quinta-feira, 18 de agosto de 2016

MONALISA DONA MINHA (continua)



11-Da Vinci-
Veja-me um herói entre todo bem também, meu bem, uma guta maçã de massa gigante perdido entre o facho da noite clareada pelo meu míssil que amas de paixão, fazendo me lambuzar de prazer entre todos do bem bolado amor de nós dois. Digo uma coisa, se fores do mal, sai mal da luta, não quero  te flertar diante uma mina de desejo conturbado, negado diante  de força de desagregação. Não quero ser vítima dessa maldição que me põe “piradão” diante  incertezas de te pintar tão bela como és ou não.

12-Mona Lisa-
Sou uma mulher de ordem frontal igual todas que já pintastes, mas sou bem melhor que toda na cama não é? Diante tua explosão de radioatividade, quero ser teu bombardeiro do futuro, teu  navio no mar sangrando de vermelho as espumas aferventando o rabo dos meus peixes, sangrando o corpo morto de um pai por uma explosão sacana, que ao explodir deixou de ser bacana.

13-Da Vinci-

Mona Lisa, lisinha em folha ainda, saiba que quero toda espuma do mar dentro de uma banheira para limpar o teu corpo do flagelo erótico do futuro mundo contemporâneo daqui quinhentos anos. Quero você salvando a terra da garra dos ares expelindo nosso prazer para fora do círculo dos viciados, quero você solvendo os clientes criadores da guerra numa junção fornalha os tornando pura cinza.

14-Mona Lisa-

Eu quero é que o sol um dia raia para todos antes do imoral tragar e triturar nossa engrenagem sobre o poder do meu credenciado amor por ti. Ele virá e pra isso já o vejo em desabalada correria para os braços do povo, para abastecer os pálidos e credenciados diluídos pela sorte. Chega depressa meu bom homem barbudo, acredito plenamente na solidariedade tua, no poder de vigiar os filhos do bem e do mal. Enraíza na cabeça daquelas bestas, a flecha orgulhosa do guerreiro. Faz a vibração de dias bons subir a mente de cada um, escalando o querer o que quer e pra quê, envolvendo-os de certezas porcentuadas nos cem por cento de prazer. Rega o mais que possa a raiz da reação ideológica. Realça entre todo meio, uma luz de cor profunda, reluzindo como ouro na força do seu desejo, penetrando a verdade dos dias no seu couro cabeludo. Diga que aprova as minhas palavras meu amor, diga, se não disser, acabarei com o seu ser imaturo e jogarei no monturo as sobras do seu abuso.


15-Da Vinci-
Se não for assim não haverá salvação, não é benzinho? Até eu, você, todos nós iremos parar no fundo obscuro do poço, raiar-nos de pele de porco espinho com o corpo envolvido no  preço alto do marfim.






16-Mona lisa-
Sim, mas pra isso me ache como quiser meu grande Picasso, quero dizer, Da Vinci, mas não me chame de mulher de pele ressecada que não dê pra eu recriar com arte do esfumato, não me chame de criança de colo vestida de cor azul anil, pele e cabelo copiando a relva molhada das tuas entranhas virgens, com a turba desnuda desenhada pelo sangue de meus dias, envolvido no sujo toque das mãos de um cruel. Seja você mesmo, assim como irão ser todos desse tempo que proclamamos, e garimpe às víboras infiéis entre os amores.

17-Da Vinci-
Sai pra lá grande Mona Lisa Minha Donna Madonna, mulher que gostaria que também fosse chamada de deusa do amor afrodite, com essa cara de chato me achando o máximo. Quero informar que sou um roedor da crosta da terra, formando lodo que será destruído mais a frente pela voz da luta das  mulheres que querem lambuzar em mim o seu porvir histérico. Digo a você que custará caro para aqueles que povoam aquela terra, depois de toda gleba em festa, a sua euforia financeira e esperteza de capricho para pegar o alheio, os que têm o poder político.

