Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
UMA MINA DE DOENTE
O levaram ao hospital as correias “pra ontem”. Um ataque do miocárdio o derreou quando assistia disputa por título do time que lhe fazia sofrer a anos. A contenda pôs a perder o controle da cabeça, quando esta, de pescoço amolecido, se fez curvar para o lado, bem na hora que o homem gol perdeu pênalti que daria o principal título do clube.
Isso é que dá ser torcedor daqueles onde o órgão que sofre mais é o menos pujante para suportar tão densa carga de emoção.
Na correria do vestir-se dos médicos de plantão do grande hospital, visto que pela aparência, custa uma nota salvar a vida de alguém, os responsáveis dão de cara com situação comum a muitos que estão à beira da morte: o seguro de saúde não dando direito a que os opere, mesmo com tanta emergência.
Para o quase morto não viajar em visita ao porteiro mais famoso cultuados nas anedotas dos gozadores de plantão, antes que os médicos dessem um jeito para não morrer sem a ação de boas mãos, preciso fora que a mulher discutisse muito com a atendente que se encontrava na berlinda para dizer, depois dos telefonemas dados ou do programa de computador confirmar, se era paciente escolhido dentre tantos precisando de bom atendimento hospitalar. Porque é fato que, em prédio de tanta grandeza arquitetônica e parafernália de máquinas modernas, e médicos especialistas em qualquer mal de paciente a beira da morte, quem precisar ser operado às pressas por lá, só morrerá se a dona da foice e da cara mais feia estiver esperando na porta para transportá-lo, ou para São Pedro ou para o diabo.
O homem pela altura do tórax foi aberto. Isto ocorrendo ao cirurgião, por ver que sua profissão estava em risco. Mesmo sem da parte da recepção vir à autorização, uma vez que sabe o doutor que o desfalecido enfartado não era qualquer coisa em relação a dinheiro, por ser branco, ter vindo em ambulância de conhecido e famoso plano de saúde e, bastava ter vindo parar ali, que de algum lugar a equipa ia faturar sobre mais um quase defunto.
Ligando a recepcionista depois de escutar “umas tantas” da responsável pelo operando, ao atendê-la pelo celular o chefe cirurgião, informa que podia abri-lo, pelo cheque caução está preenchido e endossado e grampeado na pasta do paciente que mais a frente receberia informação mais detalhada de quanto foi o prejuízo.
Não, não! Resposta dita, do paciente não precisa embolsar mais nada. Fechasse a matraca. Não precisava usar do seguro saúde do homem, não, pois da parte que acabou de abrir do corpo dele, saiam pérolas, diamantes, todo tipo de pedra preciosa e enormes pepitas de ouro, se vendidas enriqueceriam todos da equipe, sobrando valor para ela, onde receberia como pagamento para fechar a matraca, dinheiro que lhe renderia dez anos de salário.
Ufa! Não estou entendendo, fale mais claro, doutor!
Não teve tempo para mais delonga o médico, desligou e voltou a soltar o celular que o mantém pendurado no pescoço para quando estiver com a mão na massa abrindo os pacientes, dá facilidade em atender. O homem anda com umas dívidas atrasadas, deve algumas prestações do carro importado, a mulher e os filhos levam metade dos rendimentos e o valor do suntuoso apartamento alugado as pressas custa uma fortuna, por isso da correria, de ter que atender o celular a qualquer hora, até abrindo as carnes dos que precisam ir deitar-se sobre mesa de operação. Não está disposto a perder tempo de faturar algum para tentar possuir tudo de bom do reino contemporâneo. Tempo algum em sua vida sobra, por também manter em casa um pequeno laboratório de experiências com raízes e plantas e sementes para tentar descobrir uma fórmula de remédio para emagrecer. Anda se mordendo por ver ex-colegas contemporâneos de faculdade ficando rico vendendo “a rodo” os remédios anunciados nas tevês. Da mesma maneira agem todos da equipe pela vida tá pela hora da morte e para manter o status de médico bem formado, cada um atende o celular de forma que não interrompa o que está fazendo.
Mostra muita pressa a equipe, não para salvar o paciente, mas para ir ao garimpo pelo corpo retesado na mesa de cirurgia.
