Aqui tem tudo junto e misturado na criação da escrita:prosa, crônica, conto, prosia. Fotos.
sábado, 23 de agosto de 2014
terça-feira, 15 de julho de 2014
CONDENADOS
O ser humano de hoje
Anda sempre com um olho no peixe, outro no gato.
Acelerado, preso num curral animal
Cujo capim de engorda é disputado na desordem.
Anda com medo da morte
De perder o emprego
A namorada, de ser traído antes do nascer da aurora.
São descasos que reinam pra todo lado.
Uns passando a perna nos concorrentes
Outros abraçando hipocritamente.
Na desordem do dia vem o sol do meio dia num verão febril
Pôr mais lenha na fogueira
Tornando impaciente quem anda louco sem tempo.
Carente de tudo, de grana, de viagens, de bens
Entram de cabeça nas
facilidades de grupos organizados
Que oferecem sair da pindaíba por alguns trocados.
Quando vêem, estão encarcerados
Devendo a advogados ou aos próprios bandos de azarados.
Quando não é dessa forma que se fodem
É servindo de laranja pra político.
Da mesma forma viram ratos dependentes
Do queijo patrocinado pela corrupção.
Dinheiro que sai dos impostos da nação.
Assim anda quem quer viver na esperteza
Não dando bola pra dignidade que é viver na lei dos homens
Pois na de Deus já são uns condenados.
Zé Sarmento
quinta-feira, 26 de junho de 2014
O QUE PASSOU, PASSOU...
Digo que pedaços
de mim é matéria do passado.
Me encontro
inteiro pelo que faço no presente.
Agora minha
matéria prima é harmoniosa na dureza.
Negativas não conseguirão me destruir.
Juntei meus
pedaços depois de ser jogado da torre mais alta da cidade
por mãos de
quem discrimina que tem na pele a cor da noite.
Agora é
regar de sangue positivo meu todo
e seguir
caminhando em direção a grande luz.
Com passos
firmes, vou seguir sem olhar para trás.
Caminhando
com o meu todo modulado num compasso mais suave
posso achar
minha alma que vivia fora do corpo
e minha auto
estima que estava por terra.
(Quando
sentimos a alma por perto, nos despertamos da morte
fazemos
reviver o corpo que estava partido em pedaços
triturado
pelos que negam ceder espaço.)
Meus pedaços
vivendo espalhados pelos cantos insanos
não conseguiam
fugir dos vermes que me espreitavam irados.
Caminhando
inteiro, deixei de estar em todo lugar
sem causa
para lutar
e com muitos
sádicos com brilho cáustico no olhar querendo me derrotar.
Juntos... Inteiro,
meu todo ficou mais forte pra enfrentar o inimigo.
Ele estava por
toda parte, querendo pedaços da minha carne
pra jogar a
seus cães que latiam e babavam
por que tinham fome da
minha derrota.
Vitória e
luta é a resposta!
Zé Sarmento
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Dia do Nordestino-Crônica 'Vaqueiro'
Dia do Nordestino-Crônica 'Vaqueiro'
Homenagem ao meu finado pai que um dia foi vaqueiro.
Rude homem do sertão de João Guimarães Rosa e da caatinga nordestina de Graciliano Ramos.
A terra que diga da valentia em busca de reses soltas em meio à caatinga rala, sobre os lajedos e matas intransponíveis de meter medo até em cavalo de aparte, por espinhentos galhos e traiçoeiras brenhas os despedaçar o corpo.
Sobre o alazão enfrenta a vegetação da caatinga. Pele encrocada chamuscada pelo sol de quarenta graus, encontram pra perseguição com segurança, gibão de couro de rés como carapaça impenetrável pelos esporões da mata calcinada.
O cavalo é seu corpo, parte inconteste de si, ainda com poder de ser também sua alma para a somatória de tanto entendimento em se conectar com o sustento que os levam a viver uma vida ardilosa.
Seguro das rédeas do destino, argúcia de homem nascido para as brenhas, assim como seu companheiro e irmão de afobação e fôlego tenso atrás de rês apartada do rebanho. Os dois na somatória tornam-se um, acham-se como amigos de ganha-pão em fuga para resistir ao máximo às intempéries da vida insidiosa da caatinga.
Cavalo-homem, homem-cavalo endiabrados nas esporas que os ferem, se completam para a contenda das obrigações: pegar o boi e derrubá-lo pelo rabo, amarrá-lo pelas pernas, no mourão. Mascarado, nessa configuração estará seguro o trazendo de volta para o curral, preso pelas artimanhas de quem sabe lidar com gado desde menino. Sim, ali este homem foi criança sem letras, foi jovem sem cultura. Dela só sabe da sua lida. É homem sem medo de se entregar a caça de animais fugidios, e será mais um a morrer no esquecido das terras sem lei, que dela só ganhará os sete palmos para viver no sossego do céu azulado do sertão após a morte.
Na apartação e perseguição, os dois animais, um irracional ou outro muito homem, se permeiam de movimentos, desviando-se de solapadas mortais pelo meio dos galhos e cipós de madeira de lei como o angico, a aroeira e afins de matos brabos como descreveria Euclides da Cunha.
Sangue ferve e coração pula pela estripulia dos bichos, quando alguma rês se veste de euforia e sai pela caatinga para fugir ao destino das matas nas cercanias. Um em solo medonho de tabuleiros de pedras, o outro no medonho do dorso que se esquiva para sobreviver em harmonia com o brado do destino que faz da mata, sua reserva para a morte, se o erro estiver por ordem do dia.
Não errando nem homem nem cavalo, estarão aptos para a próxima aventura, quando algum dia, se desgarrando nova rês do rebanho, se embrenharem nos veios desconhecidos da caatinga e tenha que ser encontrada, para dar, homem e cavalo, juízo dela ao latifundiário que os explora desde o Brasil colônia.
Zé Sarmento
terça-feira, 20 de maio de 2014
RESENHA DE UM POETA E LEITOR SOBRE O LIVRO PARAISÓPOLIS.
Paraisópolis
Obra de José Marques Sarmento -ZÉ SARMENTO)
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| José M. Sarmento |
Conheço a comunidade Paraisópolis e por um instante me senti nos seus becos e suas vielas, tamanha é a veracidade da narrativa. Os detalhes da narrativa impressionam bastante. Quem gosta de uma obra descritiva, forte de dramaticidade, compre o livro Paraisópolis. Certamente você vai penetrar em um mundo real que está mais próximo de você do que você poderia imaginar. Tem alguns trechos da narrativa que não recomendo para menores, devido a ação realista dos fatos. Hoje essa maioridade chega mais cedo e tudo é muito relativo. Portanto, essa minha recomendação se esbarra na consciência de cada um.
O autor poderia ter separado a narrativa do diálogo, ficaria mais com cara de romance e daria ao leitor uma perspetiva diferente. Da forma que foi escrita, ora parece ensaio e ora parece documentário. De qualquer forma é uma obra de valor histórico que eu recomendo e agradeço José Sarmento por ter me presenteado com um livro. Não sou bom em fazer análise de obra literária, gosto mais de apreciar sem o dever de analisar. Porém, o autor pediu que eu fizesse essa análise. Gostei e digo mais: José Sarmento não perde em qualidade para nenhum autor de destaque nacional.
PORTEL PRADO
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