quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SILÊNCIO... Hoje eu quero silêncio.


SILÊNCIO...
Hoje eu quero silêncio
Silêncio...Silencio...Silêncio.
Não quero batida de surdo, de tamborim ou pandeiro no meu ouvido.
Quero ouvir as batidas do meu coração
mim doando seus músculos pra me sustentar sobre as pernas.
Quero ouvir a minha voz emudecida
pedindo perdão para aqueles que me massacraram gritando
mim chicoteando desde que nasci lá pras bandas do sertão.
Quero silêncio para ouvir meu sangue atravessando
os labirintos do meu corpo,
num vai e vem de ondulação marítima
regando a agonia das minhas incertezas
e de carnes famintas por justiça.
Quero silêncio para ouvir o meu silêncio
para ouvir meus olhos piscar pra você que não me ver.
Quero silêncio para sentir a minha boca sedenta
pedir a tua molhada.
Silêncio pra ouvir as minhas mãos febris
sonhar meus dedos te roçar
numa noite de paixão promíscua.
Quero silêncio pra ouvir a minha própria “bufa”
não só senti-la...
eliminando gases que me deixam aziago,
mas que te faz ri ao sentir o meu cheiro de enxofre.
Sem esse silêncio
não ouço quem quer me assassinar
quando aparece nas altas madrugadas
trazendo a munição da palavra armada
querendo guerra com a minha preguiça
para a criação da escrita.
Entenda...Silêncio muito nunca é demais
pra quem quer com a palavra, a voz, o corpo
se expressar
e deixar registrado aquilo que nasce do seu interior
em forma de arte
escutando o seu próprio silêncio.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Mulher rainha das minhas elucubrações.



Mulher rainha das minhas elucubrações.
Deixa minha língua liberal arrastar a tua língua radical e trazê-la junto para o meu enredo real.
Meu enredo anda amarrado na desordem, afeito de descrença, de solidão, de luta e ambição
por ver tudo que as vitrines põe a disposição do meu cartão de crédito como mola propulsora pra minha liquidação.
Deixa o meu EU interior
que tem o discurso decorado do Max e Engels em toda sua extensão, mas que não leva muito a sério
penetrar tua mente fechada, que tem a bíblia como ponto de apoia para a fuga da realidade.
Essa matéria espiritual como movimento para o teu gozo universal precisa ser descoberta.
Deixa a minha espada de ferro fundido nas profundezas das incertezas
entrar em tua guilhotina e trazer para ela uma lâmina mais afiada para desferir um golpe fatal no teu lado insensível e conservador.
Deixa o meu lado pervertido trazer o teu lado bom pra compor a sociedade contemporânea
esta que está fadada a ser levada ao extremo por força da causa individual.
Deixa de ser boba, esquece o passado, aquele que te feriu
e acha na desordem dos que te envolvem com um sorriso
uma áurea de luz pra tua felicidade.
Os antidepressivos não te trarão uma luz de cor alaranjada
que muda de tonalidade a qualquer instante quando sentires que está voltando ao passado
por falta do efeito da forte dose que te fez sorrir.
Se te agires assim, aceitando que juntemos nossos conhecimentos
faremos nascer um novo homem
unido pelas tuas entranhas revolucionárias engajada no passado
e a minha vida liberal vivendo o presente.
Desta feita o planeta será uma terra melhor pra se viver
Sem ter o futuro como mola propulsora de mais desordem psicológica, física, politica e social.