Descoberto que o homem era um tesouro nômade, não perdeu tempo em tentar pôr pedaço de mangueira para dá passagem livre ao sangue bombeado pelo coração ao cérebro, irrigar o corpo, isto é, os veios por onde nasciam os tesouros. Deixando o primeiro corte aberto com garras de ferro escangalhando a abertura no tórax, tocaram a abri-lo em outros lugares a fim de encontrar nova mina de preciosas pedras.
Divertiam entre si, achando muita graça pela forma que estavam ficando ricos tendo pouco trabalho. Cada vez que encontrava novo veio pelo corpo do paciente, batiam na mão um do outro para dar prova de que a amizade, a partir de agora, ia ficar mais contundente, aja visto que quem ganha fortuna em equipe, a tendência é tornar sólida a amizade e até gastarem juntos em festas regadas à churrascadas com carnes e bebidas de primeira.
Outro corte feito mais abaixo do anterior, acabou retirando dos rins, preciosa pedra de alguns kilates. Preço bom no mercado de jóias ia pegar. Sussurraram, para não dá margem em serem descobertos, dizendo que o homem era realmente um baú da felicidade.
Soubessem os familiares antes que o homem era uma mina ambulante, ou um cofre encalacrado, será que ainda estava ali servindo para estranhos suas jóias?
Bom achou a equipe médica, porque alguns, aqueles que não têm na profissão prazer pelo que faz, podiam deixar de sê-lo, uma vez que feito dinheiro com as pedras, podiam se mudar para Miami ou viver aqui e lá.
Quanto mais retiravam pedras preciosas do corpo do paciente, mais o médico anestesista passava doses fortes para que não acordasse ou sentisse dor e gritasse chamando atenção do hospital inteiro e avisar que estava ficando pobre. Não desejavam dividir com ninguém, a não ser com os da sala de cirurgia, isto porque, garantiram, ficariam de boca miúda, na moita a respeito do inusitado caso do:
O homem das jóias por dentro do corpo.
Cortaram o quase morto em muitas partes e cada vez que pelo seu interior entravam, mais pedras de maior valor iam encontrando, por sua vez, mais cortes iam fazendo, mais anestesia ia ganhando para não se mexer. Estavam dispostos a abri-lo muito mais.
Da sola dos pés retiraram algumas chapas em ouro maciço no mesmo formato, das batatas das pernas, centenas de pequenas pepitas de diamantes, colado nas paredes das costelas, muitos colares de pérolas vindos de trabalho de ostras gigantes de mares profundos.
Problema quase insolúvel foi quando tentaram virar de costas, uma vez que podiam estourar os pontos que fizeram de qualquer jeito, para retirar outra leva de jóias preciosas pelo espinhaço.
Verdadeira autópsia fora feita sem saberem se o paciente já era defunto ou não, por terem lhe cortado os bíceps dos braços, os tríceps, peitoral, serrátil, reto do abdome, reto da coxa, vasto lateral, fibular curto, o trapézio e terem esquecido as máquinas que o fazia respirar. Descobriram que os músculos que deveriam ser de material humano, era de metais preciosos. Se fosse aqui enumerar dos músculos que cortaram para ver se saiam mais pepitas, o leitor não ia precisar freqüentar aula de anatomia e estudar amiúdo sobre músculos, nervos, e tendões que ajudam a sustentar o corpo. Nessa aula estaria livre para ir ao barzinho da frente da faculdade encher a cara e fumar uns ou descobrir ao vivo a anatomia de alguma puta escolada e no futuro serem iguais a esses doutores.
Depois de tantos cortes e costuras para suturá-los, viram que a produção fora de monta superior ao que achou que iam encontrar. Bandejas se encontravam cheias de diversas pepitas de diamante, de ouro e de pérola, poucas de menor valor, mas se o mercado souber de que veio partiram, o valor se multiplicará.
A dificuldade entre eles em discussão chegando a ser acalorada era com quem ia ficar as pedras, pela desconfiança que um sentia do outro, porque se conheciam e sabiam do trabalho que dava para faturar dinheiro de pessoas que ainda não estão nas últimas, facilitando o ganho dos que estão para ir ao reino do desconhecido, por ser a vida de um ente querido de valor incalculável.
