelas historias das fotonovelas,
Mais adiante os romances dos pokts books, dos contos, romances?
Com a idade avançando, os entendimentos vindos, os clássicos autores surgindo,
Como Dostoievskis, Camus, Gabriel G.Marques, Machado, Graciliano
E tantos mais que aqui não caberiam citá-los?
Entendam a minha revolta.
Da literatura não tirei vintém que desse pra alimentar as moscas.
Pois entre ela e eu têm outras responsabilidades à prova.
Uma carreira de filhos esperando regar a boca e mastigar.
DANE-SE A LITERATURA COM LETRAS MAIÚSCULAS E GARRAFAIS.
Minúscula se tornou essa área da arte para mim de hoje em diante.
Não posso mais ver uma página sequer em branco, escrita quero rasgá-la.
Estas não mais me auxiliam me excitando na criação para ver passar o tempo,
E na ociosidade fazer algo prestável,
Mim exorcizando de alegria basbaque,
Pela alegria da criação da escrita ter dado a luz.
Vou de agora em diante matar o tempo com bobagem.
Vou pro boteco da esquina.
Pra sinuca.
Pro futebol.
Pras putas! Elas que limpem as partes que os homens mais gostam,
E me ceda a preço de custo a sua buceta.
Chega de ficar preso ao computador lendo os disparates daqueles que não tem o que fazer,
Vendo os lados baixos da minha pessoa se aparelhar de gordura,
Recebendo o corpo o formato da pêra.
Chega dos contos e romances e textos,
Como esse que não encanta o mais pobre mortal de leitura,
Ou o mais entendido leitor.
Tou cheio!Vazando feito caixa d’água engripada a bóia.
Tenho mais o que fazer.
As crianças pedem socorro.
Dizem que estão crescendo e querem usar nike,
Passaram do tempo que engoliam qualquer marca.
Chega!
Tou cheio de me preocupar com a passada vida literária de grandes nomes da escrita do passado,
De saber dos que escrevem a esse tempo que corre alheio as causas relevantes da sociedade.
Quero é sair por ai, me espairecer sem pensar em ler e escrever.
Só quero ver e sentir d’agora em diante,
O aroma desumano que transporta pela existência,
Essa gente que se diz relevante pras coisas da arte.
Pois até agora só me levou a me chamarem de poeta sonhador.
De querer ser participante de uma casta de gente que pertence a outro mundo,
Por ter vindo de famílias tradicionais e ter contato com eminências.
Danem-se os contos, os romances!
Danem-se as preocupações em saber quem escreveu o quê.
Tou perdendo meu tempo.
Tou cheio de ver parte dos meus livros dentro de caixas ocupando espaço,
Que seria de algo que trouxesse maior alegria pra vista.
Minha alma não suporta mais ver o que foi feito não acontecer.
Preciso lembrar que não nasci para ser o que tentei ser.
Se isto é dizer que sou um autor fracassado.
Então está dito.
Sou um autor fracassado mesmo tendo conseguido editar.
Melhor seria se tivesse ficado engavetado recebendo ao correr do tempo o pó das traças.
Não me teria tornado um idiota.
Onde muitos o chamam de escritor.
Outros não entendem ser eu um.
Por não vender livros e viver dos 10% deles.
Nem referendar o que escreve publicando em algum meio de comunicação.
Tou cheio da luta para editar um livro.
Tou cheio de ficar pendurado nos ouvidos dos amigos que podem doar valor para tal.
Danem-se a leitura, a escrita!
Vou suportar ver de hoje em diante somente páginas brancas e olhe lá.
Sem o aparato das letras me consumindo às vistas.
Terei que suportar a carga da inadimplência de escrever para supostamente lavar a alma,
Como dizem muitos que escrevem
Achando eu ser mentira, pois acho que querem mesmo é aparecer.
Chega!

José Marques Sarmento

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

ACERTO DE CONTA

Mano, olha aqui, não tou brincando, tou falando sério, se a grana não aparecer até amanhã, meto bala nessa fuça!

Pelo que contam os vizinhos e conhecidos do morto, esse foi o último aviso que escutaram das janelas semi-abertas de suas casas, num teatro a céu aberto. Às pardas luzes espaçadas dos postes da rua não iluminavam com focos fechados os atores da dramática cena de gestos largos e vozes exuberantes. Noite em que os minutos quase a encostavam as zero hora de um dia em que o caos mais uma vez se fez presente à cidade, pela chuva ter derrubado barrancos, alagado as planícies que num passado não era prejudicada pelas inundações.Não possuíam o que ocupa hoje espaços tão reduzidos, barracos formando grandes favelas que passa visão de horror a quem mora bem e distante das péssimas moradias da periferia.

Acossado pelos moleques com quem divide os pequenos roubos, tendo a companhia do muro da sua casa protegendo a retaguarda, o nada protegendo os flancos e a vanguarda, com dois revólveres o ameaçando, Damiãozinho é intimidado pelos dois comparsas com quem divide produtos de assaltos.

