Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008
Vivem acorrentados num agonizante fragor, tendo animais parasitários cravados pelo corpo se lambuzando dos sonhos que não deram contar de dar certo, pelo consumo produzido pelo capitalismo selvagem ser digerido por aqueles que conseguiram se escravizar com menos compaixão de si mesmo, imagine de terceiros.
Tornaram-se escravos e tentam se movimentar para encontrar saída que lhe dê melhor dividendo para conseguir pagar mais uma prestação atrasada de diversos itens que acham que podem e precisam possuir.
Algum sentido vagueia para pensar o que podem fazer para sair com vida de onde estão amarrados por correntes inquebráveis, pelas incertezas que o mercado globalizado de ações e reações do neocapitalismo possa trazer ao sistema de consumo sem freio ABS que o faça parar antes de cair no despenhadeiro sem volta.
Ferragem com engrenagens bem distribuídas prende muitos mortos vivos sobre moderno sistema de informação, apontando para cima lanças para ser cravadas no corpo, por qualquer movimento em falso que vierem a cometer contra os poderosos senhores donos de todos os movimentos financeiros.
Serão perfurados, vindos a ser varados de um lado a outro se não conseguirem se encaixar em novas engrenagens que mentes insanas criam diuturnamente.
O cenário é de horror caótico, com flechas apontadas para qualquer direção vindas de todo lugar, prontas para ser disparadas em quem consiga se desvencilhar das ferramentas impostas por quem comanda o mercado de ações.
A porcaria umedecida e apagada no chiqueiro dos que podem tudo ofuscada pela cor da incerteza, é rota para os inumanos encontrar onde se alimentar, estando ali a centenas de anos se refrescando nas imundices internacionais.
Ao lado e em qualquer canto que o espaço ceda lugar, outros acorrentados alimentam outros tipos de animais que para viver precisam de terceiros com vida plena e saúde sobrando pelas orlas da corrupção pública ou privada, que apresente necessidade e que tenha sangue e subserviência para qualquer ocasião.
Neste cárcere, presos sub o julgo do poder que muitos detêm para sugar o que resta como material de capital, muitos deles acreditam que é o fim para quem achou que ia viver um pouco mais, já que tem subido a perspectiva de vida dos brasileiros.
Os abutres descansam pelas saliências das paredes de pedras extraídas de pedreiras que produzem os mais finos mármores, que andam escurecidos pelo lodo secular da especulação, esperando a morte eminente de algum ser vivo que vive sendo sugado também por bandos sempre em revoada de morcegos carnívoros, prontos para pegar quinhão de bens para construir reputação de bom investidor.
Ratos são vistos esperando o anoitecer para sair das tocas e abocanhar seu milhão que acabou de virar cinza no decorrer da baixa de ações. São filhos de deus e precisam de resto de alimento para não sucumbir em suas locas escuras de degeneração, na umidade do buraco gruta mundo imundo.
Por que tentei ser o que fui, grita um deles com papéis sem valor não mão, se em todo lugar que ia não encontrava conciliação, só obrigação?
Devia ter me tornado assassino dos donos do poder desta tormenta, grita outro. Não estaria morrendo aos poucos sem poder me defender do fracasso do lucro fácil que sonhei.
Os vermes que precisam de sangue dos miseráveis engordam sem precisar se locomover por muito, grita um terceiro, pegando nossos míseros investimentos em ações sem reações.
Encontra quem o satisfaça sem receber na fuça a força de um coice a fim de dilapidar o inimigo. Por mísera quantia compra qualquer um que queira ser no futuro um co-participe dos afortunados de valores vindos da escravidão branca.
A gritaria ecoa de muitas gargantas que só têm esse órgão para se defender, já que as amarras não os deixa mover-se por ter queimado o que tinha em dinheiro embaixo do colchão. Na verdade, todos gritam para ninguém, pois que só conseguem soltar a voz quando estão longe daqueles que mandaram prender-lhes.
Nosso sangue os alimenta por sermos presas do poder que emana do capital especulativo.
Ah se poder eu tivesse para quebrar essas correntes e descerrá-las nas costas arrombando ferida que os ensinassem a ser gente mais adiante.
Mim respondam: será que aprenderiam a respeitar os subalternos oriundos da miséria absoluta que produziu este país ao longo de centenas de anos?
Na escuridão desse cárcere que muitos fazem de tudo para participar, ninguém sairá ileso de ser sugado, mordido, triturado, amarrado pelas correntes do metal do desenvolvimento capitalista. Cada um que se cuide para não ser sugado pelos morcegos, sanguessugas, ratos e abutres que nutrem amor pela carne de novos corpos que se lançam no mercado para no futuro morrer feliz, rindo do poder que conseguiu possuir para fazer mais cárcere e mais prisioneiro para mais produção de bens de consumo.