18-Mona lisa-
Não sei meu caro, Da Vinci. Ainda não me encontro  vestidona para discutir esses entraves políticos e filosóficos, mas gostaria de ficar PelaDonna a sua frente pra me veres melhor por dentro. Esse avanço fatal envolvendo todos os canais, irá gerar uma luta diária criando uma  prole de incertezas, como banal acho que vai mais adiante tornar-se o nosso amor.

19-Da Vinci-
Não Senhora, Monalisa ainda vestidona, lá está o nosso amor sobre a prosa do rio de esperança de Janeiro e Fevereiro, você não vê o carnaval tropical? Com  o cristo redentor observando os matizes e marginais dos morros e do asfalto, sacando a bolsa de uma velha senhora, anciã da idade dos tempos. Vejo as balas de qualquer arma menor e maior, como as de fuzil perfurando o peito de  meninos recém saídos do útero das mães e moças indo pra escola.

20-Mona lisa-
Tem razão Meu Homem Bom-Feitor e criador, de peito pra frente erguido como a flecha que sai desse teu corpo. Nem o cristo pediu pra ser vigia do tempo, nem os marginais pediram pra  ser o que são no hoje, nem as mulheres vão deixar de ser metidas  embrenhadas na areia grifando a tempestade da grinalda sonhada pelos avós que já se foram.Pra chegar ao que são no hoje, no ontem tiveram a esperança enterrada por muitas pás de terra na areia escaldante do Rio pra frente.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

MONALISA DONA MINHA

Mona Lisa foi namorada, amante, prostituta do Leonardo da Vinci? Por isso ele demorou tanto para retratá-la?

Afirmam as más línguas da história que criador e criatura transformaram o atelier num palco para discussões filosóficas, políticas, críticas, empíricas, sexuais, ou poderia dizer que, além das artes plásticas, também estavam criando um grande POEMA, um livro em PROSA  e VERSO, uma PEÇA de TEATRO, uma  CRÔNICA, um romance ORAL? As discussões também giravam em torno do que viria a ser a nova terra recém-descoberta pelos europeus, precisamente aquela que ficaria em mãos dos portugueses para invadir colonizá-la.

QUE GÊNERO ELES CRIARAM? 

(Leonardo da Vinci além de excelente artista para todos os gêneros, era também falante e bom amante?).

1-Da Vinci-
Mona Lisa, quero falar com você, chega mais perto querida, escuta meus elogios em  expressivas colocações verbais ao pé do teu ouvido, para de cara meu hálito juntar-se ao teu, dizendo que és uma linda mulher de corpo banhado a ouro, um tesouro pros homens como eu posar seus sonhos de artista ao ver-te retrata por mim pintada a óleo sobre madeira de álamo, em moldura dourada nos museus do Louvre e várias cópias no mundo.

(Mona Lisa além de excelente amante e contestadora nas discussões filosóficas, políticas se dava ao luxo de, por essa razão, ser a principal amante do Leonardo?).

2-Monalisa-
Digo a ti Leonardo que o nosso amor começará assim, ao movimento das primeiras pinceladas e que ele me alegrará e ao mesmo tempo  te descontentará pelo fato  de no futuro minha imagem correr o mundo pra ser observada em formação de filas imensas, sendo lisonjeada e desejada intimamente.

3-Da Vinci-
 Sei que irá surgir o contra gosto dos padres, as batinas dos bispos irão voar, mas o nosso amor reagirá em forma de arte, e naturalmente convergirá para o porto certo.

4-Monalisa-
Eles poderão fazer do nosso amor vários pratos de qualquer substância intragável,  nossas pernas não correrão, ficarão para ver nossas atitudes e tua pintura serem plantados para a glória, como ficará o da juventude daquela terra que também te admirará na memória dos anos 70, 80, retirando os falsos heróis generais do poder.