Foto minha tirada num amanhecer do bairro Carandiru

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

MEU CHÃO -aos moradores do PINHEIRINHO



Quero o meu pedaço de chão, mas que ainda não seja a cova não.
Quero o meu pedaço de chão que tenho por direito e por dever do Estado constituído.
Não quero aquele pedaço para o fim dos meus dias que acabou de acabar e que os vermes vão fazer a festa por mais um desgraçado os alimentar.
Quero o meu pedaço de chão para levantar o meu castelo a meu modo
Um castelo de felicidade familiar.
Não precisa ser de riqueza espetacular.
Quero o meu pedaço de chão para poder ser cidadão com poder de dar e receber atenção.
Mas qual. O que. Tomaram de supetão com grosas armas cuspindo fogo o lugar que eu guardava a minha sombra e a fazia descansar e sonhar.
Pisaram no meu espaço de chão e arremessaram balas de borracha e gás lacrimogênio sobre a já falida esperança...
Esperança... Que esperança tem quem está a se sujeitar em ser um desgraçado e esquecido pelas vias-de -fato dos que detém vasto poder econômico?
Derrubaram o meu lar, lugar que eu guardava a minha sombra e me recolhia depois de um dia de ira em busca de alimento...
Arremedo de suprimento pra quem tem muita necessidade desde que nasceu miserável.
Quero o meu pedaço de chão para plantar um pinheiro e fazer um castelo ao meu jeito, com o que tenho como recurso... e o curso pra isso...é se entregar a luta, não esmorecer e botar pra foder quem nos fode com o seu poder.
Quero o meu pedaço de chão que tenho por direito, nem que nele tenha um pouco de céu
Um pouco de inferno, mas é meu e ninguém pode invadi-lo dá forma que desejar.
Que venha os cassetes, as pestes, que venha as tempestades do deserto, daqui não saio nem que um raio parta dos infernos
e fragmente o meu corpo, porque morrer aos poucos
é pior que morrer de supetão.
Avante cidadão do bem!
me ajude a achar um pedaço de chão que tenho por direito,
senão acabo na rua da amargura feito um cão esquecido,
ferido no íntimo por ter sido largado pelo dono que enriqueceu
e achou por razão de nova relação social, possuir um cão de raça e pedigree.
Avante cidadão, me faça ser um sujeito igual a ti,
mas sem ser explorado até a exaustão
para possuir um pedaço de chão que tenho por direito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

SÃO PAULO...


São Paulo...
Ares dos meus pulmões que se inflamam ao te abraçar com esses versos travessos.
Cores das minhas pálpebras intumescidas por chorar teu sangue derramado pelos pipocos das armas de fogo e das lâminas ligeiras que saem de mãos opressoras.
Odor do meu olfato é fato elevado pela chuva de verão que te arrasta pelas encostas.
Beijei a selva do teu rosto encrespado quando das incertezas
Ao me expor dentro de ti em dia de busca pra me fazer gente.
Das tuas cinzentas pedras de levantar ilusão saem gotículas ridículas em forma de granito para machucar a minha face... hoje menos meiga.
São Paulo - Entusiasma-me a alma...Destrói-me a alta estima, e a reconstrói...
Estica meus dias puxando o elástico da minha existência para baixo e para cima...És uma cidade que mata e faz nascer, que adoenta e medica, que bate e acalanta.
Estás segura numa base movediça para distribuir a quem não te conhece o improvável.
Por vias tortas me alinha as vistas e me destroem as vísceras
por negar uma vez ou outra o remédio para alimentar a minha ilusão.
Emoldura-me o entusiasmo uma hora
Pelo porvir da tua produção
Noutra me nega a mão cheia de dedo da segurança, por ser uma corda bamba viver no meio de te e por ti
Por ter governantes tão dispostos a ser incoerentes para com NOSSA gente carente.
São Paulo - Entrei em ti há muitos anos
E há muito... como um insano que aprisiona idas e vindas
Estás sempre pronta pra fazer o SER renascer das cinzas feito a fênix.
São Paulo - Se és como é... Não é culpa da tua maestria para uns
falta dela para outros. É a fera que existe em cada um de nós
para te enfeiar ou te deixar bonita...Quando adentramos tuas artérias para produzir sangue sadio... que os políticos mal intencionados faz apodrecer em teu corpo complexo.
São Paulo - Agradeço a ti a constituinte do meu íntimo revolto uma vez ou outra...Apaziguado quase sempre... Pelo conhecimento adquirido por dentro deste corpo que renasce a cada chuva toró sem piedade da tua gente das encostas.
São Paulo - Desejo a ti mais glória irmanada na ordem...e aos teus moradores...
Os odores da cidadania...
Sem a névoa embaçada da desordem
que é viver fora de foco pelas tuas ruas...
Procurando alimentar sonhos tão comum a quem chega a ti
dos rincões deste Brasil
sem experiência de vida.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