ZéSarmento
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008
Não é por acaso que o presidente, Luiz Inácio LULA da Silva, é tão bem avaliado nesse momento histórico pelo qual passa o Brasil. As primeiras palavras que pronunciou quando entrou no Studio: não tem café aqui não gente, em todo lugar que eu chego tem sempre um cafezinho me esperando.Depois do café trazido pela produtora e colocado no camarim, antes de sentar-se na cadeira de maquiagem, tomou uma xícara e acendeu uma cigarrilha. Sempre conversando sobre qualquer assunto, naturalmente mais os políticos, com marqueteiros que vieram lhe trazer pilhas de textos para ser gravados para os correligionários de todo o país. Diziam os marqueteiros: presidente, as pessoas são da base de sustentação, é importante que o presidente faça essas entradas para ajudá-los. Gente, mais são candidatos de minúsculas cidades! Sim, presidente, do quinto escalão, mas são eles que cuidam do dinheiro dos projetos sociais criados por vossa excelência!Diga-se de passagem, o mais bem avaliado da história, por isso eles pedem socorro!
Vamos gravar, já que tou aqui agente faz! Não podemos demorar, eu tenho que dá uma passada no velório do Heleno Bezerra! Coitado, era um companheiro do bem! Entre uma conversa política e outra e as gozações a respeito do nome das pequenas cidades e dos nomes dos prefeitáveis da base aliada, falava de futebol, dizendo que o centroavante Nilmar é o melhor jogador que tem hoje no Brasil, pena que tem problema fácil de contusão. O time do corínthians não ficou fora da conversa, perguntando e pegando no braço de um e de outro da equipe, sem distinção, se tinham visto o jogo do timão ontem, (no sábado). Depois da gravação que seria em principio no seu apartamento de São Bernardo e que mudou para um pequeno Studio de lá mesmo, por acharem que o apartamento era muito pequeno, e já de volta dentro duma van, não teve um dos que tiveram da mais importante a mais humilde função para fazer a gravação, que não o tivesse admirado por ser um homem do povo. O homem veio do nada e pra são Paulo num pau de arara, sabe o que é gente, falou um de trás.
Feito os spots de 30 segundos para diversos candidatos de capitais, médias e pequenas cidades, cedeu em gravar OFF para mais um candidato, a pedido do funcionário do studio que trabalha em iluminação, informando que era para um parente candidato por partido da base de pequena cidade de Pernambuco, que quando criança vindo para São Paulo passou por ela com a mãe e os irmãos em cima de caminhão. O intermediário dessa locução foi um dos seus seguranças. Por fim, nós da equipe tiramos fotos, quando todos queriam tirar ao mesmo tempo para demorar menos, propôs que tirasse cada um por vez, deixando claro que com o povo ele tem exímia identificação.
ZéSarmento
Domingo, 3 de Agosto de 2008
POR QUE DO FUTEBOL NA VIDA SOCIAL?
Quem não troca a mulher da pseudo-seriedade do casamento por uma boa pelada nos fins de semana.
O futebol serve para a entrega ao esquecimento de diversos problemas cotidianos, pois que são jogados longe de todas as cabeças que porventura se aventuram a jogar bola, ou porque é craque no domínio da pelota ou só porquê quer se relacionar.
A bola é ótimo instrumento de organização social, de confraternização, de reação contra reação, de administração dos sentidos, movimentos.
Uma coisa que jamais passará são as correrias atrás de uma bola. É assim em todas as sociedades desde os primórdios do futebol, quando surgiu correria parecida nos idos de 3000 a.C na China, sem nenhuma regra evidentemente. Soldados do imperador chutavam cabeças degoladas por espadas de lâminas afiadas para os parceiros e se divertiam para baixar o nível de estresse. Mais uma invenção da velha China.
Dizem que também o Japão tinha esse jogo parecido com o futebol, o Kemario, também usado como exercício de guerra.
Em Esparta na velha Grécia se jogava uma peleja parecida com o que assistimos. Usavam bexiga de boi, dando o formado arredondado depois de enchê-la de areia, tendo em cada equipe cerda de quinze jogadores.
Da Inglaterra para o Brasil foi trazido requebrando no cortar das ondas, em 1894, trazendo Charles Miller na bagagem duas bolas capotão e brochura com regras.