5-Da Vinci-
Nosso amor e discussões entrarão para a história e o mundo todo ficará sabendo da complexa união dos nossos corpos, que seguirão enroscados um no outro só para fazer rir os amarelecidos pela ignorância do seu próprio absurdo e chocar os que se acham santificados em terra de demônio.

6-Mona Lisa-
Vamos, grande paixão, nesse tempo de criação da minha expressão facial corporal, reflexão filtrada pela luz do sol para fazer bem aos teus olhos e a quem me visitar vamos montar nas bestas, são arriáveis, para isso vou soltar o meu sorriso enigmático  pelo misterioso hemisfério daquele país em construção que se chamará Brasil, e alegrar aquela gente de pouca fé no seu poder individual e coletivo para transformar a democracia que só será de  alguns, em democracia de todos, pela miséria vigente os tornar muito dependente de futuros FMIs.

7-Da Vinci-
Solta, sim, pra mim, Mona, o teu sorriso,   dele quero fazer a minha história e marcar o gol que qualquer artista gostaria de marcar na concepção de sua arte.

8-Mona Lisa-
Sim, meu bom homem que Dá Vinci,  mas para isso não podemos ser eternamente cordeirinhos de uma casta minoria de gente, sem soltarmos os braços em direção aos nossos ideais. Pra isso também te pergunto, será que temos que ser eternamente  cordeirinhos pra sermos aprovados, lisonjeados e acarinhados? Está escrito bem na frente dos olhos de cada cidadão, a verdade do futuro daquela gente que ganhará contentamento os nós da subordinação que segura o cinto preso sobre os ombros. Manda aquele homem de farda verde oliva segurando potente arma para fora do destino daquela gente, vai Da Vince.

9-Da Vinci-
Mando sim, mando sair todos os Generais do destino daquele povo, direi que terão que dá o fora os cachorros sarnentos filhos de jumento misturado com gente. Direi que os vejo como grande sacana, endoidando mais ainda o sofrimento dos que viraram escravos nas mãos dos bacanas da aristocracia e burguesia, descarregados de força por sobre o império da cidadania plena. Direi que eles são o mal da luta dos que viverão na miséria, que serão o mal dá linha de frente de quem sonhará por liberdade nem que seja aparente.

10-Mona Lisa-
Enlouqueça-me a cabeça, Da Vinci, vai, me faça mulher sem equipado sentimento de culpa e me jogue no luxo de sua ternura funda. Depois me envolva com as composições das grades ultrapassadas no abalo das explosões e me atire mortalmente, aí terei uma reação infernal. Meu grito de dor te envolverá de medo e o guerreiro desmaiado por forte dose de gás, morrerá por falta de medicamento nos hospitais do governo por um SUS sucateado. Mas nem por isso te matarei Leonardo, que também poderia ser igual o Picasso do futuro! Quero-te ver entre os mais belos emblemas constitucionais do globo urinando verme viril nos mísseis  de poderosos homens que irão aparecer de  nome Saddam Russein e Jeorge W. Bush, ultrajando os limites do poder desses poderosos homens bestas que fabricarão diversos homens bombas.
CONTINUA...

domingo, 31 de julho de 2016

MITOLOGIA...