Fácil para o cirurgião chefe foi informar a responsável pelo paciente de que ele não resistiu à cirurgia e acabou escafedendo. Para ganhar tempo e não levar a família a gastar mais dinheiro, disse que a autopsia já estava feita, que morrera realmente de infarto do miocárdio. Mostrando a carteira do CRM, (Conselho Regional de Medicina), mostrou que tem graduação e licença para fazer autopsia, cirurgia plástica, cardíaca, gástrica. É um pesquisador nato da anatomia humana e, busca incansavelmente ficar conhecido pelos meios científicos da medicina e também se tornar popular através da televisão, do radio, de jornal, revista e livros que escreve técnico e até de ficção. O homem é fera!
ZéSarmento
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Vivem acorrentados num agonizante fragor, com animais parasitários cravados pelo corpo se lambuzando dos sonhos que não deram contar de dar certo.
Algum sentido vagueia para pensar o que fazer para sair com vida de onde estão amarrados por correntes inquebráveis.
Ferragens com engrenagens bem distribuídas prendem muitos mortos vivos sobre moderno sistema de informação. Apontam para cima lanças para ser cravadas no corpo, por qualquer movimento em falso que cometam contra os poderosos senhores donos de todos os movimentos financeiros.
Serão perfurados, vindos ser varados de um lado a outro, se não conseguirem se encaixar em novas engrenagens que mentes insanas criam diuturnamente.
O cenário é de horror caótico, com flechas apontadas para qualquer direção vindas de todo lugar, prontas para entrar em quem consiga se desvencilhar das ferramentas impostas por quem comanda o mercado de ações.
A porcaria umedecida e apagada no chiqueiro dos que podem tudo, ofuscado pela cor da incerteza, é rota para os inumanos encontrar onde se alimentar, estando ali a centenas de anos se refrescando nas imundices internacionais.
Ao lado e em qualquer canto que o espaço ceda lugar, outros acorrentados alimentam outros tipos de animais que para viver precisam de terceiros com vida plena e saúde sobrando pelas orlas da corrupção pública ou privada, que apresente necessidade e que tenha sangue e subserviência para qualquer ocasião.
Neste cárcere, presos sub o julgo do poder que muitos detêm para sugar o que resta como material de capital, muitos deles acreditam que é o fim para quem achou que ia viver um pouco mais, já que tem subido a perspectiva de vida dos brasileiros.
Os abutres descansam pelas saliências das paredes de pedras extraídas de pedreiras que produzem os mais finos mármores, que andam escurecidos pelo lodo secular da especulação, esperando a morte eminente de algum ser vivo que vive sendo sugado também por bandos sempre em revoada de morcegos carnívoros, prontos para pegar quinhão de bens para construir reputação de bom investidor.
Ratos são vistos esperando o anoitecer para sair das tocas e abocanhar seu milhão que acabou de virar cinza no decorrer da baixa de ações. São filhos de deus e precisam de resto de alimento para não sucumbir em suas locas escuras de degeneração, na umidade do buraco gruta mundo imundo.
Por que tentei ser o que fui, grita um deles com papéis sem valor não mão, se em todo lugar que ia não encontrava conciliação, só obrigação?
Devia ter me tornado assassino dos donos do poder desta tormenta, grita outro. Não estaria morrendo aos poucos sem poder me defender do fracasso do lucro fácil que sonhei.
Os vermes que precisam de sangue dos miseráveis engordam sem precisar se locomover por muito, grita um terceiro, pegando nossos míseros investimentos em ações sem reações.
Encontra quem o satisfaça sem receber na fuça a força de um coice a fim de dilapidar o inimigo. Por mísera quantia compra qualquer um que queira ser no futuro um co-participe dos afortunados de valores vindos da escravidão branca.
A gritaria ecoa de muitas gargantas que só têm esse órgão para se defender, já que as amarras não os deixa mover-se por ter queimado o que tinha em dinheiro embaixo do colchão. Na verdade, todos gritam para ninguém, pois que só conseguem soltar a voz quando estão longe daqueles que mandaram prender-lhes.
Nosso sangue os alimenta por sermos presas do poder que emana do capital especulativo.