Precisavam embolsar o dinheiro do carro que conseguiram pegar na mão grande quando o dono saia com pacotes de pão numa mão, a outra ocupada tentando acender cigarro recém sacado do maço e retirar a chave do bolso. Na distração de estar tentando fazer mais coisas que duas mãos têm liberdade de praticar ao mesmo tempo, abrir o carro, acender o cigarro e segurar o pacote de pão, foi abordado pelos três, quando sentiu uma das armas com raiva pressa descer e beijar o frontal da cabeça sem ser por amor ao próximo, o ódio nessa hora falou mais alto que o tão referenciado sentimento amor.

Eram dessa forma que os três amigos crescidos em vilas diferentes, se conhecido a pouco devido às correrias da vida louca do mundo do crime, faziam para conseguir se vestir, comprar droga, possuir as cabritas que rodavam o dia todo e parte das noites nas correrias, fazer presença nas festas pela vizinhança e calçar as melhores marcas de tênis, mesmo que essas fossem falsificadas e contrabandeadas dos paises do oriente...ou copiados pelos homens de negócios sem fino trato para com pagamento de royalty.

Talvez tenha sido morto, dias depois, pelo fato de não terem crescidos juntos na mesma vila, se isso tivesse acontecido, o respeito viria em dobro ou dariam mais um tempo para as cobranças ou no próximo assalto o devedor deixaria quite a dívida por não levar a parte que lhe caberia.

A amizade foi formada já no mundo do crime, então resolveram se dissociar dos outros comparsas que estavam pisando e montar a própria firma. Não sabia o que veio receber balaços no futuro, que os amigos de mesmo conluio e sócio poderiam matá-lo. Não acreditou, porque achava que dividindo o mesmo trabalho, um cobria a pisada escorregadia do outro em ensaboado piso e assim levaria os assaltos na boa.

Foi por muito avisado de que poderia acontecer, pelas cobranças da parte em dinheiro de cada um não aparecer até então.

Dia sim, dia não, apareciam os dois cobrando de Damiãozinho o que devia, às vistas da porta de casa onde residia com os pais, à mulher e um filho recém-nascido.

Uma vez ou outra quando o pai estava em casa, se metia na discussão para retirar o filho do meio da encrenca e dar conselhos aos comparsas que não fizessem mais o que estavam aprontando frente a vizinhança.Quando não era ele, a mãe tomava as rédeas, esta sempre achando nas palavras que o filho dizia, ser merecedor da sua confiança.

O pai não, quando conseguia produzir que o filho descesse da rua para casa e o seduzia arranjando que se sentasse no sofá da sala, desembuchava da boca o que estava engasgado na língua, em conselhos e outros modos de agir, muitas vezes retirando das páginas escritas da bíblia o que tornava verbo.

Como ninguém conhece ninguém nem de perto nem de longe, os pais de Damiãozinho também não o conheciam, para eles, o filho não vivia enrolado nas correrias marginais dos vizinhos da vila, não fazia aquilo que era conversado e explorado diariamente pela boca dos moradores da rua. Só os filhos dos outros tinham o poder de cair no crime, os filhos de cada um dos moradores daquelas quebradas eram santos anjos que a todos os céus envaidece e fica o nosso senhor os olhando, protegendo os passos de cada um em direção aos erros e acertos.

Dois dias depois, na certa não tendo acertado o que devia com os que um dia foi amigo, Damiãozinho recebeu a última visita.

Contam uns vizinhos que ele merecia ir, mas não quem foi junto com ele, por se meter em direção à bala para protegê-lo.

Em mais uma noite de terror na periferia os tiros despertaram uma vez mais a vizinhança, e quando os tiros são enviados, na mesma hora as janelas se abrem para os mais chegados em ver a desordem humana acontecer em direção às vistas, mesmo tendo que negar dias depois que tenha assistido alguma cena do crime, não querem se comprometer, o filme assistido é de posse individual e não coletiva.

O pai em proteção ao filho se posicionou de forma a que não atirassem.

Contam quem sabe mais amiúdo do caso, que os comparsas que vieram para resolver a questão de uma forma ou de outra, se assustaram pensando que o coroa tivesse armado e, outra, por algumas vezes dizer que deixassem de agir como agiam.

Morreu o coroa, por levar a mão para trás e trazê-la engatilhada entre os dedos, pequeno livro sagrado que carregava no bolso da calça.

Onde já se viu, o homem todo dia ao chegar em casa tomava banho e se arrumava para ir falar da palavra de deus em casinha formada templo alugada pela própria família para juntar os irmãos de mesma fé.

Deixando dois corpos estirados, o pai na mesma hora dizendo adeus aos que continuaram vivos e o filho conseguindo se levantar e sair pedindo socorro pela rua, os moleques vazaram varando a noite pulando muro sem vistas igual os que viram e não viram.

Como ninguém viu nada, na certa estão agindo da mesma forma, isto é, se não pegaram alguém como eles para fazer consigo o que fizeram com Damiãozinho, porque é certo, como explicam os rifões populares mais conhecidos copilando as leis de Moisés ao seu povo a milhares de anos, quem com ferro fere com ferro será ferido ou, olho por olho, dente por dente, ou,..meter fogo depois do querosene.

terça-feira, 17 de julho de 2007

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