Mitologia, por que tanto fervura de pensamentos em algo tão invisível?
Foi uma resposta do home primitivo para entender o mundo e suportá-lo ver seguir adiante o tempo carregando fardos pesados sobre as costas?
Foi à criatividade humana olhando o céu iluminado num tempo, noutro obscurecido com respingos de claridade estrelar, tendo a lua abaixo como um ponto claro para respingar na imaginação essa criação: o Mito?
Era a dor de ver perder um filho querido ferido nos campos de batalha, que seria o futuro guerreiro da tribo e tomaria conta dos bens e poder que deixaria o pai?
Por que o mito?
Fora simplesmente asas da imaginação dos mais afeitos a criação, dando lugar para sair do lugar comum enquanto se afastava da suposta boa vida que levava, e quando surgiu às agruras, se entregou a acreditar no invisível para suportar a dor?
Mitos, muita importância para todas as épocas,  deixando o tempo de criá-los tantos, tornando  especial  o maior de todos: Deus de ontem e de hoje.
Deuses de todas as horas, afazeres, desejos, guerras, de todos os atos do homem. Deuses Gregos que sustentaram a alma humana durante o correr da existência para uma  fuga desabalada da realidade a qual o cercava.
Deuses imortais, celestiais e terrenos, dos mares, desde o fundo deles até a superfície.
Deuses dos materiais, das colheitas, das bebedeiras, dos amores perseguidos, desencontrados, achados e jogados fora, deuses dos belos corpos despidos unidos pela paixão.
Esses Deuses mitos foram achados para o bem andar e aceitar da mente humana, que era só sofrer ou só prazer por se manter no poder?
O mito sumiu um dia quando a luz que iluminava o homem quase irracional olhou para o outro e disse: vinde a mim homem quase animal, quero te mostrar uma coisa. Essa roda que gira inventada não sei quando nem por quem, é uma roda mundo que pensa e quer evoluir para deixar de ser manipulado pelos deuses, achando que dos galhos e folhas e flores e frutos daquela árvore,  e pedras e fervuras nas águas abissais, e explosões atmosféricas no céu da imaginação pode vir a salvação para os problemas.
Vamos pensar juntos e resolver questões em companhia, assim afiamos o cérebro na fervura do pensamento racional e achamos como resolver os problemas humanos em grupo.
Então foi  no ruminar da racionalidade que um dia desmistificou o mito e alargou os horizontes da mente humana.
Zé Sarmento