Ah se poder eu tivesse para quebrar essas correntes e descerrá-las nas costas arrombando ferida que os ensinassem a ser gente mais adiante.
Mim respondam: será que aprenderiam a respeitar os subalternos oriundos da miséria absoluta que produziu este país ao longo de centenas de anos?
Na escuridão desse cárcere que muitos fazem de tudo para participar, ninguém sairá ileso de ser sugado, mordido, triturado, amarrado pelas correntes do metal do desenvolvimento capitalista. Cada um que se cuide para não ser sugado pelos morcegos, sanguessugas, ratos e abutres que nutrem amor pela carne de novos corpos que se lançam no mercado para no futuro morrer feliz, rindo do poder que conseguiu possuir para fazer mais cárcere e mais prisioneiro para mais produção de bens de consumo.
ZéSarmento
domingo, 3 de agosto de 2008
POR QUE DO FUTEBOL NA VIDA SOCIAL?
Pelo fato do cidadão querer se comunicar, se integrar, se divertir, interagir, esquecer as picuÍnhas da semana pelo suor que encharca-o segurando poeira sujeira do brabo verão, ou lama resina de barro que enfeza as máquinas de lavar, antes de deixar doidas as mãos das donas da limpeza.
O futebol serve pra entrega ao esquecimento de diversos problemas cotidianos, são jogados longe de todas as cabeças que porventura se aventuram a jogar bola, ou porque é craque no domínio da pelota ou só porquê quer se relacionar.
A bola é ótimo instrumento de organização social, de confraternização, de reação contra reação, de administração dos sentidos, movimentos.
Uma coisa que jamais passará são as correrias atrás de uma bola. É assim em todas as sociedades desde os primórdios do futebol, quando surgiu correria parecida nos idos de 3000 a.C na China, sem nenhuma regra evidentemente. Soldados do imperador chutavam cabeças degoladas por espadas de lâminas afiadas para os parceiros e se divertiam para baixar o nível de estresse. Mais uma invenção da velha China.
Dizem também o Japão tinha esse jogo parecido com o futebol, o Kemario, também usado como exercício de guerra.
Em Esparta na velha Grécia se jogava uma peleja parecida com o que assistimos. Usavam bexiga de boi, dando o formado arredondado depois de enchê-la de areia, tendo em cada equipe cerca de quinze jogadores.
Da Inglaterra para o Brasil foi trazido requebrando no cortar das ondas, em 1894, trazendo Charles Miller na bagagem duas bolas capotão e brochura com regras.
Não sei por que deram a ele o título de agente que trouxe o futebol para o país, se já em 1888 existia o Athletic Club São Paulo que já disputava partidas de futebol.
Com o passar dos anos o futebol referendou-se como única e inabalável forma dos povos de todo mundo se divertir, tendo muitos amantes dele, e também muitos jogadores amadores com nenhuma substância na gene para ser uma espécie de Pelé do passado.
Diversão de qualquer classe é o corre-corre, pois que junta todas num só balaio gastando energia e queimando lipídio atrás da redonda de gomos sextavados pulando para alcançar os pés dos que a entenda e ela a ele.
Então, do por que do futebol na vida social?
Oras bolas! Que responda as periferias de todas as cidade grandes, médias, pequenas ou simples vilarejos ou uma só rua ou onde viva mais de uma pessoa que encontre uma bola nem que seja murcha ou alguma meia que sirva para ser preenchida de algodão, folha, panos velhos de monturo. Lá se encontrará alguém respondendo do porque do futebol na formação das sociedades e dos povos de todo o mundo.
ZéSarmento
terça-feira, 22 de julho de 2008
O futebol e suas faces que nem Freud explica.
Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir.
Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos de que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.
A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.
Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.
Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?
Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.
Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.
Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.
Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.
Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.
No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.