Não sei por que deram a ele o título de agente que trouxe o futebol para o país, se já em 1888 existia o Athletic Club São Paulo que já disputava partidas de futebol. Bom, o mito para ser para sempre deve ser único e indivisível. Estavam nascendo às asas que deram vôos as mídias que viraram midiáticas.
Com o passar dos anos o futebol referendou-se como única e inabalável forma dos povos de todo mundo se divertir, tendo muitos amantes dele, e também muitos jogadores amadores com nenhuma substância na gene para ser uma espécie de Pelé do passado, Ronaldinho de hoje, Pato, Robinho. Recebendo como diversão, só a exaustão do correr atrás da bola. Citando só os nossos craques, estamos mistificando no casario bairrista os nossos mitos, morou?
Diversão de qualquer classe é o corre-corre, pois que junta todas num só balaio gastando energia e queimando lipídio atrás da redonda de gomos sextavados pulando para alcançar os pés dos que a entenda e ela a ele.
Então, do por que do futebol na vida social?
Oras bolas! Que responda as periferias de todas as cidade grandes, médias, pequenas ou simples vilarejos ou uma só rua ou onde viva mais de uma pessoa que encontre uma bola nem que seja murcha ou alguma meia que sirva para ser preenchida de algodão, folha, panos velhos de monturo. Lá se encontrará alguém respondendo do porque do futebol na formação das sociedades e dos povos de todo o mundo.
ZéSarmento
Terça-feira, 22 de Julho de 2008
O futebol e suas faces que nem Freud explica.
Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir.
Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos de que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.
A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.
Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.
Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?
Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.
Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.
Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.
Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.
Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.
No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.
José Marques Sarmento
Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
MORTE NA CASA DAS ROSAS
Não resistiu a tanto abuso em construção que saiu dos traços da sua criação.
Era hora de se revoltar com toda mazela que assistia de onde estava.
Seria hora de partir pra cima com a fúria dos piores homens sem sentimento de perda e pôr a lâmina para perfurar um a um sem piedade aparente os intrusos da sua residência.
Nunca viram tanto ódio em pessoa de índole tão pacata, que sempre empregou nos gestos, suave tempero de educado senhor.
Levava a lamina embainhada de fio amolado e ponta afiada no esmeril da esperança em ver acabado sua vingança sem muito tardar. Enfiada à cintura segura pelo cós da calça, escondida entre o meio de sua revolta pelo que via e sentia, levando na cara também uma careta-máscara que exportava pesado terror.
Quando adentrou a casa que saiu dos traços criados pela sua técnica e imaginação aguçada de arquiteto clássico, lá pelo final do século vinte e que fora projetada para ser doada a filha que estava para casar e que passou a abrigar outras gerações da família, não resistiu a se enfurecer mais ainda e começou a pegar um por um aqueles que se diziam ser a vanguarda da arte da criação contemporânea.
Não ia deixar a casa dos sonhos, construída em grande área arborizada, possuindo trinta espaçosos cômodos em estilo arquitetônico francês, evidenciando fachada de grande vitral colorido decorando hall de entrada. Sabia que sua criação atraia e alegrava todos os visitantes, por se enervar de prazer, não faltando o mesmo sentimento quando se deparavam com o espaçoso jardim inspirado no famoso palácio francês, o Versalhes, ganhando as raízes dos roseirais, energia suficiente da terra sempre adubada para encantar os românticos e apaixonados com suas flores viçosas.
Casa que não viu crescer os filhos, tampouco os netos, por conseguinte também a ramagem folheada a ouro da árvore genealógica da grande família, por ter sido escolhido para viver no mundo espiritual antes do seu término.
Não viu a sua cria robusta e bem acabada recebendo as pilastras e fachadas e escadarias, o estilo clássico de vanguarda, que se encontra fincada em rico solo, receber os amigos dos descendentes em festas regadas ao melhor vinho e champanhe e uísque escocês, claro, sem passar pelas orlas Paraguaias para serem rebatizados.
Sabem que estendeu dias na planificação dos desenhos da residência, nas horas em vagar dos projetos arquitetônicos de responsabilidade sua de obras municipais paulistanas, sonhando em dar a filha uma moradia digna de sua casta descendência, riscando e amassando pequenas plantas com traços que ganhava os papeis e que não achava que era o que devia ser os móveis e objetos de decoração, tentando dar forma nos traços criados nas escalas estudados na faculdade de arquitetura.
Não gostava do que via ser apresentado e representado sem inibição pelos poetas que pela casa era escolhidos para os lançamentos de livros, pelos artistas que faziam suas obras e expunha em instalações de vanguarda.
Achava que as obras que lá freqüentavam eram textos criados sem conexão com a realidade dos tempos atuais e da sociedade.
