quinta-feira, 7 de maio de 2026

TEXTO EM PROSIA

 

Meus Tombos 

Uma vez ou outra ando tomando pancada,

Sem ser lançado ao acaso por imprudência própria.

Fico sem coragem de devolver ao mesmo modo esses empurrões.

Uns tapas de mão aberta me ferem o sobrolho.

Um murro de mão fechada me acerta a nuca.

Um pontapé de MMA desloca meu joelho.

Cabeçada quando bate no peito joga-me ao chão.

Fico todo inchado, de corpo doído, alma condoída.

A voz trava, os sentidos lógicos se esvaem.

Viajo nas nuvens espaças sem enredo pra segurar minha queda.

Quando dou por mim fui engolido pelo inimigo voraz.

Usa a língua e os membros aquecidos pra lançar-me chamas,

E chamuscar mina áurea opaca.

Sempre ligeiro nas suas artimanhas, estúpido nos atos,

Ignorante nos fatos, levado à austeridade,

Comprometido com a usurpação.

Não tenho páreo para rebater aos trancos desse inimigo monstro.

Tou sempre na defensiva sem saber atacar ou defender.

Se fosse covarde o acertaria pelas costas,

O levando a dar cambalhotas tortas,

Na hora que tivesse maltratando outrem.

Pois que, por mim, sei que sou duro pra resistir a trancos violentos.

Se agisse dessa forma ficaria remoçando a vida toda.

Não tive lições exponenciais,

Daquela que a criança toma da família na formação.

Quando o ensinam a ser o primeiro pra não fracassar.

Chegue antes de todos, seja esperto, moleque!

A vantagem fará de você um vencedor, um político.

Tomar bordoada, lapada, se sacrificar sem cobrar,

Servir sem ser servido não é prêmio que quero esconder,

E que vem apenas pra mim.

Muitos como EU escondem por dentro da carcaça humilde.

Vou pra cima da dor como se fosse prazer.

E dane-se!

Não compreendi como odiar.

No mar que navego quase sempre a maré tá alta.

Pra atravessá-la aja braçada.

E quando chego à areia,

Lá está outro que conseguiu.

Chegou primeiro e comeu o que me serviria de abrigo e labor.

Isso é o que dá,

Não ter a malícia pra viver numa sociedade de muitas facetas.

 

 

 

 

 

 

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