sexta-feira, 3 de outubro de 2008

OS MORTOS VIVOS DO SISTEMA CAPITALISTA...
Vivem acorrentados num agonizante fragor, com animais parasitários cravados pelo corpo se lambuzando dos sonhos que não deram contar de dar certo. 
Tornaram-se escravos e tentam se movimentar para encontrar saída que lhe dê melhor dividendo para conseguir pagar mais uma prestação atrasada de diversos itens que acham que podem e precisam possuir.
Algum sentido vagueia para pensar o que fazer para sair com vida de onde estão amarrados por correntes inquebráveis. 
As incertezas que o mercado globalizado de ações e reações do neocapitalismo trazem ao sistema de consumo, anda sem freio ABS que o façam parar antes de cair no despenhadeiro sem volta.
Ferragens com engrenagens bem distribuídas prendem muitos mortos vivos sobre moderno sistema de informação. Apontam para cima lanças para ser cravadas no corpo, por qualquer movimento em falso que cometam contra os poderosos senhores donos de todos os movimentos financeiros.
Serão perfurados, vindos ser varados de um lado a outro, se não conseguirem se encaixar em novas engrenagens que mentes insanas criam diuturnamente.
O cenário é de horror caótico, com flechas apontadas para qualquer direção vindas de todo lugar, prontas para entrar em quem consiga se desvencilhar das ferramentas impostas por quem comanda o mercado de ações.
A porcaria umedecida e apagada no chiqueiro dos que podem tudo, ofuscado pela cor da incerteza, é rota para os inumanos encontrar onde se alimentar, estando ali a centenas de anos se refrescando nas imundices internacionais.
Ao lado e em qualquer canto que o espaço ceda lugar, outros acorrentados alimentam outros tipos de animais que para viver precisam de terceiros com vida plena e saúde sobrando pelas orlas da corrupção pública ou privada, que apresente necessidade e que tenha sangue e subserviência para qualquer ocasião.
Neste cárcere, presos sub o julgo do poder que muitos detêm para sugar o que resta como material de capital, muitos deles acreditam que é o fim para quem achou que ia viver um pouco mais, já que tem subido a perspectiva de vida dos brasileiros.
Os abutres descansam pelas saliências das paredes de pedras extraídas de pedreiras que produzem os mais finos mármores, que andam escurecidos pelo lodo secular da especulação, esperando a morte eminente de algum ser vivo que vive sendo sugado também por bandos sempre em revoada de morcegos carnívoros, prontos para pegar quinhão de bens para construir reputação de bom investidor.
Ratos são vistos esperando o anoitecer para sair das tocas e abocanhar seu milhão que acabou de virar cinza no decorrer da baixa de ações. São filhos de deus e precisam de resto de alimento para não sucumbir em suas locas escuras de degeneração, na umidade do buraco gruta mundo imundo.
Por que tentei ser o que fui, grita um deles com papéis sem valor não mão, se em todo lugar que ia não encontrava conciliação, só obrigação?
Devia ter me tornado assassino dos donos do poder desta tormenta, grita outro. Não estaria morrendo aos poucos sem poder me defender do fracasso do lucro fácil que sonhei.
Os vermes que precisam de sangue dos miseráveis engordam sem precisar se locomover por muito, grita um terceiro, pegando nossos míseros investimentos em ações sem reações.
Encontra quem o satisfaça sem receber na fuça a força de um coice a fim de dilapidar o inimigo. Por mísera quantia compra qualquer um que queira ser no futuro um co-participe dos afortunados de valores vindos da escravidão branca.
A gritaria ecoa de muitas gargantas que só têm esse órgão para se defender, já que as amarras não os deixa mover-se por ter queimado o que tinha em dinheiro embaixo do colchão. Na verdade, todos gritam para ninguém, pois que só conseguem soltar a voz quando estão longe daqueles que mandaram prender-lhes.
Nosso sangue os alimenta por sermos presas do poder que emana do capital especulativo.
Ah se poder eu tivesse para quebrar essas correntes e descerrá-las nas costas arrombando ferida que os ensinassem a ser gente mais adiante.
Mim respondam: será que aprenderiam a respeitar os subalternos oriundos da miséria absoluta que produziu este país ao longo de centenas de anos?
Na escuridão desse cárcere que muitos fazem de tudo para participar, ninguém sairá ileso de ser sugado, mordido, triturado, amarrado pelas correntes do metal do desenvolvimento capitalista. Cada um que se cuide para não ser sugado pelos morcegos, sanguessugas, ratos e abutres que nutrem amor pela carne de novos corpos que se lançam no mercado para no futuro morrer feliz, rindo do poder que conseguiu possuir para fazer mais cárcere e mais prisioneiro para mais produção de bens de consumo.
ZéSarmento