José Marques Sarmento
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Ele será a via espiralada Quiçá
Entrecortada por muitas nuances
O formador do caminho mais curto
Por acaso não
Pelas minhas certezas não possuírem
A sutileza do fluxo sanguíneo
Que corre num moço vendendo saúde
E que nasceu para não ter dúvidas
Minhas certezas
Se as tenho
Porventura
As gaivotas roubaram
E balança hoje nas ondas
Do meu mar vazio
Quem sabe
Sejam respostas sem continente povoado
Parado no tempo espaço
Que ignora a verdade
Mim deixando cheio de dúvidas
Talvez...
terça-feira, 20 de novembro de 2007
A PORTA
A porta que se abria e se fechava
A porta que recebia e despachava
A porta que queria ficas mas se mandava
A porta que fazia que era mas se enganava
A porta que se olhava mas não se via
A porta que despedia e contratava
A porta que fazia entrar para ficar
A porta que fazia sair pra não voltar
A porta que era torta e se aprumava
A porta que de dia se levantava
A porta que de noite se abancava
A porta rota que dava rota à perfeição
A porta de vidro que não via quem era quem
A porta opaca que via muito quem era quem
A Porta que se abria para as traições
A porta que se fechava para o amor
A porta que não era porta mas se fechava
A porta que não era porta mas se abria
A porta que não tinha olhos mas que via
A porta que tinha olhos mas que não via
A Porta torta que dava reta a porta certa
A porta sem porta que vivia escancarada
A porta que se fechava batendo na cara
A porta que se abria para os bem vestidos
A porta que apartava pelas caras e cores
A porta que travava as buscas dos entendidos
A porta que destravava as buscas dos desentendidos
A porta que escolhia quem para passar
A porta que reconhecia os donos da maldade
A porta que reconhecia os com dom da bondade
A porta que se trancava para prender
A porta que se abria para libertar
A porta de madeira de lei que não via a lei
Há porta para toda gente
Há porta que não é porta por deixar passar
Há porta que é realmente porta por não deixar entrar
Há porta que não entende ser por viver fechada às novas idéias
Há porta que se acha muito “A porta”
Há porta que se engana mas que se acha está correta
Há porta com cara de tonta mas que é santa
Há porta que não seria porta se não se fechasse
Há porta que não seria porta se não se abrisse
Há porta para todos os gostos
Há porta que nos leva ao céu
Há porta que nos leva ao inferno
Há porta em direção a qualquer lugar
A porta certa é só procurar que existirá
A porta sem porta não seria uma porta qualquer
A porta sem porta seria a porta aberta
Que deixaria passar quem anda atrás dos sonhos
José Marques Sarmento
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Um Velho Safado
Há um tempo onde tudo termina, pois não é? Ah, se não é!
Para animais que leva na parte superior do corpo, órgão que a natureza deu-lhe para poder pensar o quanto quiser e o que achar, não poderia ter nascido para outra função, ser superior aos demais bichos da natureza.
Animais racionais como nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer e resistir e sentir, massa craniana é componente sem reposição por parte da medicina, mas que pode viver até o apagamento total sem drama ou com, sem amor ou com, se compondo de sabedoria ou ignorância.
Era o que acontecia com o velho Laza, chamado assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres e, pelos inimigos de concorrência profissional, filho da puta de quinta grandeza.
Coroa muito esperto, que ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para qualquer situação na massa encefálica, que se não fosse pela doença, estaria fazendo e acontecendo ainda.
Mal que o pegou de uma hora pra outra e o pôs sobre a cama, encontrando apenas condição de se mexer um pouco aqui, um pouco ali, por não encontrar condição humana de se locomover com maior ou menor velocidade. Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior, eram acontecimentos do passado, perdidos há pouco tempo pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue importante para as regiões que precisam ser visitadas de instante a instante.
Viveu muito o coroa Laza, o quase morto já, o que esperava a vela ser acessa diante a morte que não tardava levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer, ou azulada como luz de HMI em espaço que ninguém veio contar como é, mas que dizem os espiritualistas que existe e que todos desejam.
De todos os fatos que passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais marcou foram àqueles relacionados às mulheres.
Vixe Maria! Eh mulheres luminosas que me encantou com a formosura, com os declives e aclives do corpo e com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia elastecer os dias sem ser por arrasto, esses se descortinavam com prazer, que muitas vezes eram curtos para tantos encontros de negócios e amores.
Muitas delas passaram pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade, mas que, por esses dias, anda desencorajado pelo escasso bombear de sangue do coração para todo o corpo.
