quinta-feira, 9 de julho de 2026

Memórias de Um Menino Descalço


 

Memórias de Um Menino Descalço

                 A Fé

O menino assistia homens de fé arraigada com cruzes no espinhaço.

Subiam os degraus de longa escada até os pés da santa. 

Nossa Senhora recebia os fiéis.

Prometia resolver seus problemas.

Mandar chuva depois de longa estiagem. 

A chuva renovava a esperança de ver a roça florida.

As panelas cheias de tudo que a terra dá. 

De olhar atento no sofrimento do sertanejo.

A Santa abençoava o pedido do agricultor por chuva. 

O verde do vale invadia a terra preta nas invernadas.

E os olhos do menino de prazer. 

Como as secas dizimavam tudo.

O menino via que o corpo do povo também secava.

Tristeza de tudo ao derredor.

Na face do agricultor também não podia faltar. 

O menino sentia que a fé do agricultor era inabalável.

Sarava até doenças.

Joelhos entrevados eram curados.

Pernas feridas saradas.

Ossos quebrados ligados.

Coração partido por uma paixão não correspondida.

Era acalentado.

A santa abençoava todos que a si chegava com fé na cura dos seus males.

Até as chuvas mandadas por ela.

Fazia a cara do homem sorrir e a do vale também.

Ao menino a santa abençoou a ter fé no futuro.

Que depressa chegaria ao crescer e virar homem.

Foto Google

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