sábado, 25 de junho de 2016

APERTO NO BUZÃO




Para o centro da cidade gosto de ir de buzão, lá fora vejo um filme em que a realidade, ora me assusta, ora me diverte. Fora de horário de pico eles vão mais vazios e chegam mais depressa, os corredores os fazem se deslocar deixando os carros  com uma puta inveja. 90% dos carros andam com uma pessoa, o motorista, horário de trabalho, dia útil, quase inútil parece ser o automóvel vendo os ônibus com tanta utilidade. Dentro do ônibus me senti muito constrangido outro dia. Estava sentado por tê-lo pego no ponto inicial. No horário  das 11h foi mais tranquilo, indo pro centro, mas na volta, às ,4, 5 horas da tarde, no pico, tudo muda, muito para pior no interior da condução. Observando do meu canto, vi como as pessoas sofrem muito mais por terem que enfrentar essa condição todo dia na luta profissional. Percebi que a maioria dos passageiros desse horário é mulher com ar de muito cansaço, carregando sacolas e suas bolsas, enfrentam dificuldades pra andar no corredor e passar pela catraca, bem mais sufoco quando entram falando ao celular. Bolsa, sacola e a mão ocupada com o celular no ouvido, a dificuldade aumenta. Estava entusiasmado dar meu lugar a alguém, pelas minhas pernas estarem doendo, e pelo constrangimento de ir sentado, homem, e tanta mulher em pé. O assento era muito colado um no outro, alguém alemaozão iria sofrer bem mais que eu que sou quase um tamborete de forró. No meu banco sentou uma mulher, que pela maneira de ser e o cansaço que deflagrava no rosto, devia ter acordado, no  mínimo, às cinco da manhã. A maioria era de mulher levando no espinhaço, olhar e mente os mesmos cansaços, vendendo essa fisionomia na forma de estar, olhando o tempo ao derredor, sentindo por dentro, certa angústia pelo ônibus nunca chegar ao seu destino e não ter assento pra todos passageiros, são fabricados pra levar pessoas quinem gado e não como ser humano. Cada parada num ponto, pelo menos pra mim, era uma eternidade, dali a pouco tinha que parar outra vez, pelos semáforos que fechavam. A mulher sentada ao meu lado puxou uma arma da bolsa, mas pra atirar, puxou outra, os óculos, de modo que abriu o tambor e colocou a munição a certa distância das vistas pra poder enxergar melhor onde ia disparar seu pensamento. Abriu um livro que, de soslaio, li o nome do autor, Trish Willy, “sopro de esperança” era o título. Espero que esse livro tenha conseguido dar-lhe uma luz pra resolver seus problemas, era auto-ajuda. De todo modo, com a leitura ela irá se dá melhor que as demais que estavam ali apenas olhando pra fora vendo o tempo se estender sem ocupar a mente para fazê-lo passar mais depressa. Foi à única que vi assaltar da própria bolsa, um livro. Tava procurando alguém pra dar o lugar,mas olhando em volta, pensei, como ia ser correto se eram tantas mulheres cansadas, desgastadas de seus dias corridos no afazeres nas casas dos bacanas, escritórios, shoppings? Estaria sendo injusto com as outras, e talvez passasse desconfiança de que estivesse tentando paquerar agradando a escolhida, pra não ficar sem serventia, peguei a sacola de uma delas e a coloquei no colo. Na minha timidez, nessas situações, por dentro disse-me que quando chegasse ao terminal, ia abordar a mulher da leitura e presenteá-la um livro meu, talvez ela não conseguisse ler até o fim, por ser outro tipo de literatura, marginal periférica, mas enfim, faria boa ação e minha parte pra melhorar a auto-estima da sociedade através da leitura. Não o fiz, ela desceu antes, como sou muito fechado nessas situações, não a abordei ao momento de estarmos de corpos quase colados, cada um em sua luminescência imaginativa. O aperto entre duas pessoas como eu e ela é tão estranho para mim, que às vezes, tinha vontade de me coçar em alguma parte porém, segurava, pra não me mexer tanto e tocá-la. Segurava-me pensando noutras coisas, pensamento voando olhando as ruas e seu movimento conseguia enganar o cérebro. Mulheres guerreiras essas da nossa pulação, que depois de certa idade ainda têm que trabalhar fora pra tentar se firmar levando parte do sustento pra casa, e muitas delas são provedoras do lar, cuja renda é pra alimentar sobrinhos, netos e até filhos marmanjos. Acordam cedo, trabalham por aí usando o corpo e mente, ou só um, ou só outro, e ainda têm que enfrentar condução  tão ruim numa maratona de dupla jornada. Que pena que os nossos políticos não precisem de condução pública pra ir trabalhar, pra sentir na pele o que é o transporte que eles oferecem a população. Sentir na própria carne nada mais é que sentir o que os outros sentem, e entendê-los. Acho que todo cidadão tinha que passar um dia por alguma dificuldade, mais os políticos, e uma elite arrogante acostumada com as benesses oferecidas pelas fortunas que acumularam angariadas de alguns desmandos públicos e exploração dos trabalhadores. Passando por perrengues, talvez aprendessem na pele ter o discernimento de saberem entender o outro com mais finura e humanidade.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

