Memórias de Um Menino
Descalço
A Fé
O menino assistia homens
de fé arraigada com cruzes no espinhaço.
Subiam os degraus de longa escada até os pés da santa.
Nossa Senhora
recebia os fiéis.
Prometia resolver
seus problemas.
Mandar chuva depois de longa estiagem.
A chuva renovava a
esperança de ver a roça florida.
As panelas cheias de tudo que a terra dá.
De olhar atento no
sofrimento do sertanejo.
A Santa abençoava o
pedido do agricultor por chuva.
O verde do vale
invadia a terra preta nas invernadas.
E os olhos do menino de prazer.
Como as secas
dizimavam tudo.
O menino via que o
corpo do povo também secava.
Tristeza de tudo
ao derredor.
Na face do agricultor também não podia faltar.
O menino sentia
que a fé do agricultor era inabalável.
Sarava até
doenças.
Joelhos entrevados
eram curados.
Pernas feridas
saradas.
Ossos quebrados
ligados.
Coração partido
por uma paixão não correspondida.
Era acalentado.
A santa abençoava
todos que a si chegava com fé na cura dos seus males.
Até as chuvas mandadas por ela.
Fazia a cara do homem sorrir e a do vale também.
Ao menino a santa
abençoou a ter fé no futuro.
Que depressa chegaria ao crescer e virar homem.
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