Andando pelo glorioso passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora, foi muito visitado por diversas delas, desde louras a morenas, de japonesas a africanas. Gostava de experimentar todas as raças e teve que com isso conviver com a esposa que nunca veio a descobrir se era verdade ou não o que falavam nas rodas sociais a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a perder a firma. Achava que casamento é uma firma aberta a dois e que tinha que durar até o fim ou até deixar de dar lucro, como decorriam bons lucros financeiros na relação, na certa se fazia de desentendida.
Laza sente que ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos quais passou em convívio com as moças.
Viveu intensamente o coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, menos do cérebro totalmente, ainda encontra nele o refugio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida divisa com um sorriso tímido. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das moças que conseguiu possuir até onde pode, dá satisfação, vindo a calhar de ser endereçada as carnes dos lábios.
Nunca deixou de trabalhar para quase todo dia ter uma mulher diferente da sua verdadeira na cama. Encontrava muito fácil essas mulheres. Com o poder que tinha, muitas ficaram esperando namorar-lhe, e envelheceram, assim como ele, com a esperança de um dia fazer exercer o desejo de se deitar, se deitar não para dormir, mas para fodor.
Sonhando como sonhava nas horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava palavras de entusiasmo para com as moças que se atiraram um dia sobre seu corpo.
Aí meu bem, aí é bom, como você trabalha bem, você é a melhor que eu já tive.
A mulher do momento se entusiasmava e lhe dava o que ele mais gostava que elas fizessem.
Tempos bons que se foram voltava tão somente nas viagens que a cabeça ainda conseguia passagem gratuita para fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos pensamentos.
O bilhete para essas viagens, o cartão de crédito para pagá-las, o chek-in no balcão dos últimos dias, sempre surgia quando era levado a pensar nelas sem deixar de dizer que os muitos psicotrópicos que engoliam contribuíam para melhorá-las.
As mulheres para o coroa sempre foi algo muito superior às outras coisas, a bens matérias. Elas sempre exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas mulheres que do corpo, as deusas mitológicas saem perdendo, aquelas que do rosto, Monaliza, de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Kouri.
Deitado com o costado no colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no fundo d’alma quase morta, o benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo, os pensamentos.
Numa dessas ocasiões, recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas meninas bem jovens, mas que sabe de tudo sobre os tempos modernos, meninas que, como as amantes do incapacitado moribundo, sabiam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas regadas a droga e hock end roll, nas festas rave servidas a comprimidos êxtase, complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de ser jovem.
Saindo às outras visitas, acharam por bem fazer um estudo mais profundo com o quase morto e começaram por alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés, as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer a quem por elas passavam no serviço da satisfação ao prazer da carne, que levantavam até defunto.
A muito, o moribundo sem abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os olhos vindo às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo que pode distinguir, veio descobrir que podia mexer com maior intensidade as pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto, retesou até onde pode nessa hora.As juntas estalaram, as duas riram e se divertiram, por achar que estavam recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas, descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto as visitas não apareciam no quarto, posto que conversavam na sala em discussão para quem ia o quê depois que o velho juntasse os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo ao renascimento.
Mordendo joelhos, passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado, quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou a ser levada as suas partes pubianas. A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a quem precisava? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz?
Talvez não fosse nem uma coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrado hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido dessa forma com pessoas de mesma idade.
Usando-as de tudo que puderam em relação a fazer com o doente aquilo que deviam ter muita experiência em fazer com os rapazes nos banheiros da escola, no carro ou num motel, levaram-no a reviver um passado cheio de gloria sobre as mulheres.
Só não acreditaram que o doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, lhe caíram às cobertas. Viram que ficou de pé repentinamente e se descobriu uma criança vindo ao mundo.
Assustaram-se com o membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que estava baixando um santo, dizendo aos quatro ventos que ia morrer satisfeito por elas terem surgido naquela hora no quarto e o levado a perseguir horizontes de um passado cheio de glória.
Venham meninas, estou pronto para morrer nos braços de vocês, façam esse favor a quem desse dia não passa. Dizendo isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para a sala as duas, onde as visitas se achavam e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e caído novamente, dessa vez sem se mexer.
Chegando todos ao quanto encontraram o doente no chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada como boa química para dar vida a quem está morrendo, quando em excesso retirar de vez.
José Marques Sarmento