UM VELHO SAFADO


Conto safado, um tanto escatológico, nelsonrodrigueano
  
Há um tempo em que tudo termina,  não é? Ah, se não é!
Animais racionais como nós, por mais que o corpo perca a condição do que foi feito para fazer, resistir e sentir,  massa craniana é componente ainda sem reposição por parte da medicina.
O velho Laza, chamado assim pelos mais íntimos nos negócios que empreendia, Lazinho pelas mulheres, pelos inimigos de concorrência profissional, filho da puta de quinta grandeza era considerado, foi coroa muito esperto. Ao longo da vida pôs muita lucidez peculiar para qualquer situação na massa encefálica, que se não fosse pela doença, estaria fazendo e acontecendo.
Mal que o pegou de uma hora para outra e o prostrou sobre a cama, encontrando condições de se  mexer um pouco aqui, ali, por perder do corpo maior ou menor velocidade. Movimentos bruscos por parte de algum membro exterior eram acontecimentos do passado, perdidos há pouco pelo coração ter dado um basta ao bombear sangue importante para as regiões que precisam ser visitadas.
Viveu muito o coroa Laza, o quase morto já, o que espera a vela acessa diante a morte que não tarda levando os últimos suspiros e ser puxado para o andar de cima pela luz encarnada das trevas que ninguém em sã consciência quer  dar de cara.
De todos os fatos que passaram pela vida agitada que levou o acamado Laza, o que mais  marcou foram àqueles relacionados às mulheres.
Vixe Maria! Eh, mulheres luminosas que me encantaram com a formosura, com os declives e aclives do corpo e com as sutilezas dos lábios que ferviam enquanto a quentura do corpo fazia esticar os dias sem serem por arrasto. Descortinavam com prazer as auroras, muitas vezes eram curtos para tantos encontros de negócios e amores.
Muitas delas passaram pelo seu desempenho de bom amante.
Foi homem fogoso em tempos idos, tempos que só estão guardados na velha lacuna cerebral, escondido por entre encadeamento de tecido que um dia fora regado com mais vivacidade, mas que, por esses dias, anda desencorajado pelo escasso bombear de sangue. 
Andando pelo glorioso passado de homem de posses, com poder para fazer e desfazer a qualquer hora foi muito visitado por diversas delas, desde louras, japonesas, negras. Gostava de experimentar todas as raças e teve com isso de conviver com a esposa que nunca veio  descobrir se era verdade ou não o que falavam nas rodas sociais a esse respeito, ou se fazia de desentendida, para não pôr a perder a firma. Achava que casamento é uma firma aberta a dois e que tinha que durar até o fim ou até deixar de dar lucro, como decorriam bons lucros financeiros na relação, na certa se fazia de desentendida.
 Laza sente que ainda está vivo quando saem dos pensamentos os acontecimentos surreais pelos quais passou em convívio com as moças trepadeiras.
Viveu intensamente o coroa, mas por esse tempo de en-treva-mento dos órgãos, menos do cérebro por ainda encontrar nele o refugio para se dizer vivo.
Essas horas quem o cuida dele, divisa com um sorriso tímido. Hora dos sonhos sobre viagens pelo corpo das moças que conseguiu possuir até onde pode, dá  satisfação, vindo a calhar de endereçar sorrisos as carnes dos lábios.
Nunca deixou de trabalhar para quase todo dia ter uma mulher diferente da matriz na cama. Encontrava muito fácil essas mulheres. Com o poder que tinha, muitas ficaram esperando namorar-lhe, e envelheceram, assim como ele, com a esperança de um dia fazer exercer o desejo de se deitar, se deitar não para dormir, mas para foder.
Sonhando como sonhava nas horas propícias dos dias viajando ao passado, tinha momentos que verbalizava palavras de entusiasmo para com as moças que se atiraram um dia sobre seu corpo.
Aí meu bem, aí é bom, como você trabalha bem, você é a melhor que eu já tive.
A mulher do momento se entusiasmava e lhe dava o que ele mais gostava que elas fizessem.
Tempos bons que se foram voltavam nas viagens que a cabeça ainda conseguia passagem gratuita para fazer, não tinha que forçar nada para viajar a esses desempenhos dos pensamentos.
O bilhete para essas viagens, o cartão de crédito para pagá-las, o chek-in no balcão dos últimos dias, sempre surgia quando era levado  pensar nelas sem deixar de dizer que os muitos psicotrópicos que engoliam contribuíam para melhorá-las.