domingo, 3 de agosto de 2008

POR QUE DO FUTEBOL NA VIDA SOCIAL?


Pelo fato do cidadão querer se comunicar, se integrar, se divertir, interagir, esquecer as picuÍnhas da semana pelo suor que encharca-o segurando poeira sujeira do brabo verão, ou lama resina de barro que enfeza as máquinas de lavar, antes de deixar doidas as mãos das donas da limpeza.
 
Para tentar manter o físico em dia e enaltecer os exercícios bom pra cachorro. 
Dizer tudo que quer sem interferir no vocabulário social fora das quatro linhas e ninguém encher o saco o descaracterizando do contexto e convívio social. 

Para dar pontapé no patrão e dizer que jogo é pra macho, meu, tira a saia e veste calção, camarada, sem medo de ser dispensado do emprego na segunda-feira. 

Para sair pra beber com os amigos sem a companhia da mulher. Oh, que bom, mesmo sabendo que de volta catando cavaco e o cão vira-lata lambendo a fuça, encontrará de cara fechada a desposada, assim como fechará o bem bom dela nessa noite, em que ela irá repousar na casa da mãe, que é salvaguarda de aconchego certeiro. Mãe não é qualquer coisa. Pelo tempo passar sem ser visto por quem joga e está perdendo, mas ser uma eternidade para quem está ganhando.
Quem não troca a mulher da pseudo-seriedade do casamento por uma boa pelada nos fins de semana.

O futebol serve pra entrega ao esquecimento de diversos problemas cotidianos, são jogados longe de todas as cabeças que porventura se aventuram a jogar bola, ou porque é craque no domínio da pelota ou só porquê quer se relacionar.
 
A bola é ótimo instrumento de organização social, de confraternização, de reação contra reação, de administração dos sentidos, movimentos.

Uma coisa que jamais passará são as correrias atrás de uma bola. É assim em todas as sociedades desde os primórdios do futebol, quando surgiu correria parecida nos idos de 3000 a.C na China, sem nenhuma regra evidentemente. Soldados do imperador chutavam cabeças degoladas por espadas de lâminas afiadas para os parceiros e se divertiam para baixar o nível de estresse. Mais uma invenção da velha China.
 
Dizem também o Japão tinha esse jogo parecido com o futebol, o Kemario, também usado como exercício de guerra.
 
Em Esparta na velha Grécia se jogava uma peleja parecida com o que assistimos. Usavam bexiga de boi, dando o formado arredondado depois de enchê-la de areia, tendo em cada equipe cerca de quinze jogadores.
 
Da Inglaterra para o Brasil foi trazido requebrando no cortar das ondas, em 1894, trazendo Charles Miller na bagagem duas bolas capotão e brochura com regras.
 
Não sei por que deram a ele o título de agente que trouxe o futebol para o país, se já em 1888 existia o Athletic Club São Paulo que já disputava partidas de futebol. 

Bom, o mito para viver para sempre, deve ser único e indivisível. Estavam nascendo às asas que deram voos as mídias que viraram midiáticas.