UMA MINA DE DOENTE



O quase morto sobre mesa de operação espera atendimento.
O levaram ao hospital naS correiaS, “pra ontem”.
Na azáfama do vestir-se dos médicos de plantão do grande hospital, os parentes dão de cara com situação comum a muitos que estão à beira da morte: o seguro de saúde não dando direito a que os opere.

Depois de muitos telefonemas e discussões acaloradas
O homem foi aberto pela altura do tórax.

Com muita pressa, não para salvar o paciente, mas para ir ao garimpo pelo corpo retesado na mesa de cirurgia, descobriram que o homem era um tesouro nômade.
Divertiam entre si, achando muita graça pela forma que estavam ficando ricos tendo pouco trabalho. Cada vez que encontrava novo veio pelo corpo do paciente, batiam na mão um do outro para dar prova da amizade escabrosa.

Corte feito mais abaixo do anterior, acabou retirando dos rins, preciosa pedra diamante de alguns kilates. Preço bom no mercado de joias iam pegar. Sussurraram com caras de certa alegria introspectiva para não dá margem em serem descobertos, dizendo que o homem era realmente um baú da felicidade.
Quanto mais retiravam pedras preciosas de “o homem das joias por dentro do corpo, mais ricos ficavam.Já não se faz médico como antigamente!
Cortaram o quase morto em muitas partes e cada vez que pelo seu interior entravam, mais pedras de maior valor iam encontrando, por sua vez, mais cortes iam fazendo.

Da sola dos pés retiraram algumas chapas em ouro maciço no mesmo formato, das batatas das pernas centenas de pequenas pepitas de diamantes, colados nas paredes das costelas, muitos colares de pérolas vindas de trabalho de ostras gigantes de mares abissais.

Verdadeira autópsia foi feita sem saberem se o paciente já era finado, por terem lhe cortado os bíceps dos braços, os tríceps, peitoral, serrátil, reto do abdome, reto da coxa, vasto lateral, fibular curto, o trapézio.
Descobriram que os músculos que deveriam ser de material humano, era de metais e pedras preciosos.

Depois de tantos cortes e costuras para suturá-los, viram que a produção fora de monta superior ao que achou que iam encontrar. Bandejas se encontravam cheias de diversas joias seculares da família.
A dificuldade entre eles em discussão chegando se acalorar, mas sem vir do esôfago o som de viva voz, era com quem ia ficar as pedras, pela desconfiança que um sentia do outro, porque se conheciam e sabiam do trabalho que dava para faturar dinheiro de pessoas que ainda não estão nas últimas, facilitando o ganho dos que estão para ir ao reino do desconhecido, por ser a vida de um ente querido de valor incalculável.

Fácil para o cirurgião chefe foi informar a responsável pelo paciente de que ele não resistiu à cirurgia e acabou escafedendo.
Para ganhar tempo e não levar a família gastar mais dinheiro, disse o médico chefe que a autopsia já estava feita, que o defunto realmente morreu de infarto do miocárdio.
Mostrando a carteira do Conselho Regional de Medicina, informou que tem graduação e licença para fazer autopsia, cirurgia plástica, cardíaca, gástrica. É um pesquisador nato da anatomia humana e, busca incansavelmente ficar conhecido pelos meios científicos da medicina e também se tornar popular através da televisão, do radio, de jornal, revista e livros técnicos que escreve e até de ficção.
Esse médico é fera!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dia 8/12 lançamento do livro BIXIGA:um Cortiço dos Infernos na ECLA da Regina Tieko.R.Abolição, 244


Foi na Rua Abolição que o livro criou asas e se tornou realidade na figura de um personagem miserável morador de cortiço.No início dos anos 80 eu morei num cortiço no Bixiga.