As mulheres para o coroa sempre foi algo muito superior às outras coisas, a bens matérias. Elas sempre exerceram fascínio nas suas atitudes de bom amante, bem dizendo, aquelas mulheres que do corpo, as deusas do Olimpo saem perdendo, aquelas que do rosto Monaliza de Leonardo da Vince, passa ao largo, aquelas que dos movimentos, nem Sônia Braga ganharia no filme a dama do lotação, nem Vera Ficher nas chanchadas do Walter Hugo Khouri da boca do cinema paulista dos anos 70.
Deitado com o costado no colchão, esticado esperando a visita de quem nunca falhou, encontrava lá no fundo d’alma quase vivaldina para subir pro céu ou descer pro inferno, o benefício que exerce quem ainda respira ares de sobre vida em possuí-lo, os pensamentos.
Numa dessas ocasiões, recebendo visita de parentes, foram ater-se com ele e pegar-lhe na mão duas meninas bem jovens, mas que sabe de tudo sobre os tempos de hoje, meninas  que, como as amantes do passado do moribundo, sabiam tirar dos rapazes de mesma idade nos banheiros das festas regadas a droga e hock end roll, nas festas rave servidas a comprimidos êxtase, complemento a satisfação de ser alegre e viver de acordo com o bom momento de ser jovem.
Saindo às outras visitas, acharam por bem fazer um estudo mais aprofundado com o quase morto, e começaram por alisar-lhe as mãos.
Não satisfeitas em pegar só nas mãos do moribundo, resolveram que era hora de também morder-lhes os pés, as coxas, e lamber o peito que batia descompassado coração.
As duas sabiam fazer crer a quem por elas passavam no serviço da satisfação  ao prazer da carne, que levantavam até defunto.
A muito, o moribundo sem abrir por completo os olhos, bater as pestanas e movimentar o corpo com maior alusão aos movimentos, nessa hora fez e pode ver as duas. Acendeu muito os olhos, vindo às pupilas quase cair fora da caixa. Pelo que mexiam dele e pelo que pode distinguir,  descobriu que podia mexer com maior intensidade as pernas, esticar-se, rejuvenescer-se.
Esticou o esqueleto,  retesou até onde pode nessa hora. As juntas estalaram, as duas moças riam e se divertiam, por achar que estavam recuperando o quase morto.
Continuando buliçosas, descobriram que estavam fazendo um bem dos diabos, mandando embora daquela casa, daquele leito, a dona da foice que corta quem está em pé, deitado ou sentado e manda para debaixo da terra ou para o forno.
Enquanto  as visitas  conversavam na sala em discussão para quem ia o quê, depois que o velho juntasse os pés, as duas faziam o doente reviver outrora, dando ao momento, pleno júbilo ao renascimento.
Mordendo joelhos, passando línguas pelos peitos, visitaram quase todo o corpo do velho enfartado, quando uma se interessou em pegar uma das mãos que se sentia revivida e ajudou a ser levada as suas partes  pubianas. A outra com os pés dava a mesma sina, o esfregando nos seios de si.
Meninas danadas. Eram estudantes de medicina, prostitutas ou simplesmente estavam tentando ajudar a quem precisava um pouco de alegria? Tinham o coração para fazerem parte de alguma entidade assistencialista, ou deveras queriam ver o coroa morrer feliz?
Talvez não fosse nem uma coisa nem outra, talvez fossem simplesmente duas taradas, que não encontrando hoje gente diferente para fazer o que estavam fazendo, foram encontrar no velho doente, amparo para suas taras e novas descobertas, uma vez que só tinham agido dessa forma com pessoas de mesma idade.
Usando-as de tudo que puderam em relação a fazer com o doente aquilo que  deviam ter muita experiência em fazer com os rapazes nos banheiros da escola, no carro ou num motel, levaram-no a reviver um passado cheio de glória sobre as mulheres.
Só não acreditaram que o doente fosse se levantar da cama num só salto, agindo assim, lhe caíram às cobertas. Viram que ficou de pé repentinamente e se descobriu uma criança vindo ao mundo.
Assustaram-se com o membro do doente enrijecido, trazendo o corpo numa tremura de entenderem que estava baixando um santo, dizendo aos quatro ventos que ia morrer satisfeito por elas terem surgido naquela hora no quarto e o levado a perseguir  horizontes de um passado cheio de glória.
Venham meninas, estou pronto pra morrer nos braços de vocês, façam esse favor  a quem desse dia não passa. Dizendo isso com voz trêmula, caiu com parte do corpo na cama, parte no piso, duro como estava, acabou de ficar para sempre.
Correram para a sala as duas, e informaram que o homem tinha se levantado sem nada mais nada menos e caído novamente, dessa vez sem se mexer.
No quarto encontraram o doente ao chão, com o corpo descoberto e o membro para cima ainda em estado de alerta, tão duro quanto os outros membros.
Nada  como boa química para dar vida a quem está morrendo, quando em excesso retirar de vez. 