Com o passar dos anos o futebol referendou-se como única e inabalável forma dos povos de todo mundo se divertir, tendo muitos amantes dele, e também muitos jogadores amadores com nenhuma substância na gene para ser uma espécie de Pelé do passado. 

Diversão de qualquer classe é o corre-corre, pois que junta todas num só balaio gastando energia e queimando lipídio atrás da redonda de gomos sextavados pulando para alcançar os pés dos que a entenda e ela a ele.

Então, do por que do futebol na vida social?

Oras bolas! Que responda as periferias de todas as cidade grandes, médias, pequenas ou simples vilarejos ou uma só rua ou onde viva mais de uma pessoa que encontre uma bola nem que seja murcha ou alguma meia que sirva para ser preenchida de algodão, folha, panos velhos de monturo. Lá se encontrará alguém respondendo do porque do futebol na formação das sociedades e dos povos de todo o mundo.
ZéSarmento

terça-feira, 22 de julho de 2008

O futebol e suas faces que nem Freud explica.

Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir.

Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos de que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.

A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.

Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.

Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?

Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.

Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.

Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.

Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.

Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.

No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.

José Marques Sarmento

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

DÚVIDAS 
Quero chegar a ti Talvez
Para pô-la entre os espaços Do meu ser vazio
Através da linha do tempo

Ele será a via espiralada Quiçá

Entrecortada por muitas nuances 

O formador do caminho mais curto

Por acaso não

Pelas minhas certezas não possuírem

A sutileza do fluxo sanguíneo 

Que corre num moço vendendo saúde 

E que nasceu para não ter dúvidas

Minhas certezas

Se as tenho 

Porventura

As gaivotas roubaram 

E balança hoje nas ondas 

Do meu mar vazio

Quem sabe

Sejam respostas sem continente povoado

Parado no tempo espaço 

Que ignora a verdade 

Mim deixando cheio de dúvidas

Talvez...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A PORTA


A porta que se abria e se fechava
A porta que recebia e despachava
A porta que queria ficas mas se mandava
A porta que fazia que era mas se enganava
A porta que se olhava mas não se via
A porta que despedia e contratava
A porta que fazia entrar para ficar
A porta que fazia sair pra não voltar
A porta que era torta e se aprumava
A porta que de dia se levantava
A porta que de noite se abancava
A porta rota que dava rota à perfeição
A porta de vidro que não via quem era quem
A porta opaca que via muito quem era quem
A Porta que se abria para as traições
A porta que se fechava para o amor
A porta que não era porta mas se fechava
A porta que não era porta mas se abria
A porta que não tinha olhos mas que via
A porta que tinha olhos mas que não via
A Porta torta que dava reta a porta certa
A porta sem porta que vivia escancarada
A porta que se fechava batendo na cara
A porta que se abria para os bem vestidos
A porta que apartava pelas caras e cores
A porta que travava as buscas dos entendidos
A porta que destravava as buscas dos desentendidos
A porta que escolhia quem para passar
A porta que reconhecia os donos da maldade
A porta que reconhecia os com dom da bondade
A porta que se trancava para prender
A porta que se abria para libertar
A porta de madeira de lei que não via a lei

Há porta para toda gente
Há porta que não é porta por deixar passar
Há porta que é realmente porta por não deixar entrar
Há porta que não entende ser por viver fechada às novas idéias
Há porta que se acha muito “A porta”
Há porta que se engana mas que se acha está correta
Há porta com cara de tonta mas que é santa
Há porta que não seria porta se não se fechasse
Há porta que não seria porta se não se abrisse
Há porta para todos os gostos
Há porta que nos leva ao céu
Há porta que nos leva ao inferno
Há porta em direção a qualquer lugar

A porta certa é só procurar que existirá
A porta sem porta não seria uma porta qualquer
A porta sem porta seria a porta aberta
Que deixaria passar quem anda atrás dos sonhos