Para dar andamento ao que se dispôs a fazer, que por muito tempo o fez matutar de como deveria agir, surgiu entrando pela larga porta principal já com a faca empunhada em riste, num ínfimo andamento em que um autor lia um poema de criação própria, gesticulando para todos os cantos.
A faca desinibida fora retirada da cintura num só solavanco de endiabradas mãos de homem rude ao pisar no último degrau da subida, e entrou pela parte do corpo que poderia encontrar o melhor órgão que existe para fazer, por ocasião, parar de bater e dar os últimos suspiros os pulmões. Encontrando o coração, foi lá que se alojou a ponta afiada e parte da lâmina vindo a cortar a veia aorta. Puxando-a para si e já de olho em outro autor canastrão, deixou-se cair nas escadarias o berrante e delirante homem poeta, vindo a ficar esguichando no piso de mármore, o vermelhão de dentro de si.
Já correndo ao outro grande canastrão da escrita que fazia sua performance em sala exígua ao grande hall de entrada, chegou a tempo de encontrá-lo ainda pelo meio do poema que achava que era sua obra prima, quando num lance de trepidês instantânea, fez o braço com toda força dos tendões e nervos, levar a lâmina de encontro ao abdômen.
Um grito estridente se ouviu ecoando por toda área da grande avenida, vindo a se despregar das paredes, algumas pinturas de grandes artistas do passado, pelo medo de serem também confundidos como autores contemporâneos. Arrastando a lâmina, tripas saíram deixando o oco da barriga que guardava os intestinos. Grande obra de arte acha que criou fazendo aquele intestino se expor como obra de arte com cores berrantes.
Depressa chegou a outra sala com o povo indo atrás achando ser parte de uma peça encenada com a maestria da veracidade. Nessa encontrou o autor recitando, isto é, gritando, a última estrofe do seu épico poema. Encurralado entre o encontro de duas paredes, ficou sem saída na ampla galeria que se achava sob temperatura do ar condicionada, que expunha algumas obras também contemporâneas, formando um mosaico de muitas cores e estilos.
Pinturas clássicas, neoclássicas, modernas, primitivas, renascentistas, barrocas, rococós, românticas, impressionistas, cubistas, expressionistas, futuristas, surrealistas e pop arte, derramavam lágrimas pelo semblante rosto, por saber que, em outras salas, havia uma exposição e instalação de arte contemporânea de autores que se achavam o máximo.
Os visitantes davam ao momento movimento de êxtase com o que assistiam, e de certo modo, estupefatos uns, outros nem tanto, por ser de sentimentos diversos todas as gentes.
Nos infernos ou no céu, já prestavam juramento sobre as mentiras que empreenderam no decorrer da vida, ou as pendentes verdades que tenham neles existidos, os gênios defuntos já entregues a branquice da cor do corpo de quem perde a vida terrena, tendo-os muito mais dificuldade em explicar do por que se interessar tanto em ser chamado poeta, artista, tanta gente vindos de casta burguesia refinada.
Correu o encurralado poeta que deixou de ser por um instante, por ter dado um drible de corpo no enfezado e agora assassino arquiteto com a faca ensangüentada na mão. Saiu em busca de proteção tentando fugir de mãos ignotas, protegendo no peito o filho da sua criação literária. Na fuga acabaram visitando algumas salas, vindo no decorrer da perseguição de quem queria atacar e de quem queria fugir, a destruir as instalações dos artistas que gritavam com as mãos na cabeça desesperados pedindo que não destruíssem o que criaram com tanto sacrifício tendo-os muito mais sacrifício arranjar lugar para expor.
Destruída a arte contemporânea, morto o último perseguido com uma facada nas costas, a platéia visitante da casa das artes começou a aplaudir a encenação, mas ao mesmo tempo começando a fugir quando caiu a ficha, pelo aparecimento de grande aparato de policiais armados para prender o assassino.
José Sarmento
Domingo, 16 de Março de 2008
UMA CANTADA DOS INFERNOS
Vai um weifer, doutor?
Não. Obrigado.
Vai doutor, leva, é baratinho e não dói.
Não quero, obrigado...
Não me diga que não tem uma moeda sobrando na pochete?
Tenho mais é pra outras responsabilidades.
Pra gasolina?
Não.
Pagar cartão de crédito?
Não.
A conta do celular?
Não.
Então aproveita. É só um real o weifer e se não é pra pagar nada, serve pra comprar o doce.
Não quero. Obrigado.
Como é difícil tirar um real de vocês.
Quer ganhar mais?
Como assim?
Entra no meu carro que te dou 100.