Zé Sarmento

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Líteropalestra de Zé Sarmento alunos EJA




Líteropalestra de Zé Sarmento do dia 31/03/16 para alunos EJA.Maravilhoso. Se comportaram com se tivessem numa missa. Rss Mais de 120 alunos, os quais quero que sejam estudantes.Obrigado prof. EJA da EMEF Fagundes Varella do Jd. Maria Sampaio, especialmente a coordenadora Virginia Traldi. Foi da hora, é nóiz! Praça da Sé fazia a sua parte, aqui na perifa eu fazia a minha nas entrelinhas falando de política, literatura, vivências, oportunidades através da leitura.

sexta-feira, 11 de março de 2016

UM DIA AINDA VOU VIRAR O BICHO





UM DIA VOU VIRAR O BICHO!
Ando acuado, retraído, por ser picotado sempre em diversas partes, depois me remendam como se fosse pano velho, traste esquecido nos fiapos sobrados, usam de me remendar quando querem, com agulha de aço sem anestesia, enferrujada.
Vem uns salafrários e cortam meus braços, cujos movimentos me fazem cair do voo que acabo de tentar, pulando de uma pirambeira para planar.
Outros dos infernos aparecem, como um deserto, sem um pingo de doce água pura pra banhar a minha sede, e ainda me aplicam uma rasteira, levando pra mais perto da beira do sacrifício, com um tombo mortal, caio outra vez, não faz mal, digo com humildade, sou igual Prometeu, me comem os órgão os corvos, renascem mais tarde com mais força, senão com diálogo, na força bruta.
O pior e mais dramático é quando atravessam meu peito com uma espada do melhor aço manuseada pelo sábio samurai chinês, que protegiam os senhores da guerra, e hoje protegem os senhores fascistas revestidos de radicalismos com idade mental conturbada, esvaziam meu sangue do corpo, fico branco como uma nuvem sem poder de precipitação, mas logo me carrego de nova fúria, meto os pés pelas mãos, dou rasteira em quem me quer ver pelas margens, e saio de pinote, aprendi como o filho de Mario de Andrade, Macunaíma, ser dependente pra sobreviver, em fazer muitas marmotas com caras tristes e alegres, angustiadas ou fadadas pela dor latente do desrespeito.
O difícil e pior é suportar as dores da humilhação psicológica, quando querem empurrar pra dentro do meu cérebro, um monte de merda.
Enlouqueço, quero partir pra cima, dá o troco com os trocados que não tenho, por não ser filho de além mar, e ter chegado aqui com uma mala de dinheiro para comprar tudo bem barato, começar a vida explorando os miseráveis.
Paro, reflito, é quando vem alguém sem desdém, com respeito e diz: deixa pra lá, essa gente não sabe o que são, tem QI de ameba, não costumam parar pra refletir sobre tudo, a única coisa que sabem, é correr atrás de uns trocados da nossa moeda corrente, pra mais tarde gastar com hospitais e medicamentos, esquece!
Zé Sarmento