José Marques Sarmento


segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Um Velho Safado

Este é um conto safado, um tanto escatológico, quase nelsonrodrigueano

Há um tempo onde tudo termina, pois não é? Ah, se não é!
Para animais que leva na parte superior do corpo, órgão que a natureza deu-lhe para poder pensar o quanto quiser e o que achar, não poderia ter nascido para outra função, ser superior aos demais bichos da natureza.
Animais racionais como nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer e resistir e sentir, massa craniana é componente sem reposição por parte da medicina, mas que pode viver até o apagamento total sem drama ou com, sem amor ou com, se compondo de sabedoria ou ignorância.
Era o que acontecia com o velho Laza, chamado assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres e, pelos inimigos de concorrência profissional, filho da puta de quinta grandeza.
Coroa muito esperto, que ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para qualquer situação na massa encefálica, que se não fosse pela doença, estaria fazendo e acontecendo ainda.
Mal que o pegou de uma hora pra outra e o pôs sobre a cama, encontrando apenas condição de se mexer um pouco aqui, um pouco ali, por não encontrar condição humana de se locomover com maior ou menor velocidade. Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior, eram acontecimentos do passado, perdidos há pouco tempo pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue importante para as regiões que precisam ser visitadas de instante a instante.
Viveu muito o coroa Laza, o quase morto já, o que esperava a vela ser acessa diante a morte que não tardava levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer, ou azulada como luz de HMI em espaço que ninguém veio contar como é, mas que dizem os espiritualistas que existe e que todos desejam.

De todos os fatos que passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais marcou foram àqueles relacionados às mulheres.
Vixe Maria! Eh mulheres luminosas que me encantou com a formosura, com os declives e aclives do corpo e com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia elastecer os dias sem ser por arrasto, esses se descortinavam com prazer, que muitas vezes eram curtos para tantos encontros de negócios e amores.
Muitas delas passaram pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade, mas que, por esses dias, anda desencorajado pelo escasso bombear de sangue do coração para todo o corpo.
Andando pelo glorioso passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora, foi muito visitado por diversas delas, desde louras a morenas, de japonesas a africanas. Gostava de experimentar todas as raças e teve que com isso conviver com a esposa que nunca veio a descobrir se era verdade ou não o que falavam nas rodas sociais a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a perder a firma. Achava que casamento é uma firma aberta a dois e que tinha que durar até o fim ou até deixar de dar lucro, como decorriam bons lucros financeiros na relação, na certa se fazia de desentendida.
Laza sente que ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos quais passou em convívio com as moças.
Viveu intensamente o coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, menos do cérebro totalmente, ainda encontra nele o refugio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida divisa com um sorriso tímido. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das moças que conseguiu possuir até onde pode, dá satisfação, vindo a calhar de ser endereçada as carnes dos lábios.
Nunca deixou de trabalhar para quase todo dia ter uma mulher diferente da sua verdadeira na cama. Encontrava muito fácil essas mulheres. Com o poder que tinha, muitas ficaram esperando namorar-lhe, e envelheceram, assim como ele, com a esperança de um dia fazer exercer o desejo de se deitar, se deitar não para dormir, mas para fodor.
Sonhando como sonhava nas horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava palavras de entusiasmo para com as moças que se atiraram um dia sobre seu corpo.
Aí meu bem, aí é bom, como você trabalha bem, você é a melhor que eu já tive.