100 pra fazer o que?
Varias coisas.
Como assim?
Topa fazer de tudo?
Tudo o que?
Tudo!
Mas tudo não diz nada. Seja mais objetivo.
Tou precisando de uma companhia.
Pra que doutor?
Pra fazer umas coisas comigo.
Que coisas?
Escute aqui, sei que você não é burra de não tá entendo o que tou falando.
Não tou não, doutor.
Quanto tempo você demora pra ganhar 100 reais?
Uns 15 dias.
Não acha legal ganhar 100 em menos de duas horas?
Pra fazer o que, doutor?
Não se faça de desentendida, você é uma garota inteligente, bonita...
Cê acha?
Depois de uma ducha no capricho fica mais ainda.
Cê acha?
Sobre cama macia, cheirosinha, vai valer mais de 100.
Pra fazer o que?
Eu quero sua “buceta” por 100 reais por duas horas. Você topa?
O doutor tá é doido!
Tou doido por você.
Eu sou virgem.
Pago dobrado.
Até tou precisando de dinheiro e de perder a virgindade. Sou motivo de gozação das amigas de escola, mas assim não dá. A minha mãe diz que tem que ter amor e só pra casar.
Sua mãe não tá precisando de 200 reais?
Precisando tá, senão não tava aqui embaixo desse solão tentando arrancar uma moeda de 1 real do doutor.
Com 200 reais você vai ao mercado, faz uma compra e leva pra casa.
E o que digo pra minha mãe?
Que você achou o dinheiro. Em casa você tem de tudo?
Não.
Então...
Doutor, os outros carros querem passar.
Deixa esses filhos da puta buzinar, vou até desligar o carro e levantar a tampa traseira pra dizer que quebrou.
O doutor é doido.
Tou doido por você. Por esses seus olhos.
Vixe!
Por esses peitos que me dão vontade de chupar.
Isso é coisa feia, doutor.
Feio é você ficar aí nesse solão tentando 1 real de um e de outro e ficar escutando cantada como a minha.
Quem faz o que o doutor quer por dinheiro é prostituta.
Prostituição hoje não é crime nem pecado. Crime é o que vc faz quase de graça. Com esse corpo aí, você vai viver bem melhor e se for esperta ficar rica.
Tem um monte delas que fica rica vendendo o corpo?
Se tem...
Não tenho coragem, sou muito nova, tenho medo, meus pais me expulsariam de casa se eu fizesse uma coisa dessas.
Digo pra você que não tira pedaço. Lavou tá novo.
E a alma, doutor, não fica escangalhada?
Fica se você não aceitar.
Duvido que sua vida seja açucarada vendendo esses doces.
Não é doce, mas também não é amarga como fel.
Se não é uma coisa nem outra, por que não muda pra ver no que dá?
Não sei...
É só entrar no carro e sua vida muda.
Como pode uma vida mudar por causa de 200 reais?
Esse é dinheiro inicial. Se você aceitar e der tudo certo, todo dia você pode ganhar até 1000.
1000, doutor?
Se for esperta até 1500.
1500?
Com esse corpo, bonita como é, e esses peitos e esses olhos, logo tá até pousando pra revista.
É verdade, doutor?
E não é...? É só contar dos seus desejos pra pessoa certa, que sou eu, que você vai voar alto.Vamo?
Não. Prefiro vender os doces.
Deixa de ser boba, entra logo. Você só vai sair ganhando.
Doutor, não me faça sonhar.
Não é proibido.
Pra pobre que nem eu, é.
Não é. É só você usar o que tem de melhor.
E o que eu tenho de melhor?
Seu corpo.Vende ele que você sai da pindaíba. Aproveita enquanto é nova.
Não sei...Posso falar com minha mãe...
Então vai.
Tá bom...Vai logo filha desalmada, entra logo naquele carro, não vê que é nossa salvação.
José Marques Sarmento
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
Quero chegar a ti
Talvez...
Para pô-la entre os espaços
Do meu ser vazio
Através da linha do tempo
Ele será a via espiralada
Quiçá...
Entrecortada por muitas nuances
O formador
Do caminho mais curto
Por acaso não...
Pelas minhas certezas não possuírem
A sutileza do fluxo sanguíneo
Que corre num moço vendendo saúde
E que nasceu para não ter dúvidas
Minhas certezas,
Se as tenho Porventura...
As gaivotas roubaram
E balança hoje nas ondas
Do meu mar vazio
Quem sabe...
Sejam respostas sem continente povoado
Parado no tempo espaço
Que ignora a verdade
Mim deixando cheio de dúvidas
Talvez...