A mulher do momento se entusiasmava e lhe dava o que ele mais gostava que elas fizessem.
Tempos bons que se foram voltava tão somente nas viagens que a cabeça ainda conseguia passagem gratuita para fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos pensamentos.
O bilhete para essas viagens, o cartão de crédito para pagá-las, o chek-in no balcão dos últimos dias, sempre surgia quando era levado a pensar nelas sem deixar de dizer que os muitos psicotrópicos que engoliam contribuíam para melhorá-las.
As mulheres para o coroa sempre foi algo muito superior às outras coisas, a bens matérias. Elas sempre exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas mulheres que do corpo, as deusas mitológicas saem perdendo, aquelas que do rosto, Monaliza, de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Kouri.
Deitado com o costado no colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no fundo d’alma quase morta, o benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo, os pensamentos.
Numa dessas ocasiões, recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas meninas bem jovens, mas que sabe de tudo sobre os tempos modernos, meninas que, como as amantes do incapacitado moribundo, sabiam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas regadas a droga e hock end roll, nas festas rave servidas a comprimidos êxtase, complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de ser jovem.
Saindo às outras visitas, acharam por bem fazer um estudo mais profundo com o quase morto e começaram por alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés, as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer a quem por elas passavam no serviço da satisfação ao prazer da carne, que levantavam até defunto.
A muito, o moribundo sem abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os olhos vindo às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo que pode distinguir, veio descobrir que podia mexer com maior intensidade as pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto, retesou até onde pode nessa hora.As juntas estalaram, as duas riram e se divertiram, por achar que estavam recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas, descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto as visitas não apareciam no quarto, posto que conversavam na sala em discussão para quem ia o quê depois que o velho juntasse os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo ao renascimento.
Mordendo joelhos, passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado, quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou a ser levada as suas partes pubianas. A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a quem precisava? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz?
Talvez não fosse nem uma coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrado hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido dessa forma com pessoas de mesma idade.
Usando-as de tudo que puderam em relação a fazer com o doente aquilo que deviam ter muita experiência em fazer com os rapazes nos banheiros da escola, no carro ou num motel, levaram-no a reviver um passado cheio de gloria sobre as mulheres.
Só não acreditaram que o doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, lhe caíram às cobertas. Viram que ficou de pé repentinamente e se descobriu uma criança vindo ao mundo.
Assustaram-se com o membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que estava baixando um santo, dizendo aos quatro ventos que ia morrer satisfeito por elas terem surgido naquela hora no quarto e o levado a perseguir horizontes de um passado cheio de glória.
Venham meninas, estou pronto para morrer nos braços de vocês, façam esse favor a quem desse dia não passa. Dizendo isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para a sala as duas, onde as visitas se achavam e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e caído novamente, dessa vez sem se mexer.
Chegando todos ao quanto encontraram o doente no chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada como boa química para dar vida a quem está morrendo, quando em excesso retirar de vez.

José Marques Sarmento

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

CRÔNICA RAIVOSA

Como posso escrever qualquer bobagem que deixe de sê-la, se tudo em mim por esses dias se revolta por dentro,
Mim enche de pensamentos revoltos e me desarma das algemas contemporâneas,
Mim devolvendo ao passado,
Quando aos poucos me encontro querendo me jogar no lixo aonde dormem os porcos?
Dane-se a leitura dessa gente que se acha frescamente abanado,
Pelos sabedores do vento da rasteira,
Produzidos pelo latifúndio da intelectualidade medíocre!
Dane-se a literatura,
Essa que não é,
Mas que por algum motivo escuso,
Alguém que se acha no direito de fazer de trouxa os tolos em dizer que é porque é!
Dane-se quem se preocupa com essa linha da arte,
Que por hoje não engata simples primeira marcha em direção à criação literária de vanguarda!
Vou pôr no entulho e preparar para a fogueira,
Tudo que leve escrito o que saiu desse sentimento mesquinho que carrego por dentro.
Página sobre página não ficará incólume da chamas.
Como fui me preocupar com essa praga que se chama leitura,
Que mais adiante fez nascer em mim à ânsia de criar literatura?
Poderia esse que vos esclarece e escravo do saber,
Não ter se preocupado com nada relevante a leitura de qualquer gênero literário.
Estaria livre dos pensamentos hediondos criados ao longo do tempo,
Pela maneira de viver segurando um livro aberto sob o lusco fusco d’uma lâmpada amarelada,
Para tentar desfuscar a alma.
Como fui gostar dessa bobagem de querer saber desde menino sobre as historias escritas?
Como fui me interessar até pelas historias das fotonovelas,
Mais adiante os romances dos pokts books, dos contos, romances?
Com a idade avançando, os entendimentos vindos, os clássicos autores surgindo,
Como Dostoievskis, Camus, Gabriel G.Marques, Machado, Graciliano
E tantos mais que aqui não caberiam citá-los?
Entendam a minha revolta.
Da literatura não tirei vintém que desse pra alimentar as moscas.
Pois entre ela e eu têm outras responsabilidades à prova.
Uma carreira de filhos esperando regar a boca e mastigar.
DANE-SE A LITERATURA COM LETRAS MAIÚSCULAS E GARRAFAIS.
Minúscula se tornou essa área da arte para mim de hoje em diante.
Não posso mais ver uma página sequer em branco, escrita quero rasgá-la.
Estas não mais me auxiliam me excitando na criação para ver passar o tempo,
E na ociosidade fazer algo prestável,
Mim exorcizando de alegria basbaque,
Pela alegria da criação da escrita ter dado a luz.
Vou de agora em diante matar o tempo com bobagem.
Vou pro boteco da esquina.
Pra sinuca.
Pro futebol.
Pras putas! Elas que limpem as partes que os homens mais gostam,
E me ceda a preço de custo a sua buceta.
Chega de ficar preso ao computador lendo os disparates daqueles que não tem o que fazer,
Vendo os lados baixos da minha pessoa se aparelhar de gordura,
Recebendo o corpo o formato da pêra.
Chega dos contos e romances e textos,
Como esse que não encanta o mais pobre mortal de leitura,
Ou o mais entendido leitor.
Tou cheio!Vazando feito caixa d’água engripada a bóia.
Tenho mais o que fazer.
As crianças pedem socorro.
Dizem que estão crescendo e querem usar nike,
Passaram do tempo que engoliam qualquer marca.
Chega!
Tou cheio de me preocupar com a passada vida literária de grandes nomes da escrita do passado,
De saber dos que escrevem a esse tempo que corre alheio as causas relevantes da sociedade.
Quero é sair por ai, me espairecer sem pensar em ler e escrever.
Só quero ver e sentir d’agora em diante,
O aroma desumano que transporta pela existência,
Essa gente que se diz relevante pras coisas da arte.
Pois até agora só me levou a me chamarem de poeta sonhador.
De querer ser participante de uma casta de gente que pertence a outro mundo,
Por ter vindo de famílias tradicionais e ter contato com eminências.
Danem-se os contos, os romances!
Danem-se as preocupações em saber quem escreveu o quê.
Tou perdendo meu tempo.
Tou cheio de ver parte dos meus livros dentro de caixas ocupando espaço,
Que seria de algo que trouxesse maior alegria pra vista.
Minha alma não suporta mais ver o que foi feito não acontecer.
Preciso lembrar que não nasci para ser o que tentei ser.
Se isto é dizer que sou um autor fracassado.
Então está dito.
Sou um autor fracassado mesmo tendo conseguido editar.
Melhor seria se tivesse ficado engavetado recebendo ao correr do tempo o pó das traças.
Não me teria tornado um idiota.
Onde muitos o chamam de escritor.
Outros não entendem ser eu um.
Por não vender livros e viver dos 10% deles.
Nem referendar o que escreve publicando em algum meio de comunicação.
Tou cheio da luta para editar um livro.
Tou cheio de ficar pendurado nos ouvidos dos amigos que podem doar valor para tal.
Danem-se a leitura, a escrita!
Vou suportar ver de hoje em diante somente páginas brancas e olhe lá.
Sem o aparato das letras me consumindo às vistas.
Terei que suportar a carga da inadimplência de escrever para supostamente lavar a alma,
Como dizem muitos que escrevem
Achando eu ser mentira, pois acho que querem mesmo é aparecer.
Chega!

José Marques Sarmento